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Dar vida aos anos

É este o grande desafio das sociedades ocidentais: acrescentar vida aos anos depois de terem sido somados anos à vida. Vive-se mais, mas a longevidade também tem de ser sinal de saúde e bem-estar. Afinal, a idade não é uma doença…Uma máxima para lembrar a cada 1 de Outubro, Dia Internacional do Idoso.

Que as sociedades ocidentais estão a envelhecer não é novidade. Todos os dias se ouvem notícias sobre a dificuldade de renovação das gerações, por um lado devido ao crescente número de pessoas idosas e, por outro, devido à reduzida taxa de nascimentos.

As famílias têm menos filhos, multiplicando-se os exemplos do filho único, nascido do adiamento da maternidade em nome da carreira ou justificado pela crise económica que faz recear o futuro. E há, indiscutivelmente, mais pessoas acima dos 65 anos, a idade a partir do qual se é considerado idoso. Vive-se mais, primeiro porque o avanço tecnológico libertou o homem de muitas tarefas que outrora lhe custavam a vida e depois porque a ciência se tem revelado imparável na descoberta de novas formas de mitigar a doença. Novas cirurgias e novos medicamentos prolongam a esperança de vida.

É claro que o aumento da população idosa também é sinónimo de mais doença: o processo natural de envelhecimento debilita o organismo, aumentando a probabilidade de uma ou mais patologias. Ainda assim idade não é sinónimo de doença. E a meta hoje é já não é tanto prolongar a vida, mas acrescentar-lhe saúde e bem-estar.

O envelhecimento saudável é, pois, o grande desafio. E está nas mãos de cada um: com as limitações naturais, algumas físicas outras relacionadas com o contexto social e económico, é possível promover a saúde e qualidade de vida.

Mantendo o corpo em forma, através de uma alimentação adequada e do estímulo físico, e zelando pela agilidade mental e intelectual. É a velha máxima de mente sã em corpo são…

 

Alimentar a saúde

É um facto que, com a idade, o corpo muda. Fica mais frágil, menos resistente, mas também fica menos exigente em matéria de necessidades nutricionais. Gasta menos energia, pelo que precisa de menos calorias.

Além disso, a idade é muitas vezes acompanhada da perda de apetite. Porque os alimentos já não sabem tão bem – o paladar vai-se deteriorando – ou porque já não se retira o mesmo prazer das refeições quando não há companhia à mesa. Mas, comer menos não pode significar comer pior. Uma alimentação saudável continua a ser necessária, é até fundamental para contrariar a debilidade do organismo.

É certo que factores que a prejudicam, nomeadamente a má dentição ou ausência de dentes e até o uso de próteses – dificultam a mastigação e a consequente ingestão dos alimentos, fazendo perder a vontade de comer. É possível, contudo, contornar este obstáculo, preferindo produtos macios como o peixe, os ovos e os lacticínios.

E optando por purés ou papas. Cozinhar bem os alimentos, cortá-los em pedaços pequenos, esmagá-los ou picá-los também ajuda. Sem perda de sabor e, sobretudo, do benefício nutricional.

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São desaconselhadas as refeições pesadas, devendo ser distribuídas em várias doses diárias. Uma delas deve ser quente, mas as restantes podem ser mais leves. E incluir sempre fruta e vegetais frescos, pois as vitaminas e os sais minerais fazem falta. Além de que convém manter horários para comer, sem que haja grandes intervalos entre as refeições.

Além do apetite, os idosos perdem muitas vezes a sensação de sede. E não bebem líquidos, o que os deixa em risco de desidratação. Dois litros por dia, de preferência água. Além de repor o que se perde com a transpiração, a respiração e a urina, a água ajuda a diluir as substâncias químicas que se concentram no sangue devido à toma de medicamentos. Uma e outra vez, o chá pode substituir a água e se for de fibras tem a vantagem de combater a prisão de ventre.

São muitos os idosos que se alimentam mal, comendo o que calha, quando calha. Sobretudo quando se vêem sozinhos na viuvez. Quem com eles convive deve estar atento a esta desistência, pois uma perda de apetite persistente pode ser sinal de depressão.

 

Corpo em forma

Para acrescentar vida aos anos o exercício físico é igualmente valioso. É certo que o envelhecimento torna os movimentos e os reflexos mais lentos e o andar menos seguro, afectando a mobilidade e a flexibilidade.

Mas ser idoso não obriga a passar o dia em casa, de olhos postos na televisão ou a cabecear no sofá. Já não se tem o vigor e a energia física de outrora, mas se ainda não se está incapacitado é possível – e desejável – exercitar músculos e articulações.

Com o exercício físico ganha o organismo no seu todo – a força muscular aumenta, a coordenação motora melhora, o coração fortalece-se, a respiração fica mais fácil, os ossos menos vulneráveis e o peso dentro dos limites saudáveis. Além de que se espairece a mente.

