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Surdez: Olhos atentos …aos ouvidos

Os primeiros seis meses de vida são determinantes para aferir eventuais deficiências auditivas do bebé, que têm um impacto no desenvolvimento da linguagem e da comunicação.

O aparelho auditivo é constituído por três zonas – o ouvido externo, o ouvido médio e o ouvido interno. Cada uma tem uma função específica, para interpretar o som. O ouvido externo colecta o som e conduz o mesmo através do canal auditivo até ao ouvido médio. O ouvido médio, constituído pelo tímpano e um conjunto de três ossos, permite transformar
a energia de uma onda sonora em vibrações e transformá-las numa onda de compressão ao ouvido interno. O ouvido interno permite transformar a energia da onda em impulsos nervosos que podem ser transmitidos ao cérebro.

É difícil detectar a surdez ainda durante a gravidez, mas é possível diagnosticá-la logo após o nascimento, através de testes que devem ser efectuados nos primeiros seis meses de vida. Por menor que seja a suspeita de que a criança não responde aos estímulos sonoros, devem ser rapidamente realizados testes auditivos. O diagnóstico precoce é fundamental para o sucesso do tratamento.

São múltiplos os factores que conduzem à perda auditiva, sendo que existe uma influência da hereditariedade e desordens congénitas, como a síndrome de Down ou Trissomia 21 (mais conhecida por mongolismo), mas, na maioria das vezes, as causas são adquiridas, relacionadas com a gravidez ou o momento do parto ou então decorrentes de traumatismos.

Na infância, a surdez está sobretudo relacionada com infecções do ouvido médio, ou seja, otites, muito frequentes e, por isso, factor de risco. A meningite, o sarampo, a exposição permanente a sons muito altos e traumatismos cranianos são outras causas de deficiência auditiva após o nascimento.

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Diagnóstico precoce

O diagnóstico precoce é essencial, se pensarmos no desenvolvimento integral da criança. A audição está associada à fala, à capacidade de comunicação. Sem a audição, a criança tende a afastar-se do seu meio ambiente, isola-se, pode apresentar distúrbios emocionais e de aprendizagem. Por isso, uma criança com problemas auditivos contínuos até aos três, quatro anos apresentará deficiências no desenvolvimento da linguagem e poderá ter dificuldades na aprendizagem.

Ao menor sinal, devem ser tomadas medidas no sentido de desencadear o tratamento. Recuperar as capacidades auditivas pode ser possível, mas na surdez infantil, como em tantas outras situações da saúde individual e pública, prevenir é a palavra-chave. E há formas de prevenção que passam por exames pré-natais rigorosos e cumpridos escrupulosamente, pela vacinação contra a rubéola antes da gravidez, pelo tratamento da sífilis e da toxoplasmose, pela imunização contra o sarampo e a meningite.

Além disso, as otites devem ser convenientemente tratadas e deve ser conferida particular atenção às crianças com episódios frequentes de infecções auditivas.

Pela educação das próprias crianças passa igualmente a prevenção, já que é possível ensiná-las
a evitar a exposição a ambientes com sons de alta-frequência, bem como alertá-las para os perigos de introduzirem determinados objectos nos ouvidos, dado o risco de lesão.

Jamais se pode ignorar um defeito auditivo. Se aparecer na idade pré-verbal, pode afectar irreversivelmente o processo de aquisição de linguagem. E ainda que aprender a comunicar possa ser uma fase difícil, é demasiado gratificante para ser prejudicada.

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Causas de deficiência auditiva

Podemos distinguir vários tipos de causas, de acordo com o ciclo de vida do indivíduo:

ANTES DO PARTO

• Hereditárias;

• Malformações congénitas, adquiridas pelo embrião devido a infecções virais ou bacterianas intra-uterinas (ex.: rubéola, sarampo, sífilis, citomegalovírus, herpes simplex, toxoplasmose),

• Intoxicações intra-uterinas (ex.: quinino, álcool, drogas);

• Alterações endócrinas (ex.: patologias da tiróide, diabetes);

• Carências alimentares (ex.: vitamínicas);

• Agentes físicos (ex.: raios X).

DURANTE O PARTO

• Traumatismos obstétricos (ex.: hemorragias do ouvido interno ou nas meninges);

• Anóxia;

• Incompatibilidades sanguíneas (do factor RH que podem provocar danos no sistema nervoso central).

APÓS O PARTO E AO LONGO DA VIDA

• Doenças infecciosas;

• bacterianas (ex.: meningites, otites, inflamações agudas ou crónicas das fossas nasais e da naso-faringe);

• virais (ex.: encefalites, varicela);

• Intoxicações (ex.: alguns antibióticos, ácido acetilsalicílico, excesso de vitamina D que pode
provocar lesão com hemorragia ou infiltração calcária nas artérias auditivas);

• Trauma acústico (ex.: exposição prolongada a ruídos nos locais de trabalho ou em recintos de diversão; sons de elevada intensidade e de curta duração, tais como nas explosões e na caça; diferenças de pressão, como no caso dos mergulhadores).

De referir que, há ainda causas de origem desconhecida.

FARMÁCIA SAÚDE – ANF

www.anf.pt

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