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Nove meses de bem-estar

Diz a sabedoria popular que gravidez não é doença e com toda a razão: mas é preciso zelar para que os nove meses de gestação sejam nove meses de saúde e bem-estar.

A gravidez é um período de grandes transformações no corpo da mulher. E se algumas dessas mudanças são mais específicas de um ou de outro trimestre, é verdade que podem acontecer em qualquer altura ao longo dos nove meses. Nem todas as mulheres vivem esta fase da vida da mesma maneira, mas é importante que estejam preparadas para as alterações mais características, que as saibam reconhecer e, sobretudo, que saibam como atenuar os eventuais incómodos e viver a gravidez com saúde e bem-estar.

 

Náuseas & Cia

Uma das primeiras alterações são as náuseas e os vómitos. São, aliás, muitas vezes, um dos primeiros sinais que faz a mulher suspeitar que poderá estar grávida. São típicos do primeiro trimestre e, embora não se conheça exactamente o que os causa, podem ficar a dever-se a flutuações nas concentrações das hormonas envolvidas no processo de gestação. Outra explicação aponta para o facto de serem desencadeados por uma baixa dos valores de açúcar no sangue (hipoglicemia), daí que sejam mais frequentes de manhã.

Para minimizar o desconforto, ao acordar e antes de se levantar, a grávida deve comer alimentos pouco calóricos mas saciantes e fáceis de digerir, como tostas, frutas ou cereais. Deve igualmente evitar períodos de jejum prolongados, comendo preferencialmente de duas em duas horas. Outra alteração muito visível é o aumento de tamanho dos seios. Mais uma vez estão envolvidas as hormonas e, além de ficarem maiores, os seios tornam-se mais firmes e tensos, preparando-se assim para a amamentação. O conforto é então fundamental: a grávida deve usar um sutiã adequado, sem armações, e que ofereça uma boa sustentação do peito, de modo a prevenir o aparecimento de flacidez e estrias.

E as estrias são precisamente uma das consequências naturais da gravidez: constituem uma reacção da pele ao facto de ter de alojar um organismo em crescimento. Daí que, além dos seios, as marcas do estiramento rápido e excessivo da pele se concentrem na região abdominal, nas coxas, ancas, nádegas e também na parte lateral do abdómen. O primeiro gesto deve ser de prevenção: aplicando regularmente e logo desde o início da gravidez um creme hidratante específico para a prevenção das estrias na grávida.

Não é só a textura da pele que muda: também a pigmentação denuncia a existência de uma gravidez. Os mamilos ficam mais escuros e no rosto podem surgir manchas acastanhadas – é o chamado cloasma ou pano gravídico. No abdómen, pode tornar-se mais visível a línea negra, uma linha de tonalidade escura que o atravessa na vertical. Mais uma vez, a prevenção é essencial: no rosto deve ser aplicado diariamente um creme hidratante com protecção solar elevada.

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O peso das hormonas

No segundo trimestre de gestação são de outra natureza as alterações no corpo feminino. Devem-se essencialmente ao aumento da produção hormonal.

É o que explica, por exemplo, a maior vontade de urinar: a bexiga fica mais relaxada em consequência da maior concentração de progesterona. A responsabilidade é também dos rins, cujo funcionamento é estimulado pelo aumento da circulação sanguínea. Não há muito a fazer para contrariar este incómodo, a não ser evitar reter a urina para não abrir a porta a uma infecção.

Pelo contrário, é comum nestes meses que a grávida sofra de prisão de ventre, o que tanto se pode dever às alterações hormonais, que provocam o relaxamento dos músculos intestinais e atrasam os movimentos que permitem esvaziar o cólon, como a existência de fissuras anais ou de hemorróidas, que diminuem a vontade de evacuar como forma de evitar a dor. A obstipação pode ainda ser devida à toma de ferro, um suplemento por vezes necessário na gravidez. Para um melhor funcionamento dos intestinos é importante aumentar a ingestão de água e adoptar alguns cuidados na alimentação: evitar os alimentos que causem flatulência, como as couves e os brócolos, e preferir os que aliviam a prisão de ventre, como as ameixas e o abacaxi.

 

Uma questão de volume

Chegado o terceiro trimestre e à medida que a gravidez entra na recta final, o corpo ressente-se do aumento do volume e do peso. O que explica a ocorrência de dores nas costas, sobretudo na região lombar: para as prevenir é útil fazer exercícios de alongamento e evitar sobrecarregá-las. Uma postura correcta também ajuda, assim como calçado confortável.

As pernas também se ressentem. E as varizes são disso um sinal. São causadas não só pelo aumento do peso, mas também pelo aumento do sangue em circulação. O alívio consegue-se elevando as pernas sempre que possível e, se necessário, calçando meias de compressão, além de evitar estar muito tempo de pé, sentada ou de pernas cruzadas. Pelas mesmas razões, são frequentes as cãibras, que beneficiam de exercícios de alongamento e da ingestão de alimentos ricos em magnésio, como feijão e frutos secos.

Ainda devido às alterações hormonais e ao maior volume de sangue em circulação, pode haver tendência para a retenção de líquidos, um problema que se atenua elevando as pernas acima do nível do coração, e praticando actividade física regular adequada, desde que não haja contra-indicação por parte do médico, como por exemplo jogging e natação.

Devido à pressão sobre o estômago, são comuns as queixas de azia: é que essa pressão faz com que o conteúdo ácido do estômago suba para o esófago.

Comer em pequenas porções, várias vezes ao dia e evitar alimentos condimentados e com muita gordura são gestos que podem aliviar este desconforto.

Estes são problemas comuns na gravidez. Mas que, com a adopção de algumas medidas simples, é possível atenuar e até contrariar. E esperar com conforto e bem-estar a chegada do bebé.

FARMÁCIA SAÚDE – ANF

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