X
    Categories: CriançaInformaçõesUtentes

Oficina Didáctica organiza Jornada » Infância e terapias alternativas

Quando se fala em terapias alternativas, a Medicina Tradicional Chinesa ocupa lugar de destaque. Porém, outras existem. Essas tera­pias são também menos associadas à saúde infantil. Mas, são e muito…

Estimular a imaginação e potencializar o desenvolvimento da criança em harmonia com a natureza. Esta é a filosofia pela qual se rege a Oficina Didáctica.

Não é um local onde se constrói algo, mas sim um local que faz arregalar os olhos de miúdos e graúdos. Isto porque lá se encontram caixas de música, fantoches, bonecas de tecido, casinhas de madeira, castelos, triciclos, instrumentos musicais.

Tudo isto e muito mais concebido em madeira ou em tecido, sendo produtos de design, que não contém tintas tóxicas e que respeitam as normas de segurança actuais. Neste espaço, os mais pequenos podem também encontrar materiais para artes plásticas, motivos decorativos para o quarto e uma livraria.

Contudo, a Oficina Didáctica ultrapassa a função de loja. É igualmente responsável pela organização de acções de formação na área da saúde e educação infantil. Um dos últimos eventos decorreu no Instituto Português da Juventude, no Parque das Nações, em Lisboa. Foi a Jornada Terapias Alternativas na Saúde Infantil, cujas expectativas foram superadas pela positiva.

«Pretendemos dar a conhecer as terapias complementares na área infantil e os respectivos métodos de intervenção, bem como identificar a que casos se aplicam e reflectir sobre as medicinas não convencionais (complementares ou não) da medicina “tradicional”», diz o Dr. Vítor Fernandes, da Oficina Didáctica e fisioterapeuta, referindo-se aos principais objectivos da Jornada Terapias Alternativas na Saúde Infantil.

«Não quisemos fazer nada académico, mas passar uma mensagem com um determinado valor aos profissionais da Saúde e da Educação, aos pais e ao público em geral», acrescenta Vítor Fernandes.

Desta forma, baseada numa metodologia expositiva e com o intuito de fomentar o debate e esclarecer dúvidas, na Jornada vários oradores abordaram diferentes áreas da medicina não convencional, designadamente Medicina Tradicional Chinesa, Homeopatia, Osteopatia, Medicina Antroposófica, Florais de Bach, Yoga para crianças, Sofrologia e Nutrição Macrobiótica.

«Tivemos a preocupação de trazer profissionais credíveis das diferentes vertentes, pois é uma área da saúde que por vezes é conotada de uma forma negativa pelas pessoas. Estes profissionais fundamentaram muito bem a aplicação de cada uma das terapias que apresentaram», menciona Isabel Silva, gerente da Oficina Didáctica, acrescentando:

«Para dar unidade às várias comunicações convidámos dois moderadores, nomeadamente a Dr.ª Sandra Afonso, pediatra do hospitalcuf descobertas, para as intervenções que decorreram durante a manhã e Rogério Motty, shiatsupractor da Clínica Ponto da Saúde, para as da tarde.»

Motivação e sucesso

A Jornada contou com aproximadamente 130 participantes oriundos de várias zonas do País e de diversas actividades profissionais, como da Psicologia, Enfermagem, Biologia, Educação, Fisioterapia, Medicina, e estudantes.

«As nossas expectativas foram superadas. Os participantes estavam muito motivados e interessados nas temáticas», comenta Isabel Silva.

«Também constatamos que são pessoas com uma grande motivação. Muitos vie­ram de longe e o facto de terem prescindido de um sábado para participarem na Jornada significa muito, pois não fugiram de um dia de trabalho. Ou seja, vieram por puro interesse, por valorização pessoal», acrescenta Vítor Fernandes.

