Depois dos transtornos da menopausa e da andropausa, é frequente surgirem as disfunções sexuais, tanto nos homens como nas mulheres. A sexualidade não tem que ser condenada, apenas adaptada. Superar tabus e preconceitos é o primeiro passo para a ternura dos 60.
«Ter de arrumar as botas é uma expressão muito utilizada pelos homens quando sentem os primeiros problemas de erecção. Como se estivesse ditado o final da sua vida sexual, os homens tomam a consciência de que longe vão os tempos da juventude», explica o Prof. Nuno Monteiro Pereira, presidente da Sociedade Portuguesa de Andrologia. «Trocar as botas» é o que recomenda o especialista aos seus pacientes: «A sexualidade não tem de acabar quando um homem deixa de conseguir manter uma erecção, ou quando uma mulher perde a lubrificação vaginal. Isso são mitos, pois a idade não determina o fim da sexualidade. Em primeiro lugar, porque uma relação sexual não implica necessariamente a penetração. Depois, porque as carícias e os gestos amorosos podem ser adaptados de acordo com as necessidades e desejos de cada um.» Esses mitos são essencialmente alimentados pela falta de informação e pela má interpretação das normais alterações fisiológicas que ocorrem com o avançar da idade. O fim da actividade sexual é, muitas vezes, determinado pela ansiedade e pelo pessimismo gerados pela falta de esclarecimento. «Independentemente da existência de uma disfunção sexual por parte do homem ou da mulher, o desejo pode persistir, o que acaba por originar uma certa frustração», diz o andrologista. É neste sentido que deve haver uma adaptação e uma «troca de botas» no que diz respeito à prática sexual. Quando a qualidade substitui a quantidade Com o passar dos anos o sexo, tal como outras actividades, vai se tornando menos necessário. Se para um jovem é muito importante a quantidade de relações sexuais, em idades mais avançadas esta noção de quantidade é substituída por uma noção de qualidade. Se um jovem precisa de praticar sexo várias vezes por semana para sentir-se satisfeito, o mesmo grau de satisfação é obtido por um indivíduo de mais idade com um número bastante inferior de relações sexuais. «Um homem saudável é potente durante toda a sua vida, mas com o aumento da idade há uma maior necessidade de estímulos para que ocorra a erecção», explica Nuno Monteiro Pereira. Se um jovem consegue subir uma escadaria a correr, uma pessoa de mais idade irá subi-la mais devagar. Mas conseguirá na mesma chegar ao topo das escadas. Se num jovem uma erecção ocorre com mais facilidade e rapidez, num indivíduo mais velho será um pouco mais demorada. Tudo está relacionado com o desgaste físico de uma vida inteira. «Não há uma idade definida para o fim da potência sexual. Em situações normais ela nunca acaba. A impotência é geralmente uma consequência ou um efeito de outras doenças como a aterosclerose, a hipertensão ou a diabetes», diz o Presidente da Sociedade Portuguesa de Andrologia.
Alterações da imagem Ao longo da vida homens e mulheres atravessam etapas de amadurecimento que nem sempre são superadas com facilidade. Desde a transição da infância para a adolescência, passando depois à fase adulta, mais tarde a menopausa e a andropausa e, por fim, o encerramento do ciclo com a entrada na chamada terceira idade. Revoluções hormonais, conflitos mentais e adaptações físicas são características que marcam cada uma destas fases. Uma das mais dolorosas, no que diz respeito a sintomas desagradáveis e a alterações da imagem corporal é, segundo os especialistas, a menopausa e a andropausa. «As mulheres perdem as formas e tornam-se mais flácidas, com acumulação de gordura na zona das ancas e barriga e ganham pelos inestéticos no rosto. Para além disso sofrem com as alterações do humor e da disposição e com os incómodos afrontamentos», diz o especialista. Esta fase ocorre geralmente entre os 47 e os 52 anos. Os ciclos menstruais deixam de ser regulares até cessarem por completo e a mulher perde a sua fertilidade. «Nos homens, esta fase ocorre mais lentamente. A andropausa não causa o mesmo choque que a menopausa nas mulheres. Há uma perda de força muscular, surge a famosa barriguinha, o cabelo branqueia, aparecem ligeiros afrontamentos e sentem-se também alterações do humor», continua. É então que aparecem as crises de meia-idade, em que a quebra da auto-estima deixa uma nuvem negra sobre a cabeça de homens e mulheres. Contudo, «as terapias de reposição hormonal têm sido bastante vantajosas dado que, para além de atenuarem os sintomas, reduzem também as alterações do corpo. Porém, há que ter atenção a alguns riscos. É importante o acompanhamento de um especialista para que a terapia seja prescrita e seguida de forma tranquila e segura.
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