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Menopausa e Andropausa » Fases da vida para encarar com naturalidade

A menopausa marca o fim do período fértil da mulher e talvez por isso se associe normalmente ao início da velhice, mas a Dr.ª Marília Paizinho, responsável pela consulta de menopausa no Hospital Nossa Senhora do Rosário, sublinha que «é um acontecimento biológico, natural na vida de todas as mulheres e, apenas, uma parte do processo normal de envelhecimento».

Susceptível de preocupação é, isso sim, o facto de a mulher hoje – com o aumento da esperança de vida – viver mais de um terço dela na pós-menopausa e isso constituir um aumento de risco para a osteoporose e consequentes fracturas ósseas, assim como para as doenças cardiovasculares porque o organismo deixa de ter os níveis de estrogénio que dão a protecção óssea e cardiovascular necessária.

Da sua experiência na consulta, Marília Paizinho afirma que ainda há casos de mulheres que chegam apreensivas, sem saber muito bem como lidar com esta nova etapa. «O que nós tentamos fazer é esclarecer a mulher e ajudá-la no máximo que pudermos», diz a especialista, continuando:

«Em contrapartida, há outras que já vêem bem informadas, mesmo através dos meios de comunicação, o que faz com que tenham uma maior abertura em relação às terapêuticas existentes e àquilo que lhes podemos oferecer para uma melhor qualidade de vida. O que se pretende é evitar que o prolongamento dos anos de vida se torne num fardo.»

A menopausa define-se como a data da última menstruação em consequência da falência ovárica definitiva e ocorre, habitualmente, entre os 45 e os 55 anos, sendo o diagnóstico clínico feito retrospectivamente após um ano de ausência de menstruação. Se ocorrer antes dos 40 anos é considerada menopausa precoce.

À pergunta sobre se existe relação entre a idade da primeira menstruação – que tem o nome de menarca – e a idade da menopausa, Marília Paizinho responde que não. De acordo com a ginecologista, «os estudos existentes confirmam que a idade da menopausa é estabelecida geneticamente, isto é, o uso de contraceptivos orais, o número de gravidezes, a idade da menarca, a nutrição e o estado socioeconómico não parecem afectar a idade em que a menopausa ocorre».

O mais significativo factor externo que influencia a idade da menopausa é o tabaco. «A menopausa tende a ocorrer um a dois anos mais cedo nas fumadoras em relação às não fumadoras», refere a especialista.

A responsável pela consulta de menopausa do Hospital Nossa Senhora do Rosário realça ainda que, muitas vezes, o termo menopausa é utilizado indevidamente como sinónimo de climatério. «Este último é o período de vida da mulher em que ocorre um declínio progressivo da função ovárica e que compreende três fases: a pré-menopausa, a perimenopausa e a pós-menopausa».

Nem todas as mulheres têm sintomas

A sintomatologia que surge na pós-menopausa está associada ao esgotamento funcional dos ovários e é devida fundamentalmente à carência de estrogénios que são por eles secretados.

«Factores de ordem social e cultural, assim como patologias concomitantes podem condicionar a intensidade e percepção desta sintomatologia, que nem todas as mulheres a têm», afirma Marília Paizinho.

Como sintomas mais precoces há a considerar a síndrome vasomotora com os afrontamentos e os suores nocturnos, as perturbações psicológicas como a fadiga, ansiedade, irritabilidade, alterações no humor, depressão, insónias e perda da libido.

«Também as perturbações geniturinárias como a secura, ardor e prurido vulvovaginal, dispareunia, incontinência urinária, urgência miccional e infecções urinárias são frequentes, assim como as modificações cutâneas e das mucosas extragenitais, como pele seca», menciona a ginecologista.

No futuro, um número ainda crescente de mulheres atingirá naturalmente este estádio, sofrendo assim as consequências precoces e tardias da sua situação fisiológica. É por este motivo que a melhoria da qualidade de vida com tratamento da sintomatologia precoce e prevenção das patologias a longo prazo – osteoporose com aumento de fracturas ósseas e doenças cardiovasculares – em idade pós-menopausa assumem uma extrema importância.

Marília Paizinho diz que «a mulher deve consultar o seu médico, ser observada e fazer os exames complementares de diagnóstico considerados necessários para depois ser informada e esclarecida sobre a relação risco-benefício da medicação ao seu dispor, nomeadamente a terapêutica hormonal de substituição (THS), envolvendo-a na decisão».

Por exemplo, as doentes com hemorragia genital não esclarecida ou tumores hormonodependentes não devem fazer terapêutica hormonal de substituição.

E o que é a THS? É o tratamento hormonal para substituir as hormonas que o ovário já não secreta na menopausa.
Por fim, deverá ser feita a prescrição terapêutica de forma individualizada.

«É importante aqui alertar para a correcção de hábitos alimentares, promovendo a ingestão de cálcio, controlo de peso, redução de stress, abstinência do tabaco e limitação de ingestão de álcool e cafeína», frisa a médica.

Para a ginecologista, «o combate ao sedentarismo e a promoção de exercícios, como marcha pelo menos durante 30 minutos devem estar na primeira linha das recomendações».

Tudo isto, em conjunto, pode prevenir o aparecimento desses problemas a curto e longo prazo que afectam, mais tarde ou mais cedo, a grande maioria das mulheres.

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