Os problemas com a erecção podem ter várias causas. Mas são, sobretudo, um sinal de que algo vai mal no organismo. De que o homem é fumador, hipertenso, diabético ou obeso. Ou de que existe uma doença na próstata. Saiba mais sobre a origem da disfunção eréctil e como preveni-la ou combatê-la.
«Incapacidade total ou parcial em atingir uma erecção peniana que permita obter satisfação sexual». É esta a definição de disfunção eréctil, um problema que aflige mais de 400 mil portugueses. Quem o diz é o Prof. Nuno Monteiro Pereira, urologista e presidente da Sociedade Portuguesa de Andrologia.
A grande mensagem que o especialista deixa aos homens afectados é a de que «não estão sozinhos».
«Este é um problema frequente e o homem que dele padece não se deve sentir único. Afinal, acima dos 40 anos, 25% dos homens têm problemas de erecção», concretiza.
Apesar destes números, «apenas 10% dos doentes com disfunção eréctil procuram ajuda especializada», uma estatística que se mantém mesmo nos países socialmente mais avançados, como os do Norte da Europa.
«Isto leva a crer que grande parte dos doentes, maioritariamente homens mais velhos, se acomodam ao seu problema, mesmo quando se sentem infelizes com a dificuldade que sentem em atingir erecções satisfatórias», frisa Nuno Monteiro Pereira, assegurando que não há motivos para não tratar da própria saúde:
«Hoje em dia, em Portugal, estão disponíveis todos os tratamentos indicados para as várias causas e para os vários graus de disfunção eréctil. São muito poucos os casos que não têm qualquer solução.»
Desde terapia psicológica, medicamentos orais, injecções intrapenianas ou cirurgias, tudo existe.
Contudo, acusa Nuno Monteiro Pereira, «o Serviço Nacional de Saúde não tem suficiente capacidade de resposta, não existindo senão algumas unidades especializadas em Andrologia ou Medicina Sexual. Além do mais, o preço dos medicamentos, em geral, não comparticipados pelo Estado, ficam pouco acessíveis para alguns homens idosos».
Nuno Monteiro Pereira continua, avisando que «o Estado não compreende as graves consequências emocionais, sociais e profissionais que a disfunção eréctil pode desencadear».
Mas tão ou mais importantes que os fármacos no tratamento e prevenção do problema são os estilos de vida: manter uma alimentação saudável, praticar exercício e, muito importante, não fumar, são regras de ouro para evitar ou retardar o aparecimento da disfunção eréctil.
«Um indivíduo que fuma um ou dois maços por dia e que começou a fumar aos 15 anos corre o risco altamente provável de, por volta dos 50 ou 55 anos, começar a ter problemas de potência sexual..
O que os maços de tabaco dizem é verdade: o fumo provoca alterações vasculares, nomeadamente, ao nível das artérias do pénis, que podem ficar completamente entupidas», garante Nuno Monteiro Pereira.
A disfunção eréctil tem várias causas: desde as vasculares (relacionadas com problemas nas artérias ou veias do pénis), até neurológicas, endócrinas e psicológicas. O gatilho destas últimas (raramente isoladas) é, muitas vezes, um factor físico, como doenças do pénis ou da próstata.
35 a 45% dos diabéticos afectados
A disfunção eréctil no diabético pode ter várias origens. As principais são a vascular e a neurógenea. No primeiro caso, a diabetes altera a estrutura dos pequenos vasos, diminuindo o fluxo de sangue para o interior do pénis. Os níveis de açúcar e de lípidos acima do normal provocam um risco aumentado de acumulação nas paredes dos vasos, que acabam por ver afectada a sua elasticidade.
Consequentemente, os vasos vão perdendo igualmente a capacidade de transportar o sangue de forma adequada aos órgãos-alvo, neste caso os corpos cavernosos do pénis. Porque recebem menos sangue e com menor pressão, estes vão originar erecções progressivamente mais fracas e, finalmente, inexistentes.
No que toca à neuropatia periférica, a diabetes pode alterar progressivamente todos os estímulos neurológicos dirigidos às extremidades, levando frequentemente a alterações da função ejaculatória, muitas vezes com ejaculação retardada ou anejaculação (ausência de ejaculação).
Existem dois tipos de doentes diabéticos: os de tipo I, os insulinodependentes, mais jovens, e os de tipo II, que desenvolvem a doença numa fase já avançada da vida.
Para detectar a patologia numa fase inicial, «quando se faz o diagnóstico da diabetes tipo II deve fazer-se logo o despiste de eventuais disfunções sexuais em homens mais velhos. A incidência da doença na população diabética masculina é elevada: ao fim de 10 anos, cerca de 50% dos diabéticos, tanto de tipo I como II, têm queixas de disfunção eréctil», refere o Dr. Manuel Ferreira Coelho, urologista da Associação Protectora dos Diabéticos de Portugal (APDP).