Tudo sem ter necessidade de grande esforço. Não é sequer preciso ir ao ginásio: basta caminhar ao ar livre, 30 a 45 minutos por dia de preferência longe do trânsito. Terrenos macios são os mais adequados, a enfrentar com calçado e roupa confortáveis.

E, sempre que possível, com companhia – enquanto se conversa até se prolonga o passeio… Caminhar permite usar as pernas, as coxas, os músculos das costas e os abdominais. Desenvolve a tonicidade e a massa muscular, melhora a circulação e o equilíbrio. Ajuda a aliviar o stress e o estado de tensão. Estimula uma atitude mental mais confiante.

Tão benéfico como caminhar é nadar. Mesmo quem não sabe nadar pode praticar hidroginástica. Na água, o corpo adquire uma leveza ímpar, todos os movimentos são facilitados, agilizam-se articulações e melhora-se o ritmo respiratório.

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Ajuda a manter a forma e a relaxar. O importante é a motivação, por isso o exercício escolhido deve revelar-se interessante. E adequado à condição física e ao estado de saúde do idoso, pelo que se recomenda moderação. Além de um estímulo físico, constitui um estímulo mental – ajuda a contrariar os efeitos do tempo no organismo e a combater o isolamento e a solidão. Contribui, pois, para o equilíbrio da pessoa como um todo.

 

E mente ágil

Tão importante como a saúde do corpo é a da mente. O contacto com as outras pessoas é essencial em todas as fases da vida, mas ainda mais relevante à medida que se envelhece. Nessa altura da vida, a companhia é preciosa, sobretudo quando é muito provável que se viva na viuvez.

E perdido o companheiro de uma vida fica-se certamente mais só do que nunca e a tentação de se refugiar nessa solidão pode ser grande. Ir ao encontro de quem já se conhece ou travar novas amizades é a alternativa: com essas pessoas podem partilhar-se as memórias e experiências, podem aprender-se coisas novas, descobrir interesses nunca sonhados.

Há que estimular a mente: ler, jogar às cartas, fazer puzzles, costurar, experimentar novas receitas de cozinha, dedicar-se à jardinagem – vale tudo para vencer o tédio.

E há sempre o voluntariado – ajudar os outros permite redescobrir um novo sentido para a vida. O que é importante é manter-se activo e autónomo, física e intelectualmente.

 

Mandamentos para saúde e o bem-estar

O envelhecimento é um caminho em que damos os primeiros passos mal nascemos. Contra isso nada podemos fazer, mas nas nossas mãos está envelhecer com qualidade, o que passa por:

• Fazer uma alimentação equilibrada – Com mais frutas, vegetais e cereais e menos gorduras, menos sal e menos açúcar, além de líquidos em abundância;

• Proteger os ossos da osteoporose – Com o cálcio fornecido pelos alimentos (lacticínios e peixe, entre outros) e com exercício físico, para fortalecer músculos, articulações e ossos;

• Prevenir o risco de quedas – Organizando a casa à prova de acidentes (sem tapetes e fios soltos e outros objectos no meio do caminho, com barras de apoio e luzes de presença, por exemplo), usando calçado anti-derrapante e, se necessário, apoios à marcha (bengala);

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• Treinar a memória – Falando com outras pessoas, lendo e fazendo exercícios como palavras cruzadas, evocando acontecimentos do passado;

• Evitar o isolamento – Mantendo bom relacionamento com familiares e amigos, saindo de casa, envolvendo-se na comunidade;

• Prevenir a doença – Indo ao médico regularmente, fazendo os exames de rotina recomendados;

• Construir a autonomia – Fazendo planos, organizando o dia-a-dia, ocupando os tempos livres.

 

Pelo envelhecimento saudável

Promover o envelhecimento saudável é a razão de ser da ANEPES, como o próprio nome indica – a Associação Nacional dos Enfermeiros Promotores do Envelhecimento Saudável foi criada em 2008 tendo como objectivo a reflexão e informação sobre os cuidados de enfermagem geriátricos e gerontológicos, tendo em vista responder às exigências do envelhecimento populacional.

Mais em particular, propõe-se apoiar a pessoa e a família no processo de envelhecimento, desenvolver competências do cuidador informal e partilhar conhecimentos e experiências com outros grupos profissionais e instituições de cuidados e formação nestes domínios.

Para a prossecução dos seus objectivos, a ANEPES juntou-se recentemente à Plataforma Saúde em Diálogo, uma entidade de entreajuda e solidariedade que reúne organizações de doentes, consumidores e promotores de saúde, criada sob a égide da Associação Nacional das Farmácias.

 

São os seguintes os contactos da ANEPES:

Morada – Rua Volta das Calçadas de Cima, 99, r/c frente, 3040-275 Coimbra
Tel: 96 1681734
E-mail: anepes@sapo.pt  

FARMÁCIA SAÚDE – ANF

www.anf.pt

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