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Menopausa: Uma nova etapa a meio da vida

A menopausa dá-se quando os ovários deixam de produzir hormonas femininas (estrogénios e progesterona), fenómeno que acontece em média por volta dos 51 anos de idade e que ocorre com a cessação da menstruação.

O momento preciso em que chegou a menopausa é estabelecido por retrospectiva, isto é, após um ano de amenorreia (ausência de menstruação). Deste dia em diante, a mulher encontra-se na pós-menopausa.

No período de tempo que antecede a menopausa, uma fase a que correntemente se chama climatério e que podem surgir irregularidades no ciclo menstrual (intervalo entre os ciclos, duração e fluxo), afrontamentos, suores nocturnos, entre outros sintomas.

Devido a estas irregularidades podem surgir algumas gravidezes indesejadas. Na verdade, a menopausa é um acontecimento natural da vida, não é uma doença ou uma disfunção.

Os sinais e sintomas desta fase diferem de mulher para mulher, quer na intensidade como na sua duração, além da predisposição para problemas de saúde (osteoporose e doença cardiovascular), pelo que é necessário recorrer a tratamentos diferenciados.

Recorde-se que com a melhoria dos cuidados de saúde e com o aumento da esperança média de saúde, é comum a mulher viver cerca de 1/3 da sua vida em pós-menopausa. O fundamental é prever este novo estado a meio da vida e saber como actuar.

Há alterações com a menopausa susceptíveis de trazerem riscos para a saúde da mulher: a diminuição das hormonas femininas (especialmente os estrogénios) pode conduzir a um aumento do risco cardiovascular, uma vez que é comum nesta fase surgir hipertensão arterial e aumento dos níveis de colesterol, e a osteoporose, como resultado de uma diminuição da fixação do cálcio aos ossos. O médico deve ter um papel determinante na detecção precoce destas alterações, aconselhando a mulher a adoptar mudanças no estilo de vida e na instituição de terapêutica adequada.

Com a redução da produção de estrogénios e progesterona pelos ovários, podem aparecer sintomas como afrontamentos, suores nocturnos, noites mal dormidas, dores de cabeça, palpitações, secura vaginal, irritabilidade, depressão, alterações na vida sexual.

Estima-se que cerca de 80 por cento das mulheres vão sentir alguns destes sintomas, que poderão durar meses ou até anos. Paralelamente, algumas mulheres podem perder a auto-estima, ou até sentir pânico com o envelhecimento, ao passo que outras se sentem mais libertas. O importante é que a mulher disponha de aconselhamento e encontre resposta para as suas dúvidas e uma explicação para o fenómeno que está na base de todas estas mudanças.

Por exemplo, quando vê diferenças quando se olha ao espelho, como a pele esmaecida e o cabelo oleoso, o seu médico ou o seu farmacêutico dar-lhe-ão uma explicação cabal: há uma redução ou cessação na produção de hormonas femininas, concomitantemente o seu corpo passou a produzir pequenas quantidades de hormonas masculinas (androgénios), que vai conduzir ao excesso de androgénios em circulação, e daí surgir o cabelo oleoso, diminuição da espessura do cabelo, e até o aparecimento de pêlos em zonas indesejáveis. Ora, as alterações hormonais têm tratamento adequado.

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O que é a THS?

A terapêutica hormonal de substituição (THS) é obrigatoriamente prescrita pelo médico e consiste na administração de medicamentos que repõem no organismo as hormonas que os seus ovários deixaram de produzir, total ou parcialmente: estrogénios e progesterona. Estes medicamentos são especialmente eficazes no alívio dos sintomas como os afrontamentos ou a instabilidade emocional, melhorando a qualidade de vida da mulher. Tal terapêutica está limitada no tempo, existindo diferentes modos de administração sempre controlados pelo médico.

No passado, a THS era recomendada para praticamente todas as mulheres, não só para alívio sintomático da menopausa, mas também para prevenção da osteoporose e das doenças cardiovasculares. Porém, no início deste século, alguns estudos envolvidos por muita celeuma revelaram existir uma relação entre a THS e o risco de cancro da mama, doença coronária arterial, trombose e cancro do ovário, pelo que se introduziram vários filtros e cautelas na sua prescrição.

Há vários tipos de terapêutica hormonal. Começando pelos contraceptivos orais, podem ser prescritos contraceptivos combinados (orais ou noutras apresentações) por representarem uma alternativa segura para mulheres saudáveis não fumadoras, estando os seus benefícios comprovados para a regulação da hemorragia uterina, a manutenção da densidade óssea e a redução do risco de tumor do ovário.

Os contraceptivos com progestagénios podem ser uma alternativa para a contracepção em mulheres para as quais os estrogénios estão contra-indicados, caso de mulheres fumadoras, com hipertensão arterial ou diabetes. A THS revela-se como alternativa eficaz no tratamento dos sintomas vasomotores, na prevenção e tratamento da osteoporose e nos problemas urogenitais. Instâncias como a Agência Europeia do Medicamento recomendam que a THS deve ser feita apenas no tratamento de sintomas da menopausa, devendo ser utilizada a dose eficaz mínima no menor período de tempo possível.

Temos situações em que a THS está contra-indicada (caso do cancro da mama, doença tromboembólica arterial, doença empática…), e outras em que deve ser administrada com precaução (caso de diabetes, insuficiência cardíaca ou renal, hipertensão…), competindo ao profissional de saúde estar atento às potenciais reacções adversas e dialogar com a sua doente acerca das interacções.

A Sociedade Portuguesa de Menopausa, que tem procurado reposicionar a THS fora das discussões acaloradas e do tratamento mediático sensacionalista, recomenda o tipo de exames a efectuar antes de se iniciar a THS (papanicolau, mamografia, ecografia ginecológica, perfil lipídico, densitometria), e recorda as suas contra-indicações e quais as situações em que a THS está a ser erradamente contra-indicada.

A conversa com o profissional de saúde levará a compreender o grau dos benefícios do tratamento hormonal: diminuição dos afrontamentos, suores nocturnos, alterações de humor, insónias, secura vaginal, risco de osteoporose e fracturas, dificuldade de concentração, fadiga e falta de energia.

 

E a farmácia?

A intervenção das farmácias deve fazer sentido essencialmente na importância das mulheres consultarem regularmente o médico, com intuito de fazerem os devidos exames para controlo e despiste de outras situações.

Ao nível da THS, a intervenção da farmácia pode e deve-se fazer sentir em contextos como: caso a mesma não esteja ainda instituída, esclarecer de que se trata e sensibilizar para a importância de ser acompanhada pelo seu médico (da especialidade ou mesmo médico de família); o esclarecimento de questões sobre esta mesma terapêutica, colocadas pelas utentes; incentivar a adesão à terapêutica; desmistificar eventuais dúvidas ou receios; recomendar a consulta regular do médico de forma a acompanhar a mesma.

As mulheres têm tudo a ganhar com o aconselhamento farmacêutico, complementando na farmácia as informações recebidas no médico.

FARMÁCIA SAÚDE – ANF

www.anf.pt

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