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Candidíase Vaginal: Porquê eu?

Pelo menos três em cada quatro mulheres terão ao menos uma infecção vaginal durante os seus anos férteis. É uma das razões mais comuns para as mulheres visitarem o médico.

Candida albicans é um fungo que está presente na maioria dos seres humanos e não significa um real problema, enquanto esses organismos não comecem a crescer acima das quantidades consideradas normais, provocando uma infecção, a qual prefere em especial as mulheres.

Designada como candidíase ou monilíase vaginal, a infecção por Cândida albicans ou Monília é uma micose, a qual deve ser tratada com antimicóticos.

Os sintomas da infecção vaginal podem incluir comichão, corrimento e uma sensação dolorosa ou de ardor ao urinar ou durante o acto sexual. Os sinais parecem óbvios, mas só o seu médico pode diagnosticar o problema com precisão e recomendar o tratamento apropriado, uma vez que muitas outras situações provocam o mesmo tipo de sintomas.

Apesar de poder ser transmitida sexualmente, não é uma doença de transmissão exclusivamente sexual, dado que este fungo existe naturalmente na vagina e acontece mesmo sem actividade sexual. Bastante propensas a este tipo de infecção estão as grávidas e as mulheres na fase antes do período menstrual estão também mais sujeitas a contrair a doença.

Na verdade é uma doença muito comum nas mulheres e em geral é uma doença primária, ou seja, surge devido a algum desequilíbrio da flora vaginal normal da própria paciente e não por transmissão sexual, embora isto possa ocorrer.

 

Conheça o seu o corpo

As glândulas na mucosa vaginal produzem pequenas quantidades de muco fino para manter a vagina húmida. Uma secreção transparente e inodora que varia em quantidade e consistência através do seu ciclo menstrual é normal e não deve ser causa para preocupação, serve até para ajudar a limpar a vagina.

No caso de uma vagina saudável, existe um equilíbrio de vários “componentes” básicos que trabalham juntos, incluindo bactérias, leveduras, hormonas e secreções naturais.

As bactérias residentes na flora vaginal têm como função manter o “pH” vaginal num nível normal. O nível de “pH” é uma medida da acidez ou alcalinidade de líquidos. Numa escala de pH, que vai de 1 a 14, um ph de 7 é considerado neutro, números menores significam mais acidez e números maiores significam mais alcalinidade.

As secreções da vagina geralmente têm um nível de pH de 3,8 a 4,2, o que significa que a vagina tem maior acidez. Sob certas condições, o nível de pH pode aumentar e tornar-se menos ácido do que o normal. As infecções vaginais tendem a proliferar quando existem níveis menos ácidos que o normal na vagina.

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Fungos

As leveduras são fungos, um dos muitos tipos comuns. A levedura responsável pela maioria das infecções vaginais é a Candida, que também pode ser encontrada na boca, pele e em grandes quantidades no trato gastrointestinal.

Existem muitos tipos diferentes de Candida, mas a Cândida albicans é a forma mais comum de levedura encontrada como parte da flora vaginal. É frequente que muitas mulheres tenham Candida albicans no organismo sem desenvolver sintomas de uma infecção. Na verdade, a flora vaginal pode mudar diariamente sem causar sintomas.

Entretanto, qualquer coisa que aumente o pH vaginal ou afecte o seu equilíbrio normal cria um ambiente mais propício para a proliferação excessiva de leveduras, provocando a infecção.

 

Infecções recorrentes

O sintoma mais frequente na presença de uma infecção vaginal é uma comichão que pode variar de leve a intensa. Em regra, esta comichão pode piorar à noite e é frequentemente aumentada pelo calor. A comichão pode ser acompanhada por sensação dolorosa e de ardor ao urinar ou durante o acto sexual.

Um corrimento anormal da vagina é outro dos sintomas mais comuns. A secreção é, normalmente, diferente em textura e consistência daquela a que está acostumada. Às vezes, a aparência e a textura é um pouco mais densa/ consistente, parecida com nata de leite (tipo coalho), enquanto outras vezes pode assemelhar-se a um líquido aguado branco ou cinzento.

A secreção vaginal causada por infecção por levedura geralmente é inodora. Uma vez infectada, muitas mulheres terão outras infecções devidas a Candida albicans durante um período de doze meses. São infecções conhecidas como “recorrentes” – quatro ou mais – e podem ser causadas por um de muitos factores.

Mesmo depois de curada, é possível a infecção reactivar-se. Os tratamentos não evitam infecções futuras. Eles só tratam a infecção actual, pelo que o tratamento deverá ser repetido em caso de recaídas.

No entanto, podemos tentar evitar alguns factores, tais como suspender o uso de duches vaginais, sprays de higiene íntima, certos antibióticos ou contraceptivos orais de alta dose de estrogénios e usar roupas mais soltas e ventiladas, o que pode ajudar a prevenir infecções recorrentes.