Uma vez instalada, a disfunção eréctil pode ser combatida com recurso aos inibidores da fosfodiesterase tipo 5.
«Tomados precocemente, atrasam o aparecimento da disfunção eréctil e tratam-na com elevada eficácia em homens que já têm sintomas», explica Manuel Ferreira Coelho, adiantando que «o grande problema em relação a estes fármacos é o seu elevado custo, somado ao facto de não terem comparticipação estatal».
O urologista menciona também que, «de entre todos os fármacos desta família, é o vardenafil o que provoca erecções mais rijas em doentes diabéticos, mas existindo particularidades dos outros medicamentos que os tornam igualmente úteis, devendo, portanto, o tratamento ser individualizado».
Mas o melhor a fazer é mesmo controlar bem a diabetes, ou seja, controlar os níveis de glicemia e evitar os factores de risco.
Manuel Ferreira Coelho refere, ainda, que «há medicamentos indicados para tratar doenças coexistentes com a diabetes que devem ser evitados em homens mais velhos, uma vez que, por si só, são responsáveis pelo aparecimento da disfunção sexual». São exemplos os beta-bloqueantes e os diuréticos-tiasídicos.
Problemas da próstata podem afectar erecção
Há três aspectos a ter em conta quando se procura a relação de causalidade entre doença prostática e disfunção sexual: a doença em si – hipertrofia benigna da próstata (HBP), prostatite e cancro da próstata –, os efeitos dos tratamentos para cada patologia e as repercussões psicológicas e psicossomáticas deste tipo de doenças.
Por si só, a hipertrofia benigna da próstata não provoca disfunção sexual. Contudo, devido a mecanismos psicológicos, os problemas podem aparecer.
«A pessoa enfrenta problemas com a sua próstata e tem dificuldade miccional, pelo que o embaraço e o incómodo que podem causar potencia o aparecimento da disfunção sexual, embora de origem psicológica e não orgânica», assegura o Dr. Manuel Mendes Silva, chefe de serviço de Urologia do Hospital Militar Principal e presidente da Associação Portuguesa de Urologia (APU).
Ou seja, a doença em si não provoca este tipo de danos, embora os tratamentos para a HBP possam, de alguma forma, provocar disfunções sexuais. Por exemplo, há os medicamentos que diminuem a libido, assim como fazem baixar os níveis de ejaculação e erecção. Também a cirurgia usada para corrigir a HBP pode provocar ejaculação retrógrada ou disfunção eréctil com causa psicológica ou raramente orgânica.
No caso da prostatite, esta pode ser uma infecção aguda ou crónica ou uma inflamação crónica da próstata.
«Nas situações agudas, embora possa ocorrer disfunção eréctil, a recuperação é fácil. Mas os casos crónicos podem levar à disfunção sexual e eréctil, sobretudo pelo mal-estar que provocam», reforça Manuel Mendes Silva.
Já no que toca ao cancro da próstata, podem gerar-se quadros clínicos mais complexos. A disfunção eréctil pode também surgir motivada pelo facto de o doente não se sentir bem com o seu problema de saúde, mas, por outro lado, existem formas de combater o carcinoma, que resultam em disfunção eréctil. É o caso da cirurgia radical da próstata que, por lesão dos nervos da erecção, faz com que se mantenha o desejo e o orgasmo, mas não a erecção e a ejaculação (esta fica sempre afectada porque são retiradas as vesículas seminais e toda a próstata).
A radioterapia e a braquiterapia, outros métodos usados contra o cancro, podem, também por lesão dos nervos da erecção, resultar em disfunção eréctil.
Em relação aos tratamentos hormonais do cancro da próstata, «a maioria deles provoca disfunção sexual, com menor libido, e também disfunção eréctil», adianta o especialista.
Gordura a mais e stress
interferem com função sexual
«As doenças metabólicas têm um profundo impacto sobre as artérias. A disfunção eréctil pode ser um primeiro sinal da presença de uma dislipidemia, diabetes ou obesidade», refere o Dr. A. Santinho Martins, endocrinologista e presidente da Sociedade Portuguesa de Sexologia Clínica.
«A obesidade, porque se caracteriza por um aumento dos ácidos gordos no organismo, conduz à síndrome plurimetabólica. Isto significa que o aumento dos lípidos pode conduzir ao hiperinsulinismo e à diabetes, podendo ser potenciado igualmente um aumento da tensão arterial», adianta o especialista.
São fáceis de imaginar as dificuldades mecânicas por que passa um indivíduo obeso durante os seus relacionamentos sexuais. Além do mais, «num quadro de obesidade os níveis de testosterona estão mais baixos, o que vai interferir com o desejo e a erecção», refere Santinho Martins.
