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Incontinência urinária » A perda desagradável que chega com a idade

Motivo de embaraço social, a incontinência urinária afecta mais de meio milhão de portugueses, entre mulheres, homens e crianças. Há certas situações que são responsáveis pelo aparecimento desta patologia, sendo a idade um factor desfavorável… Incontinência urinária é o termo médico que define a perda involuntária de urina. De acordo com o Dr. Carlos Santos, urologista, «a perda de urina pode ser classificada em vários tipos: incontinência urinária por hiperactividade do detrusor (bexiga hiperactiva), incontinência urinária ao esforço e a perda causada pela hiperdistensão vesical, também designada por incontinência de transbordamento».

Todos os tipos de incontinência aumentam com a idade, em particular as de esforço e de transbordamento.

«É importante não esquecer que com o envelhecimento surge também um maior número de patologias que condicionam a incontinência. A doença de Parkinson é uma causa importante, assim como a doença de Alzheimer e outras demências, sobretudo os acidentes vasculares cere­brais», salienta o urologista.

Todavia, apesar de afectar particularmente os idosos, são as mulheres as mais atingidas, em especial pela incontinência de esforço, que ocorre quando se riem, tossem, espirram ou praticam exercício físico.

«Basicamente, existem dois tipos de incontinência ao esforço. A anatómica, que é causada pelo mau posicionamento da uretra e do colo vesical; e a incontinência por deficiência do esfíncter, em que existe uma incapacidade de o controlar», diz Carlos Santos, indicando que «25% das mulheres perdem a urina involuntariamente no período reprodutivo, aumentando para 42% no período da pós-menopausa, devido às alterações hormonais».

Convém salientar que a diferença ana­tómica entre os homens e as mulheres explica a existência de um maior número de casos de incontinência urinária na população feminina. Os esfíncteres são diferentes e a uretra da mulher é mais pequena (4 cm) que a do homem (18 cm).

«Embora seja raro, os homens são afectados pela incontinência urinária por bexiga hiperactiva, por traumatismos e por obstrução. Além disso, os tratamentos (cirúrgicos e farmacológicos) para o cancro da próstata podem condicionar a incontinência urinária em 6 a 20% dos homens», menciona o médico.

Opções terapêuticas

Dependendo do tipo de incontinência, da causa e da idade, após o diagnóstico – conseguido com exames clínicos –, procede-se ao tratamento com fármacos ou com cirurgia.

«Nas mulheres, entre vários fármacos e numa etapa inicial, são usados cremes à base de estrogénios», diz Carlos Santos. «Aplicam-se na vagina duas vezes por semana por um período de três meses, findo o qual é feita uma reavaliação da doente.»

A fisioterapia do pavimento pélvico é outro método usado. Trata-se de exercícios para fortalecer a musculatura pélvica, que suporta os órgãos genitais e urinários.

Ainda no âmbito dos tratamentos clínicos, podem ser utilizados dispositivos mecânicos, quer intravaginais quer intra–ure­­trais. Os primeiros impedem a hipermobilidade da uretra com os esforços e os intra-uretrais têm como objectivo ocluir o orifício uretral.

«Os resultados dos tratamentos clínicos são, muitas vezes, transitórios e falíveis, oscilando entre 15 a 70% no que respeita ao sucesso», avança o urologista, salien­tando a existência de outra opção mais definitiva para a incontinência urinária de esforço: a cirurgia.

Há várias técnicas cirúrgicas e todas têm o duplo objectivo de colocar a uretra e o colo vesical em posição original e de criar um mecanismo de aumento da resistência uretral.

«As últimas técnicas permitem a simplificação e uma maior ampliação de indicações», comenta Carlos Santos, especificando uma das mais recentes técnicas cirúrgicas:

«Indicada unicamente para a incontinência de esforço, a faixa suburetral, também designada por sling, pode ser efectuada em regime de ambulatório, com anestesia local. Trata-se de uma cirurgia comparticipada, que pode ser feita em qualquer idade e cujo sucesso ronda os 82 a 99%.»

No que diz respeito à técnica, o urolo­gista explica o procedimento: «Faz-se uma pequena incisão na parede vaginal e coloca-se uma fita de material sintético, que vai provocar a sustentação da uretra. É, portanto, um método pouco invasivo e muito rápido».

Esta cirurgia não é aplicada quando a incontinência urinária é provocada por demências (regra geral, o tipo associado é a bexiga hiperactiva), sendo usadas tera­pêuticas farmacológicas ou pensos apropriados.

De facto, urge resolver o problema, sobretudo nos idosos, com as técnicas mais indicadas a cada situação, pois, como conclui Carlos Santos, «a incontinência urinária está ligada a uma série de outros factores negativos, quer sociais, quer de higiene, porque predispõe às inflamações da pele, às úlceras, à infecção urinária, para além do isolamento e da depressão».

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