Deve ter em atenção que algumas infecções recorrentes podem ser um sinal de uma condição subjacente mais séria, tal como diabetes, que enfraquece o sistema imunológico e pode aumentar a susceptibilidade do organismo a estas infecções.

Por essa razão, se sofrer de infecções recorrentes, não facilite e não se auto-medique, pois o seu médico poderá querer examiná-la. Nesse esse exame, o médico poderá incluir a recolha de uma amostra de corrimento para despistar um tipo diferente de infecção vaginal e para descartar outras doenças. É muito importante que informe o seu médico se tiver mais de uma infecção num período curto de tempo ou se os sintomas persistirem.

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Prevenção e diagnóstico

Alguns remédios caseiros ou preparações vendidas no balcão, que não são antifúngicos, podem aliviar os sintomas temporariamente, mas, na realidade, eles não curam a infecção. Estudos recentes referem, embora haja alguma controvérsia, que comer iogurte natural com lactobacilos, não processado e sem adoçantes, pode ajudar as bactérias normais a manter equilibrado o pH vaginal.

Será aconselhável que espere até que a sua infecção esteja curada antes de reiniciar a sua actividade sexual. O mais certo é que o acto sexual possa irritar o tecido vaginal já inflamado e dorido. De igual forma, não deve usar absorventes internos se estiver a fazer tratamento com um creme ou supositório vaginal, pois o tampão pode absorver o medicamento.

Quatro a seis semanas depois de iniciar o tratamento, terá melhoras visíveis, o que acontece em cerca de 75 por cento ou mais dos casos. Muitas vezes nem será necessário tanto tempo até o tratamento surtir efeito. Os outros 25 por cento dos casos poderão necessitar de um tratamento mais prolongado.

O tratamento para combater a candidíase é feito à base de antimicóticos mas deve-se tentar tratar as causas da candidíase para evitar as recidivas. Há quem recomende que uma dieta especial, preparada em conjunto com o médico ou nutricionista, ajuda a recuperar a saúde e a reconstruir o sistema imunológico.

O tratamento é geralmente sistémico, de curta duração ou dose única, e também é feito com cremes locais à base de antifúngicos, em geral de 3 a 7 dias. Em casos mais resistentes, o tratamento poderá ser mais prolongado e, se houver suspeita de que o parceiro também tenha a doença, este poderá igualmente ser tratado (embora em situações ocasionais não seja recomendado).

 

Vida quotidiana

Muitos factores da vida quotidiana podem aumentar as probabilidades de contrair uma infecção vaginal. As leveduras crescem num ambiente quente e húmido, daí que roupas apertadas e mal ventiladas, fibras sintéticas, collants e roupas íntimas sem protecção de algodão entre as pernas possam aumentar o risco de infecção. Tenha particular atenção às roupas de ginástica suadas e fatos de banho molhados.

No dia-a-dia, o uso de papel higiénico de trás para a frente, ao invés de da frente para trás, após defecar, pode contaminar a vagina com Candida do trato intestinal e pode aumentar o risco de infecção. Papéis higiénicos e absorventes higiénicos perfumados ou tratados quimicamente, desodorizantes femininos, perfumes, espermicidas, sabões irritantes e detergentes podem irritar a vagina e causar uma infecção ou tornar pior uma existente.

Evite os duches vaginais pois podem romper o equilíbrio delicado dos organismos naturais (tais como leveduras e bactérias) na vagina. Se já tem uma infecção, os duches só podem piorá-la e tornar a identificação do problema mais difícil para o seu médico.

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Diagnóstico correcto

São muitos os factores que podem aumentar as probabilidades de contrair uma infecção vaginal. Eles incluem certos antibióticos, contraceptivos orais, diabetes mellitus, gravidez e hábitos pessoais.

Antibióticos

Alguns antibióticos eliminam as bactérias úteis chamadas lactobacilos, que normalmente estão dentro da vagina e ajudam a controlar o crescimento descontrolado de leveduras. Quando necessitar de tomar um antibiótico, pergunte ao seu médico se este pode aumentar as probabilidades de contrair uma infecção.

Contraceptivos

As hormonas, nomeadamente os estrogénios presentes nos contraceptivos orais (nos de dose alta de estrogénios) podem ajudar a criar condições na vagina que se assemelham à gravidez. Nesse ambiente, a multiplicação de leveduras é mais provável e tem sido reconhecido como um factor de risco para infecções.

Diabetes

A grande quantidade de açúcar no sangue, nos tecidos (que inclui o muco vaginal) e na urina da mulher diabética fornecem às leveduras um meio de cultura, resultando possivelmente numa infecção. Por essa razão, mulheres com diabetes mellitus, especialmente diabetes não controlada, contraem frequentemente infecções vaginais.

Gravidez

Os níveis de hormonas, nomeadamente estrogénios, de uma mulher grávida aumentam e aumenta também o nível de açúcar presente na vagina, permitindo que as leveduras cresçam excessivamente e assim que a frequência e a intensidade de infecções possam aumentar ao longo da gravidez.

FARMÁCIA SAÚDE – ANF

www.anf.pt

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