Depois há outro aspecto: «Numa sociedade de sucesso as pessoas têm de ter sucesso em tudo. Pelo que uma grande pressão é feita em torno da prestação sexual, sendo o ênfase colocado no orgasmo como corolário da relação sexual.»
O stress transforma-se, desta forma, em mais um factor que pode desencadear problemas de erecção.
«Tem claramente repercussões orgânicas. Tal como a obesidade, o stress faz baixar os níveis de testosterona, diminuindo a resposta aos mecanismos neurológicos e vasculares responsáveis pela erecção», adianta Santinho Martins.
A agitação do quotidiano laboral, o desemprego ou a eminência de ser despedido são, portanto, problemas que se podem repercutir em disfunção eréctil.
«Cada vez vamos ter mais disfunção eréctil porque cada vez também há mais casos de diabetes, obesidade e stress. E, actualmente, já cerca de 60% dos portugueses têm excesso de peso ou são obesos», remata Santinho Martins.
Causas da disfunção eréctil
• Problemas vasculares (resultantes da hipertensão, tabagismo, aterosclerose, colesterol elevado);
• Doenças endócrinas (diminuição da testosterona, diabetes, obesidade);
• Cirurgias à próstata ou ao cólon;
• Acidentes (traumatismos da bacia, coluna e medula espinal);
• Doenças neurológicas (esclerose múltipla, por exemplo);
• Insuficiência renal;
• Alcoolismo e toxicodependência;
• Origem psicológica (stress, depressão, medo, frustração, cansaço, ansiedade de execução);
• Doenças psiquiátricas;
• Determinados medicamentos.
Quando o problema chega aos 18 anos…
«É uma situação muito rara, mas terrível», diz o Dr. Nuno Monteiro Pereira, referindo-se à disfunção eréctil em adolescentes e jovens adultos.
«Há sempre poderosíssimos factores psicológicos associados, sendo por isso obrigatório o acompanhamento psicológico. São fases cruciais da vida, em que muito da sexualidade individual fica definida. Um problema físico no pénis, ou no funcionamento do pénis, pode induzir um comportamento tímido e inseguro, porque o rapaz tem medo de falar com raparigas, foge delas e fica cada vez mais obcecado com o seu problema», sustenta o urologista.
Um dos possíveis cenários, com consequências dramáticas na fase inicial da vida sexual, é a denominada insuficiência veno-oclusiva.
Ora, segundo o médico, «a exemplo de uma banheira que precisa de ter o ralo tapado para que a água não se escoe, no pénis acontece um processo semelhante. Na insuficiência veno-oclusiva, o mecanismo de encerramento das veias, que serve para manter o sangue no interior do pénis, está danificado».
O sangue não é retido e a erecção não acontece. «Este pode ser um exemplo em que não é fácil o tratamento. Por vezes, apenas a cirurgia pode resolver o problema. Felizmente, são situações muito raras», informa Nuno Monteiro Pereira, acrescentando:
«Muitas vezes os jovens têm dificuldade em pedir ajuda, ou porque desconhecem onde se dirigir, ou porque não têm dinheiro para procurar um especialista. E os hospitais do Estado não dão resposta.»
Como acontece a erecção?
É um fenómeno complexo. Consiste na sucessão de acontecimentos, que permitem a passagem do estado de flacidez à rigidez completa do pénis. Os estímulos sexuais (visuais, tácteis, olfactivos, auditivos), actuando ao nível do cérebro ou do pénis, vão originar impulsos nervosos, libertação de hormonas e de mediadores químicos que vão contribuir para o aumento do fluxo de sangue ao nível do pénis.
Este é constituído por dois corpos cavernosos e por um corpo esponjoso, no interior do qual está a uretra, por onde sai a urina e o esperma.
Boas relações sexuais
três vezes mais prováveis
Os resultados do estudo PROVEN mostram que, após 12 semanas, os homens com disfunção eréctil a tomar vardenafil tiveram três vezes maior probabilidade de completar uma relação sexual com sucesso do que com placebo (46,1% contra 16,1% respectivamente).
Esta investigação (PROVEN – Patient Response with Vardenafil in Sildenafil Non-Responders) foi apresentada em Outubro último, no âmbito do 5th Annual Fall Research Meeting of the Sexual Medicine Society of North America (SMSNA) em Denver (EUA).
É o primeiro estudo clínico a testar o vardenafil em homens com disfunção eréctil que eram não-respondentes por história ao sildenafil. Um total de 463 homens com disfunção eréctil moderada a severa tomaram vardenafil ou placebo durante 4 semanas.
Quando comparado com a linha base, os homens apresentaram quatro vezes mais probabilidades de completar a relação sexual com sucesso com vardenafil (46,1% / 10,1%).
Os estudos demonstram que vardenafil é eficaz durante a primeira vez que muitos homens o tomam e fornece confiança melhorada (91%) na qualidade da erecção para muitos homens com disfunção eréctil.
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