A Unidade de Saúde de Coimbra (USC) desenvolveu um conceito de cuidados de saúde, inovador no nosso País, que faz a ponte entre um hospital e um lar para a terceira idade, possibilitando aos seus utentes o internamento de média e longa duração, com apoio clínico e de reabilitação. Investidos sete milhões de euros, a USC abriu as portas, com uma nova equipa de gestão, no dia 1 de Outubro.
«Em Portugal, esta é agora a primeira unidade de cuidados de saúde integrados, organizados de modo transdisciplinar, que inclui um hospital residencial de apoio ao idoso com alguma forma de dependência», afirma o Prof. Paulo Moreira, o novo administrador delegado da USC. «No Centro do País, esta é uma área com grandes carências», acrescenta.
Para garantir a prestação de serviços de saúde integrados aos seus utentes, a USC tem várias valências incluindo diversas consultas externas.
«Temos também um serviço de Medicina Física e de Reabilitação – destinado quer às pessoas que aqui estão internadas, quer às que nos chegam de fora – e de apoio domiciliário ao idoso e a pessoa com deficiência, que é outra área com grandes carências, nomeadamente, na Região Centro», sublinha Paulo Moreira, continuando:
«Garantimos também os cuidados de vigilância, por exemplo se a família necessita de se ausentar, ou nos dias de folga da pessoa que está encarregue de olhar pelo idoso, ou pelo deficiente.
A USC terá ainda, em breve, um serviço de atendimento permanente (incluindo os fins-de-semana) para consultas de clínica geral. Por outro lado, o projecto distingue-se no panorama nacional pelo verdadeiro espírito multiprofissional adoptado e em que as diversas profissões da saúde contribuem para os cuidados de saúde integrados.»
«Acrescentar anos à vida e vida aos anos»
O Dr. Jorge Laíns, fisiatra da USC, recorda: «Desde o primeiro momento, tivemos consciência que tínhamos que trabalhar em complementaridade com o Serviço Nacional de Saúde. Um doente que precise de cuidados, dos mais diferenciados e sofisticados que existam, pode ser atendido nos hospitais de Coimbra.
Contudo, para uma fase seguinte em que seja necessário algum acompanhamento, não havia nenhum hospital de retaguarda. Foi nessa base que foram criadas diversas valências na USC, para dar apoio aos hospitais altamente diferenciados de Coimbra».
O ângulo de abordagem clínica da USC «incide, sobretudo, no indivíduo com polipatologia e que aqui pode obter um diagnóstico completo do seu estado de saúde e da sua condição física. Aqui estão reunidas as condições, técnicas e humanas, numa equipa multidisciplinar, para atender os casos de polipatologia», diz Jorge Laíns.
O aumento da esperança média de vida e o envelhecimento da população em Portugal vai contribuir para o «aumento do número de AVC e de doentes com patologias inerentes ao envelhecimento, como a doença de Alzheimer ou de Parkinson. Todos nós queremos viver mais e queremos não só acrescentar anos à vida como vida aos anos e é com essa filosofia que trabalhamos», declara o fisiatra da USC.
A enfermeira Sónia Serra observa que «hoje em dia, torna-se muito complicado para as famílias dar o devido apoio ao idoso doente. Para além disso, é muito difícil manter uma pessoa internada durante dois ou três meses num hospital, dadas as longas listas de espera. Havendo um hospital residencial de retaguarda, como a USC, essas listas de espera vão diminuir, os idosos beneficiam dos cuidados de saúde de que necessitam e a família pode manter o seu dia-a-dia normal».
No entanto, o próprio período de convalescença de uma determinada doença pode trazer consequências nocivas, sobretudo para o idoso, que necessita de mais tempo de recuperação.
O Dr. Arménio Fonseca, fisioterapeuta, coordenador da USC, refere que uma das principais necessidades do idoso doente é combater as sequelas do imobilismo. «Um doente que está acamado e fica algum tempo sem fazer movimentos pode vir a ter problemas respiratórios, cardíacos, ou simplesmente perder as forças devido a uma atrofia geral dos músculos», previne o fisioterapeuta, justificando assim a importância da reabilitação física do doente.
A piscina para hidroterapia e hidromassagem é uma das mais-valias do Serviço de Medicina Física e de Reabilitação da USC, para fazer face a problemas «muito comuns na terceiras idade, como são as artroses e artrites reumáticas», salienta Arménio Fonseca.
O gabinete de serviço social da USC
Apostando na qualidade e humanização dos serviços, a USC criou um gabinete de serviço social, coordenado pela Dr.ª Marta Craveiro.
«Actuamos em três planos distintos, mas que se interligam entre si – o utente, a família e as instituições», indica Marta Craveiro, concluindo:
«Trabalhamos directa e diariamente com o utente, em todo o seu plano de cuidados de saúde. Com a família, na sua responsabilização pela prestação desses cuidados, no âmbito da educação para a saúde e da prevenção.
É nosso objectivo trazer a família para o processo de acompanhamento e recuperação do doente e apoiá-la em tudo o que necessitar. Se a família não tiver capacidade de resposta, ajudamo-la a procurar outras instituições que, para além da nossa, possam garantir a continuidade e a qualidade da prestação dos cuidados de saúde.»
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