Quando se trata da exposição solar, sobretudo no caso das crianças, há que jogar pelo seguro e aplicar todas as regras de protecção.
As férias estão aí e as crianças – das mais pequenas às maiores – querem é estar ao ar livre. Seja no quintal de casa, no jardim, na piscina ou na praia, o Verão convida a actividades e brincadeiras no exterior, o que implica uma maior exposição ao sol. É natural, mas sabendo-se que os raios solares podem ser especialmente nocivos para a pele das crianças, o melhor é adoptar todos os cuidados para que essa exposição aconteça de uma forma saudável.
É sabido também que a exposição solar tem benefícios, dado que o sol estimula a produção de vitamina D, essencial para a absorção do cálcio e, em consequência, para a formação de ossos fortes e saudáveis.
São benefícios que se obtêm na fase de crescimento e com um mínimo de exposição. Só que a maioria de nós excede esse limite, expondo a pele aos raios solares muito mais do que o necessário e assim ficando vulnerável aos seus muitos efeitos nocivos – das queimaduras solares ao envelhecimento precoce, das lesões oculares ao enfraquecimento do sistema imunitário e ao cancro cutâneo.
Antes dos 18 anos, muitos de nós já alcançámos a quase totalidade da exposição solar considerada saudável, o que torna imprescindível jogar pelo seguro quando se expõe as crianças ao sol. Todas as crianças estão em potencial risco, mas há algumas que possuem características que as tornam mais frágeis: são as que têm pele e cabelos claros, as que têm muitos sinais cutâneos e/ou “sardas” e as que possuem antecedentes familiares de cancro cutâneo, sobretudo melanoma.
E, tal como as crianças são diferentes perante o sol, também a concentração de raios ultravioleta difere em função da altura do ano, da latitude e da altitude.
Significa isto que a intensidade dos raios é maior no Verão, nas regiões mais próximas do equador e nas mais altas. Quanto maior a altitude, menos densa é a camada da atmosfera que filtra os raios, permitindo assim que mais radiação atinja a superfície terrestre e os corpos.
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Em segurança
O risco existe, é certo, mas é possível minimizá-lo e desfrutar do sol em segurança. No que toca às crianças, o primeiro dos cuidados é evitar a exposição nas horas em que a radiação é mais intensa, o que, no nosso país – e porque estamos no hemisfério norte – corresponde ao período entre as 11 e as 17 horas.
O ideal seria que nessa altura as crianças não estivessem no exterior, mas há idades em que é difícil mantê-las dentro de casa, pelo que há que promover as brincadeiras à sombra. E mesmo naqueles dias em que o sol está mais encoberto: parecem seguros, mas não são, porque a radiação está sempre presente.
E reflecte-se na água, na areia e até no cimento, atingindo a pele. São dias em que, tal como nos mais ensolarados, há que insistir na protecção. Desde logo vestindo as crianças adequadamente, isto é, com roupa que não deixe passar os raios solares, o que significa que devem ser de cor escura, ou no caso de se optar por cores claras, que são mais frescas, deve ter uma malha apertada.
E como saber se a malha é apertada?
Coloque a mão no interior da peça e verifique: se não conseguir vê-la através do tecido é adequada.
Imprescindível é o chapéu: o modelo escolhido deve projectar sombra sobre a face, o pescoço e as orelhas, o que significa que deve ser de abas. Os mais crescidos, sobretudo os rapazes, preferem os bonés com pala à frente, mas estes deixam o pescoço e as orelhas desprotegidos. Há então que reforçar estas áreas com protector solar.
A proteger são também os olhos, especialmente sensíveis nas crianças. A exposição à radiação pode afectar a córnea (a membrana transparente que cobre o olho), daí que seja importante o uso de óculos de sol, cujas lentes devem oferecer protecção ultravioleta (UV). Convencer os mais pequenos a usá-los é cada vez mais fácil pois as marcas já oferecem modelos coloridos, resistentes e divertidos adequados a estas idades. Depois, há que insistir no seu uso…
Finalmente, o protector solar: sempre com factor de protecção elevado (superior a 30) e com protecção contra a radiação ultravioleta A e B. Há que aplicá-lo com generosidade nas áreas expostas e nas não expostas (mesmo por baixo do fato de banho) e renová-lo com regularidade, de duas em duas horas e sempre depois do banho ou quando a criança transpira, não esquecendo as zonas mais sensíveis como orelhas e nariz, mas também a parte de cima dos pés.
Há ainda que aplicá-lo mesmo que seja apenas para brincar no quintal ou no jardim – onde há sol deve haver protector!
FARMÁCIA SAÚDE – ANF
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