NAS RAPARIGAS, A PUBERDADE É MARCADA PELO APARECIMENTO DA MENARCA. A menarca é uma fase importante na vida da rapariga, que simboliza a passagem para a idade fértil e que deve ser acompanhada de perto pelos pais, para que eventuais dúvidas possam ser esclarecidas.
«Em gerações anteriores a relação entre pais e filhas era muito fechada. Havia raparigas que não sabiam do que se tratava, que eram apanhadas de surpresa e não falavam sobre o assunto, pensando que padeciam de uma doença grave», afirma a Dr.ª Teresinha Simões, ginecologista da Clínica Ginalto.
«Hoje em dia, os pais não têm dificuldades em abordar esta temática. Nota-se menos abertura em relação à sexualidade, por exemplo, e não tanto em relação à menarca», acrescenta a ginecologista.
Porém, há ainda pais que esperam que as escolas forneçam as explicações necessárias.
«Mas as raparigas precisam de explicações menos científicas, pelo que é essencial promover o diálogo sobre a temática em casa», considera a especialista.
A menarca assinala a transição da fase infantil para a idade fértil e inclui-se numa alteração que é a puberdade. Esta fase caracteriza-se por três factores principais: a menarca, ou aparecimento da primeira menstruação, a telarca, ou o aparecimento do peito, e a puberca, que é o aparecimento dos primeiros pêlos. Normalmente, a primeira menstruação surge entre os 8 anos e meio e os 13 anos, sendo a idade média de aparecimento os 11 anos.
Segundo Teresinha Simões, «a idade em que surge a menarca é muito variável de rapariga para rapariga. Mas os pais devem estar muito atentos ao desenvolvimento das filhas, sendo aconselhável consultar o médico se aos 14 anos não tiver quaisquer manifestações de desenvolvimento que caracterizam a puberdade, seja em termos de ausência da primeira menstruação, de peito ou de pêlos. É igualmente aconselhável a visita ao ginecologista se a menarca aparecer antes dos 7 anos e meio».
O aparecimento do período menstrual é um sinal do normal funcionamento do organismo. Este prepara-se todos os meses para a gravidez: os ovários produzem óvulos que, quando atingem a maturidade, são transportados para o útero através das trompas de Falópio. Se o óvulo não for fertilizado pelo espermatozóide, é expelido pelo corpo através da menstruação.
Todavia, a ginecologista alerta para o facto de as primeiras menstruações serem, em geral, irregulares e aconselha a consulta ao médico se a irregularidade persistir ou se a rapariga sofrer de dismenorreia, situação em que as dores menstruais são muito fortes.
Neste caso, o médico pode aconselhar o uso de analgésicos ou da pílula.
«Existem estudos que indicam que quando utilizada muito precocemente a pílula pode atrasar o crescimento em cerca de dois centímetros», adverte Teresinha Simões.
Contudo, um tratamento com o contraceptivo mencionado é, normalmente, recomendado a raparigas que já tenham iniciado a sua vida sexual – e em que se combina como método anticoncepcional –, ou que apresentem ciclos menstruais muito irregulares e muito prolongados (com duração de sete/oito dias).
O fim da idade fértil
Muito diferente da menarca, a menopausa é a fase de transição entre a idade fértil e a idade infértil da mulher e surge em média aos 51 anos, sendo, no entanto, variável de mulher para mulher.
Esta fase caracteriza-se pelo desaparecimento da menstruação e ocorre quando os ovários deixam de produzir, total ou parcialmente, estrogénios, progesterona e androgénios.
É a falta destas hormonas que, salvo raras excepções, produz uma série de sintomas que afectam a qualidade de vida das mulheres. Eles são afrontamentos, sudação, irritabilidade, insónia, depressão e, entre muitos outros, falta de concentração.
A terapêutica hormonal de substituição (THS) é um tratamento que ajuda as mulheres a ultrapassar a menopausa com uma melhor qualidade de vida. No fundo, vai substituir as hormonas que o organismo deixou de produzir.
Síndrome pré-menstrual
Muitas raparigas e mulheres são afectadas por um conjunto de sintomas físicos e psíquicos desencadeados pela menstruação. A esta sintomatologia dá-se o nome de síndrome pré-menstrual, tensão pré-menstrual ou até mesmo «terror pré-menstrual».
Cansaço, depressão, irritabilidade, dores nos seios, enxaquecas, aumento de peso devido à retenção de líquidos são os sintomas mais frequentes referidos por aquelas cuja síndrome pré-menstrual não passa despercebida.
Contudo, a sintomatologia pode variar de mês para mês e de mulher para mulher.
A prática de exercício físico regular e a manutenção de uma dieta saudável, evitando os alimentos ricos em sal e açúcar, podem resolver algumas queixas.
Isoflavonas de soja
Relativamente às ocidentais, as mulheres orientais têm uma menor incidência de doenças como a osteoporose ou o cancro da mama, bem como os sintomas da menopausa. Este facto tem uma explicação. Deve-se à diferença nos hábitos alimentares das distintas populações. Acontece que a dieta oriental é rica em soja. À primeira vista pode parecer um factor sem importância. Mas, segundo demonstram alguns estudos, a soja contém substâncias que desenvolvem uma acção semelhante à dos estrogénios presentes na mulher antes da menopausa.
É, pois, através dos fitoestrogénios, ou isoflavonas, que as mulheres readquirem o equilíbrio hormonal. Equilíbrio este perdido na menopausa. Assim, resultam numa alternativa válida para as mulheres que apresentem contra-indicações à THS.
Quanto às acções das isoflavonas, entre muitas, devemos destacar a prevenção, redução ou eliminação dos sintomas da menopausa, a prevenção e redução do risco de osteoporose e, eventualmente, a prevenção e redução do risco de cancro da mama, do endométrio e do ovário.
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