Segundo este fisioterapeuta, «hoje em dia, cada vez mais indivíduos, mostram-se mais receptivos a novas ideias, incluindo as terapias não convencionais. Mas, seria importante regulamentar cada actividade, para que se acabe de vez com as conotações negativas, muitas vezes criadas pela existência de profissionais não habilitados a desempenhar as ditas terapias alternativas».

Desde Junho de 2004 a actuar na área infantil, a Oficina Didáctica organiza regularmente workshops nas áreas da saúde e da educação, nomeadamente sobre a pedagogia Waldorf e sobre as perturbações específicas do desenvolvimento da linguagem. E, além da Jornada Terapias Alternativas na Saúde Infantil, já promoveu a Jornada O Brincar, onde se pretendeu conhecer os benefícios do brincar no desenvolvimento da criança.

O sucesso tem marcado as iniciativas levadas a cabo por estes dois profissionais, que contam também com apoio da Dr.ª Andreia Rodrigues, terapeuta da fala e de Virgínia Silva, educadora de infância. Por isso, objectivam realizar outras jornadas.

Aliás, conforme adianta Vítor Fernandes, «além de dois wokshops sobre perturbações específicas do desenvolvimento da linguagem, a realizar nos dias 14 e 28 de Janeiro, temos várias ideias para desenvolver, sempre centradas na crianças e cujos destinatários são aqueles que lidam com elas: profissionais e pais».

De terapia em terapia

Desde a manhã até ao anoitecer do dia 22 de Outubro, diversos especialistas intervie­ram nesta Jornada.

A Medicina Tradicional Chinesa foi a primeira terapia a ser abordada pela Dr.ª Sílvia del Quema. Imensamente divulgada em Portugal pelo Dr. Pedro Choy tem conquistado notoriedade e resulta bastante benéfica quando aplicada em crianças.

De seguida, a Dr.ª Paula Marum, médica, apresentou casos clínicos bem-sucedidos com a aplicação de medicamentos homeo­páticos. A Homeopatia é um método com mais de 200 anos de existência, cuja evidência está mais próxima de clínicos, educadores e pais.

Salientando a importância da história clínica e os factores psíquicos, socioeconómicos e familiares de cada doente, a Dr.ª Catarina Martins, fisioterapeuta e osteopata, debruçou-se sobre a Osteopatia nos períodos pré, per e pós-parto.

Na Medicina Antroposófica, a criança é vista como um ser em formação. A Dr.ª Manuela Tavares explicou que a doença perspectiva novos caminhos que possibilitam a reestruturação do ser.

A Dr.ª Maria Luísa Martins é terapeuta floral e focou a saúde infantil à luz do sistema floral do Dr. Edward Bach. Relativamente aos florais de Bach, existem 38 essências distribuídas por sete grupos com as seguin­tes classificações: medo, incerteza e insegurança, falta de interesse no presente, solidão, excessiva sensibilidade a influências e opiniões, desalento e desespero e excessiva preocupação com os outros. Quando aplicado aos mais novos, é um método muito eficaz.

Após a pausa para almoço, o Dr. Tiago Bastos e a Dr.ª Evelyne Praxl, instrutores de Yoga, cativaram o público com uma demonstração prática com crianças desta actividade. Além disso, abordaram tópicos relacionados com o Yoga, tais como meto­dologia, efeitos e benefícios da sua prática a todos os níveis.

A Sofrologia é uma terapia que objectiva contribuir para o estudo das modificações da consciência humana e para a conquista dos valores existenciais do ser humano. As sofrólogas Dr.ª Hélia Viegas e Dr.ª Ana Viegas mostraram como é que através deste método é possível resolver problemas como falta de concentração, o medo do escuro, os pesadelos ou a enurese nocturna.

Por fim, o consultor alimentar Francisco Varatojo prendeu a audiência ao falar da importância da alimentação na saúde infantil, da nutrição macrobiótica aplicado às crianças e ao abordar alguns problemas relacionados com a dieta alimentar numa altura em que a taxa de obesidade infantil tem aumentado.

Medicina & Saúde

www.jasfarma.pt

admin: