Já pensou o quanto é importante levar uma criança ao Centro de Saúde para ser vacinada? É, de facto, um acto rotineiro no seu crescimento, que pode significar muito para um futuro saudável. «A vacinação, em termos gerais de saúde, é uma das descobertas mais importantes. Talvez até mais que a descoberta dos antibióticos, porque foi a única que permitiu, até à data, acabar com uma doença de vez», declara a Dr.ª Paula Valente, médica na Unidade de Doenças Infecciosas do Serviço de Pediatria do Hospital de Santa Maria, em Lisboa.
A história da Medicina comprova a eficácia da vacinação. Depois da erradicação da varíola estamos prestes a assistir a outro «milagre», conforme explica Paula Valente:
«A poliomielite já não existe no continente americano, na Europa, em parte da Ásia já foi considerada extinta e, neste momento, está em vias de ser declarada erradicada em todo o mundo, o que esperamos venha a acontecer dentro de 2-3 anos.» Tudo graças a uma vacina!
Vacinação e choro Qual é a criança que não chora quando vê uma agulha? Uma experiência usual para muitos pais e familiares.
A este propósito, Paula Valente comenta:
«Já estou habituada, quando digo que é dia de vacinas eles atiram-se para o chão e fazem uma fita. Mas depois passa-lhes.»
Porém, a solução passa por explicar à criança como é importante aquela pequena dor e que vai ter de suportá-la.
«Deve-se explicar o porquê das vacinas, mas sem tentar negociações. A criança tem de entender que não pode fugir à vacinação. Esperneie o que espernear vai ter de ser vacinada», avisa a nossa entrevistada. A vacinação é importante, não por alterar o presente da criança, mas sim por actuar no seu futuro, tornando-a menos vulnerável ao meio exterior.
«A única coisa que a vacina faz é proteger a criança da doença, portanto, não contribui nada para que fique mais gorda, nem afecta o seu crescimento. Agora, se a criança tiver doenças, isso vai ter uma interferência grande no seu desenvolvimento», explica a médica.
Plano Nacional de Vacinação
Um passo muito importante na luta contra as doenças foi a implementação de planos nacionais de vacinação em diversos países.
«Isso contribuiu para que houvesse uma cobertura da população com vacinações em quase todos os casos gratuitas e não só para as crianças que tivessem mais possibilidades económicas», declara a nossa entrevistada.
De facto, em Portugal, o Plano Nacional de Vacinação contribuiu para a queda abrupta do número de casos de algumas doenças, como a poliomielite.
Todavia, se, às vezes, se torna difícil controlar a vacinação das crianças nos grandes centros, nas zonas mais rurais há uma preocupação no que respeita à convocação das crianças caso não compareçam para se vacinarem.
Mas, segundo afirma a médica, «há um esforço activo para que o Plano Nacional de Vacinação seja aplicado».
E isto constata-se, porque as doenças evitáveis pelas vacinas registaram uma quebra notável nos últimos tempos.
Paula Valente é testemunha disso: «Já não vejo uma tosse convulsa há muitos anos. Chegava a ter aqui 40-50 crianças com sarampo, por exemplo. Hoje, dificilmente existem essas grandes epidemias.»
Etapas da vacinação
Na Maternidade – BCG (contra a tuberculose) – Primeira dose contra hepatite B 2 meses – Reforço contra hepatite B – Vacina quádrupla (contra tétano, tosse convulsa, Haemophilus influenza e difteria) – Primeira dose contra poliomielite 4 meses – Reforço da vacina quádrupla (contra tétano, tosse convulsa, Haemophilus influenza e difteria) – Reforço contra a poliomielite 6 meses – Reforço da vacina quádrupla (contra tétano, tosse convulsa, Haemophilus influenza e Difteria) – Reforço contra poliomielite – Reforço contra hepatite B 15 meses – Vacina contra o sarampo, papeira, rubéola 18 meses – Reforço da vacina quádrupla (contra tétano, tosse convulsa, Haemophilus influenza e difteria) 5 anos – Reforço das vacinas contra tétano, tosse convulsa e difteria – Reforço contra poliomielite – Reforço da vacina contra o sarampo, papeira, rubéola 10 anos – Vacinas do tétano e difteria De 10 em 10 anos – Vacinas do tétano e difteria
Vacinação contra a gripe será imperativa?
Ninguém gosta de andar constipado, em especial as crianças. Mas será que a gripe constitui um perigo real para a saúde ou é apenas pior o desconforto que provoca?
Paula Valente responde: «A gripe é uma doença que já matou muitas pessoas. Não nos podemos esquecer que a gripe pneumónica, chamada espanhola, no final da guerra de 1914 matou mais indivíduos do que quatro anos de guerra.»
Porém, a vacinação contra a gripe não devia ser para todos.
A escassez da substância impõe algumas restrições na aplicação.«A capacidade de produção de vacinas para todo o mundo é limitada e, portanto, tendo nós de gerir o stock, parece lógico proteger os grupos que estão mais em risco , como o são os idosos, pessoas com problemas cardíacos, respiratórios ou imunodeficiências», diz Paula Valente, salientando que, «se não houvesse dificuldades em obter a vacina, todos deviam ser vacinados anualmente».
Em relação aos mais pequenos, a médica explica: «As crianças não são, à partida, um grupo de risco. Embora, provavelmente, sejam um grupo importante de transmissão da doença, porque muitas vezes começa pelas crianças que transmitem aos avós. Por isso, devem ser vacinadas se viverem em casa de pessoas consideradas de risco, já que proporcionam o contágio.»
Perante este cenário, uma vez que não há reservas inesgotáveis de vacina da gripe, Paula Valente pede «bom senso e critério» na vacinação.
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