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Envelhecer com saúde: Vigiar a saúde

Mesmo gozando de uma saúde de ferro, todos deveríamos fazer exames periódicos de saúde, a melhor forma de identificar factores de risco, despistar patologias ou tratá-las precocemente.

Depois dos 50 anos o controlo dos factores de risco é a melhor maneira de envelhecer com qualidade. Não importa se é homem ou mulher, novo ou de idade avançada – não há diferenças quando se trata de promover a saúde, ainda que o conteúdo e a periodicidade desses exames variem consoante as características de cada indivíduo. E quando se diz que não há diferenças é no sentido de que a todos cabe vigiar a sua própria saúde.

Porém, na chamada terceira idade, e em nome da qualidade de vida, a vigilância deve ser mais apertada. É certo que a regularidade dos exames depende do estado de saúde do indivíduo, mesmo quando já entrou na sexta década de vida, mas, partindo do pressuposto de que não existem doenças crónicas que impliquem um acompanhamento específico, o recomendado é um exame anual.

Mas afinal para que devemos fazer esses exames? Neles, o médico avalia os factores de risco e as doenças existentes, mas nesta faixa etária dá-se maior atenção a problemas específicos relacionados com o envelhecimento – diminuição das capacidades sensoriais, alterações cognitivas, estado nutricional e eventuais consequências da toma simultânea de vários medicamentos.

 

O que podemos prevenir

Fazer o rastreio das doenças associadas ao envelhecimento não é o mesmo que fazer exames de rotina indiscriminadamente. Mas há, de facto, doenças em que comprovadamente o rastreio é eficaz, entre elas o cancro da mama, a hipertensão arterial, o colesterol elevado. E há outras em que as opiniões divergem, mas que são frequentes, como o rastreio do cancro do cólon. Imprescindível é avaliar as capacidades visual e auditiva, porquanto têm uma relação directa com a idade, diminuindo à medida que os anos passam.

Um dos problemas mais frequentes é, de facto, a perda de audição. Com a particularidade de muitas pessoas negarem a sua existência, até porque não causa dor nem é visível.

Porém, a partir dos 50 anos pode acontecer. E se tiver que se esforçar para ouvir uma normal conversa ou se precisar elevar o som da televisão ao ponto de terceiros se queixarem de que está demasiado alto – estes são sinais de que a sua capacidade auditiva se está a deteriorar.

Com a visão ocorre um processo semelhante, se bem que haja patologias do olho inerentes à idade. O glaucoma é um dos mais comuns, a ele andando associada a diabetes, igualmente frequente entre os mais idosos. Dificuldade em ver ou mesmo perda de visão podem ser as consequências, mas é possível tratar o glaucoma, com recurso a medicamentos ou a cirurgia.

É também fundamental controlar a pressão arterial. Factor de risco para ataques cardíacos, insuficiência renal e acidente vascular-cerebral, a hipertensão é uma ameaça séria para a saúde. Sabendo-se que a pressão arterial sofre uma subida progressiva com a idade, o melhor é controlar os níveis, medindo regularmente a tensão e, se necessário, recorrendo a medicação específica.

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E aqui é fundamental, não falhar qualquer toma, sob pena de haver uma regressão que pode ser perigosa. Níveis a controlar são também os do colesterol, igualmente um factor de risco das doenças cardiovasculares.

Esta relação está bem comprovada. A obesidade é também factor de risco. Perder peso, uma alimentação equilibrada e exercício físico é a “receita” para baixar os níveis de colesterol.

A par com todos estes factores de risco, os exames periódicos de saúde permitem vigiar a diabetes, sobretudo a do tipo 2, mais associada à idade. O que se trata é de controlar os níveis de açúcar no sangue, na medida em que o excesso tem implicações a nível cardio-vascular.

Finalmente, o cancro. Este é naturalmente um problema de saúde mais prevalecente na terceira idade. À medida que se envelhece aumentam as probabilidades de se desenvolver um tumor, sendo nas mulheres mais preocupante o da mama e nos homens o da próstata. Mas também o do cólon e o do pulmão, ambos associados ao estilo de vida, ainda que destes não se faça o rastreio sistemático.

No que toca as mulheres, em particular acima dos 50 anos, a mamografia constitui um meio de diagnóstico bastante eficaz, o que aconselha a sua realização periódica. É claro que antecedentes familiares – a mãe ou uma irmã com a doença – devem suscitar uma atenção reforçada, importando comunicar a sua existência ao médico.

Já nos homens, o mais frequente depois dos 50 é o cancro da próstata, cujo despiste se faz através do chamado toque rectal e de um teste sanguíneo que visa detectar um antigénio específico. O histórico familiar é igualmente decisivo para aferir o risco. Também em relação ao cancro do cólon o envelhecimento aumenta as probabilidades, tanto para homens como para as mulheres. Daí que o rastreio seja aconselhado a partir dos 50, consistindo numa análise de fezes (para pesquisa de sangue oculto) e numa endoscopia ao intestino.

O consumo de tabaco e álcool ao longo da vida é uma séria ameaça à saúde oral, pelo que a boca e os dentes devem também ser visados nestes exames periódicos. Visitas regulares ao dentista são ainda aconselháveis, apesar de a maioria dos centros de saúde não dispor deste tipo de consultas e de muitos idosos não poderem suportar os valores dos consultórios privados. Lavar os dentes após cada refeição, usar uma escova com cerdas macias ou médias, cortar com o tabaco e os doces podem ajudar a prevenir as patologias dos dentes e das gengivas.

Daqui se infere que nas consultas regulares deve haver abertura para abordar todos os aspectos que possam interferir na saúde do idoso. Sem esquecer a adaptação à idade da reforma, mas também a solidão por via, por exemplo, da morte do cônjuge, ou a sexualidade, ainda remetida para o mundo dos tabus.

 

No médico: o que perguntar?

Tudo pode ser perguntado ao médico, porque todos os factores podem interferir no estado de saúde. Há, porém, algumas questões concretas que podem ser levantadas:

• Com que frequência ir ao dentista?

• Com que frequência examinar os olhos?

• Quais são os valores da pressão arterial normais para a minha idade?

• Quantas vezes devo medir a tensão?

• Qual é o nível de colesterol normal para a minha idade?

• Com que frequência devo medir o colesterol?

• Qual é o peso ideal para mim?

• Que tipo de alimentos e em que quantidades devo ingerir?

• Com que frequência devo fazer uma mamografia? Ou um teste para despiste do cancro do cólon? Ou da próstata?

• Que vacinas devo tomar?

FARMÁCIA SAÚDE – ANF

www.anf.pt

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