Muitos dos casos de infertilidade originada em factores masculinos podem ser corrigidos através do recurso às técnicas de reprodução medicamente assistida.
Uma situação de infertilidade acontece quando um casal mantém relações sexuais contínuas (3-5 vezes por semana) durante, pelo menos, um ano consecutivo sem usar nenhum método contraceptivo e não se propicia uma gravidez.
A infertilidade afecta entre 15 a 20 por cento dos casais e pode ter origem em factores associados ao homem, à mulher ou a ambos. Mas é fundamental distinguir a infertilidade da esterilidade. Enquanto a esterilidade traduz uma impossibilidade – ou seja, devido a um problema físico, o homem ou a mulher não são capazes de conceber – a infertilidade envolve dificuldades, mas há a possibilidade de gerar um novo ser humano.
A verdade é que a reprodução humana é um processo complexo. A concepção envolve vários fenómenos desde a ovulação até à fertilização.
A fertilização corresponde à fecundação do óvulo por um espermatozóide, por isso, da parte do homem há vários factores que podem influenciar o êxito da reprodução. Antes de mais, terão de existir espermatozóides em quantidade suficiente; depois, é necessário que tenham a forma, dimensão e orientação adequadas; finalmente, o sémen terá de ser em quantidade que permita transportar os espermatozóides até ao óvulo.
Num homem adulto, o esperma é produzido em contínuo pelos testículos, ficando armazenado até à fase prévia à ejaculação. Nessa etapa, é transportado até ao canal ejaculatório, onde se junta a um líquido produzido pelas vesículas seminais, o que dá origem ao sémen. Durante a ejaculação, o sémen desloca-se pela uretra até ao exterior, o que, para que uma gravidez seja possível, tem de corresponder à vagina.
É nesta sequência que podem surgir dificuldades, seja na produção de esperma, na mobilidade dos espermatozóides e respectiva capacidade para fertilizar o óvulo. Afinal, estas são as três principais causas da infertilidade masculina. Claro que o estado geral de saúde, o estilo de vida ou a exposição a certos factores ambientais podem também gerar problemas de infertilidade.
Esperma, sémen e testículos
A ausência total de espermatozóides, que corresponde a uma azoospermia, é uma situação rara, mas possível, estando associada a uma afecção grave dos testículos, com bloqueio ou ausência de vasos deferentes.
Outro problema poderá ser uma insuficiente produção de espermatozoides, aquém de 10 milhões de espermatozóides por mililitro de sémen, ou seja, metade do nível considerado normal. Em contraste, há uma fertilidade acrescida quando o nível de concentração supera os 40 milhões de espermatozóides por mililitro de sémen.
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Um terceiro tipo de dificuldades envolve a forma e a estrutura dos espermatozóides, em que existem alterações que podem impedir a correcta movimentação e orientação no sentido do óvulo, fracassando a fertilização.
Outra das causas de infertilidade masculina poderá ser a ejaculação retrógrada, ou seja, durante o orgasmo, o sémen desloca-se para a bexiga em vez de avançar para o pénis. Trata-se de uma situação mais frequente nos homens que foram sujeitos a uma intervenção cirúrgica à próstata. A ausência de ejaculação, que pode acontecer em homens com lesões ou doenças ao nível de espinal-medula, é naturalmente outra das causas de infertilidade.
O mau funcionamento dos testículos também pode também perturbar a fertilidade. Por exemplo, a criptorquidia, uma situação congénita muito frequente, que ocorre quando um ou ambos os testículos não descem do abdómen para o escroto durante o desenvolvimento fetal, pode provocar uma menor produção de esperma, dado que o testículo recolhido está submetido a uma temperatura mais elevada do que a do escroto, afectando por isso a qualidade e vitalidade dos espermatozoides produzidos.
Entre os factores mais abrangentes, temos o estado de saúde e o estilo de vida.
Doenças como as da tiróide, a diabetes, a sida e a insuficiência cardíaca e renal têm sido correlacionadas com uma menor fertilidade, tal como o stresse, a alimentação deficiente em vitaminas e minerais, a obesidade, o consumo de álcool e o tabagismo. Por outro lado, a partir dos 35 anos, a fertilidade tende a decrescer, o que não significa que não se possa ser pai nessa fase.
Compromisso partilhado
Quando um casal quer ter filhos e o tempo passa sem que as boas novas surjam, o médico é a ajuda que pode confirmar os problemas de infertilidade ou se poderá haver outra causa para a dificuldade em conceber um filho.
Antes de mais, é avaliada a condição física, para identificar eventuais doenças que tem ou já teve, medicamentos que toma habitualmente e quais os hábitos sexuais. Depois, é feita uma análise ao sémen, que visa aferir da quantidade e qualidade dos espermatozóides. Permite ainda detectar eventuais infecções ou a presença de sangue. Uma análise ao sangue pode também ser necessária, com o objectivo de medir os níveis de testosterona, a principal hormona masculina.
Muitos dos casos de infertilidade masculina são passíveis de correcção, com o tratamento a depender da causa, duração e da idade dos parceiros. Hoje, os casais inférteis podem recorrer a um conjunto de técnicas modernas que permitem recuperar a fertilidade ou, quando isso não é possível, avançar para a reprodução medicamente assistida.
O processo pode ser longo e muitas vezes repleto de ansiedade, mas, acima de tudo, o importante para ser bem-sucedido é o compromisso entre ambos os parceiros, qualquer que seja a causa da infertilidade.
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