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Nutrir, proteger…e amar

Quem melhor do que a mãe para transmitir os nutrientes necessários ao seu recém-nascido? O leite materno é o alimento mais natural. E, por isso, o melhor para o desenvolvimento do bebé nos primeiros meses de vida.

Amamentar com leite materno é uma decisão pessoal da mulher, nem sempre fácil de concretizar no contexto das sociedades actuais, onde o stress impera, a gestão do tempo se aproxima de uma missão impossível e a tecnologia multiplica os substitutos possíveis para um alimento rico, complexo e inimitável – o fornecido pela mãe.

É que o leite materno contém todas as proteínas, açúcar, gordura, vitaminas e água de que o bebé necessita para crescer, nas quantidades certas. Mas, sobretudo, contém os anticorpos maternos que nenhum leite em pó consegue replicar e que são determinantes na protecção contra doenças e infecções.

Além da componente nutricional, amamentar reforça a afectividade e proximidade mãe-filho, favorece a recuperação pós-parto da mãe, e é prático – não carece de esterilização, está sempre à temperatura ideal, em qualquer momento, em qualquer lugar e sem custo! Por isso, há um consenso mundial dos especialistas em prol da manutenção da amamentação até aos 6 meses de vida.

 

De mãe para filho

Nos primeiros dias de vida, o bebé alimenta-se com colostro, a primeira variedade de leite materno, altamente nutritivo, mais grosso e amarelo que o leite maduro, que surge ainda na primeira semana de vida, com uma aparência mais aguada, rico em anticorpos e de muito fácil digestão. Horários não fazem parte do comportamento do recém-nascido. Quando precisar, pede.

O mesmo se passa com a duração de cada mamada, ainda que não deva exceder os 30 minutos no total, para evitar que os mamilos da mãe fiquem irritados. A posição é fulcral. Sentada, recostada ou deitada, o importante é que haja conforto para a mãe e que permita uma pega correcta da mama para uma eficaz sucção do leite. Sendo um período ímpar, podem surgir problemas que fazem disparar níveis de ansiedade na mãe como o ingurgitamento mamário ou as fissuras nos mamilos.

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Usar um bom soutien que proporcione um suporte eficaz e evite o atrito dos mamilos com a roupa é recomendável, mas pode não ser suficiente. Evitar o ingurgitamento – seios duros e doridos – implica iniciar a amamentação logo após o parto, garantir a melhor posição para amamentar e permitir um horário livre. Quando ocorre, pode tratar-se aplicando compressas quentes ou chuveiro com água morna e massajando a mama com movimentos circulares em relação ao mamilo, o que ajuda à saída do leite.

O bebé deve mamar primeiro a mama mais cheia e se a mama ainda tiver leite após amamentar, deve ser esvaziada manualmente ou com ajuda de bomba extractora de leite, até conforto. A aplicação de compressas frias no intervalo das mamadas serve para aliviar a dor. Também as fissuras dos mamilos podem resultar de desajustamentos da posição e de técnicas incorrectas de sucção. Para as prevenir, é recomendável aplicar algumas gotas de leite materno no mamilo e aréola e/ou cremes cicatrizantes após o banho e cada mamada.

Os mamilos devem ser lavados apenas uma vez por dia, no decorrer da higiene diária. Entre as mamadas devem ser usados discos absorventes que mantenham o mamilo seco mas deixem a pele respirar. Não deve deixar-se que o bebé mame mais de 15 minutos em cada mama.

Caso seja necessário fazê-lo largar o mamilo, deve colocar-se um dedo na boca do bebé de modo a interromper a sucção. Já a acumulação de leite pode ditar o desenvolvimento de mastite, sendo essencial repousar e continuar a amamentar esvaziando sempre cada mama na totalidade. Tal como no ingurgitamento, a aplicação de compressas mornas facilita o esvaziamento da mama afectada e a aplicação de compressas frias no intervalo das mamadas alivia a dor.

É inegável que o leite materno está preparado para fornecer tudo o que bebé precisa. Mas se a mãe não conseguir amamentar com o seu leite ou tiver de interromper precocemente a amamentação, há alternativas adequadas à fase de crescimento e às necessidade de cada bebé.

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Leite materno: tantas vantagens!

Para o bebé

• Prevenção de infecções e alergias (diarreia, infecções respiratórias, meningite, asma) e protecção contra diversas doenças crónicas (obesidade, diabetes mellitus).

• Melhor adaptação à introdução futura de outros alimentos, como papas, sopas e iogurtes.

• Proximidade e afectividade precoce com a mãe, com benefícios no desenvolvimento cognitivo da criança.

• Alívio da dor, pela presença de endorfinas.

 

 

Para a mamã

• Redução célere do volume uterino, ao estimular a produção de oxitocina.

• Redução das hemorragias pós-parto, o que diminui a probabilidade de ocorrer um défice de ferro e a subsequente anemia.

• Prevenção da osteoporose.

• Efeito positivo sobre os níveis de ansiedade, já que a mãe sabe que está a alimentar o seu filho da melhor forma.

• Redução da probabilidade de engravidar, devido a algum efeito de inibição da ovulação (durante os primeiros 6 meses de vida do bebé, desde que a mãe não tenha ainda tido o período e amamente em exclusividade).

FARMÁCIA SAÚDE – ANF

www.anf.pt

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