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Férias: Tranquilidade ameaçada

As pequenas urgências de Verão ensombram as férias. Na maioria das vezes são apenas sustos sem qualquer gravidade, mas para as quais convém estar preparado, aprendendo alguns truques para os evitar.

Aqui deixamos alguns conselhos para enfrentar as pequenas emergências que ameaçam a tranquilidade do Verão: das queimaduras no churrasco às picadas de insectos, já sem falar nos escaldões.

É no Verão que os mais pequenos dão largas à sua energia, conquistando com as férias o direito a algumas aventuras extra: subir às árvores, palmilhar de lés-a-lés a imensidão da areia…

Férias significam mais tempo ao ar livre, no jardim ou na praia, mas podem significar também alguns acidentes de percurso: desde logo o enjoo na viagem, mas também a picada de um insecto mais atrevido, um arranhão na perna, o nariz a sangrar, uma micose nos pés.

Férias sem um pequeno acidente nem são férias que se prezem. Pelo menos para as crianças, que até gostam de ficar com uma cicatriz para mostrar aos amiguinhos, no regresso ao infantário ou à escola. Convém, no entanto, que os pais estejam atentos, para que estas pequenas emergências estivais não se transformem em verdadeiras urgências.

Pai, pára o carro!

Para muitas crianças, as viagens são um verdadeiro suplício. Não porque não gostem da ideia de partir de férias, ou porque não apreciem a condução do pai ou da mãe. Mas porque passam mal por mais pequeno que seja o trajecto.

E tudo devido ao labirinto, um minúsculo componente do ouvido interno extremamente sensível às variações de velocidade, sobretudo às acelerações. Quando isso acontece – e acontece sobretudo a crianças sensíveis e emotivas – o primeiro sinal é um incómodo geral, seguido de dores de cabeça, de suores frios, vertigens, náuseas e vómitos.

Quanto basta para estragar a viagem. Na maior parte das vezes, não são ministrados medicamentos devido à pouca idade destes passageiros adoentados. Mas há um truque que costuma resultar: fazer com que as crianças não se distraiam com a paisagem à volta, olhando para o horizonte à sua frente. Convém também que a temperatura no interior não seja demasiado elevada e que não se fume no veículo.

Picadas de insectos

Com o calor, os insectos andam por toda a parte. Ao ar livre, sobretudo. Muitas vezes despertam a curiosidade dos mais pequenos, mas a verdade é que “atacam” de surpresa, não poupando braços nem pernas. As melgas, então, são uma verdadeira praga estival, mas as abelhas também fazem das suas.

Quando picam, estes insectos libertam uma substância irritante, uma espécie de baba que deixa uma mancha rosa ou avermelhada na pele. Quando se trata de abelhas, deixam ficar também a arma do crime, isto é, o ferrão, que é preciso retirar delicadamente.

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À picada segue-se uma pequena sensação dolorosa, após o que se dá uma erupção na pele. Em geral, com a aplicação de um creme anti-histamínico, o incómodo passa ao fim de pouco tempo. Mas podem manifestar-se reacções mais exuberantes, com vermelhidão e inchaço, havendo igualmente a possibilidade de uma reacção alérgica, que pode ser mais grave, com complicações que podem passar por dificuldades respiratórias. Neste caso, há que consultar um médico com urgência.

Ataques aos pés descalços

É verdade: as micoses também vão à praia, escondendo-se entre os grãos de areia para “atacar” os pequenos pés desnudos. Vão também à piscina, “nadando” na água dos lava-pés ou sobrevivendo na partilha de chinelos de plástico.

O sintoma mais frequente é o pé de atleta, pequenas bolhas inflamadas e pele descamada entre os dedos, sobretudo entre o quarto e o quinto. Não tratado, pode estender-se rapidamente aos outros dedos e ao outro pé, devido ao elevado potencial de contágio.

O que há a fazer quando se detecta uma alteração na pele entre os dedos é aplicar um anti-fúngico, lavando com um sabonete adequado e depois protegendo com pomada. Secar bem os intervalos entre cada dedo é um conselho útil, quer quando a micose já se declarou quer para preveni-la. E na piscina, sobretudo, convém evitar andar descalço nas zonas comuns e evitar partilhar calçado.

Cuidado com o lume

Ao ar livre, nada melhor do que um churrasco, mas este prazer pode ser um risco, sobretudo se houver crianças por perto. É que os mais pequenos correm a torto e direito, podendo tropeçar no churrasco e queimar-se. Por outro lado, o carvão pode libertar fagulhas que facilmente atingem quem anda por perto. As mãos e o rosto são as principais vítimas destas queimaduras.

E, neste caso, deve recorrer-se a um serviço de urgência.
Quando isso acontece, o primeiro gesto é arrefecer a pele, passando a zona queimada por água a 15ºC, a uma distância de 15 cm e durante um quarto de hora. Assim, evita-se um aumento de temperatura e que a queimadura se aprofunde.

Muitas pessoas passam manteiga sobre a queimadura, mas este é um gesto errado, que deve ser abandonado, pois apenas contribui para empolar a pele, exactamente o contrário do que se pretende.

Quedas e trambolhões

Com o clima quente, sobra tempo para as crianças explorarem as mil e uma brincadeiras que só o ar livre proporciona. E com essas brincadeiras, vêm as quedas. São inevitáveis, porque eles correm, saltam, trepam, rastejam, escorregam…

Uma pequena queda é suficiente para fazer saltar algumas gotas de sangue por entre a pele arranhada, mas quase sempre a esfoladela é ligeira e o sangramento pára ao fim de alguns segundos. O que há a fazer é limpar bem a ferida, lavando e depois desinfectando com um anti-séptico isento de álcool.

Se o sangramento persistir, o melhor será comprimir a pele com compressas estéreis e proteger com um penso,de modo a facilitar a cicatrização.

Convém também verificar a validade da vacina anti-tétano, para não correr riscos desnecessários.

Uma queda também pode originar sangramento nasal: o que há a fazer é comprimir a narina, colocar um pequeno rolo de algodão e inclinar a cabeça para a frente, nunca para trás. Ao fim de poucos segundos, o nariz deixa de sangrar.

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