Que laço une avós e netos, natural mas não obrigatório? Para os avós a resposta é simples: os netos representam o triunfo da vida, o prolongamento da sua própria vida. E é este sentimento que alimenta o amor incondicional que caracteriza a relação dos avós para com os netos.
Sociólogos e psicólogos definem o papel dos avós numa palavra: sedução. Os pais criam e educam os filhos, enquanto os avós não têm esta responsabilidade, não têm de duplicar o papel dos pais, mas sim envolver os netos nesse amor incondicional.
Os avós desempenham um papel essencial no desenvolvimento da criança. O seu amor incondicional é um motor e um refúgio. Eles são o laço com o passado e permitem, assim, à criança situar-se numa história. E nunca os avós foram tão jovens e dinâmicos como agora. Para benefício de todas as gerações.
Com os progressos da medicina, aumentou a esperança de vida, fazendo com que para homens e mulheres a reforma não corresponda exactamente ao fim da vida activa, mas tão só ao fim de uma actividade profissional. Muitos anos ainda pela frente para viver o novo papel que os espera: o de avós. Um papel ancestral mas que, actualmente, é protagonizado por homens e mulheres cada vez mais novos e dinâmicos, longe da imagem tradicional da avó de cabelos brancos e do avô que conta histórias à lareira, numa cadeira de baloiço. Mas nem por isso menos importante para o desenvolvimento das crianças, até porque a “juventude” dos avós aproxima-os dos netos e dos seus interesses.
Para a criança, os avós ocupam um lugar muito particular. Um lugar que se traduz na disponibilidade de estar e de escutar, de partilhar histórias e brincadeiras. E o prazer que os avós sentem por estarem com os netos, é para estes uma garantia íntima fundamental para o seu desenvolvimento.
Os avós desempenham igualmente um papel essencial na descoberta da diferença, desde logo a diferença de idades. E se os avós viverem bem com a idade que têm, transmitem uma ideia positiva do envelhecimento, ajudando os mais pequenos a respeitar os idosos.
Pelo menos até aos 12 anos, as crianças apreciam esta diferença de idades. Os avós funcionam como uma ponte com o passado, integrando a história das diferentes gerações.
É nessa interacção que as crianças percebem que os seus pais também já foram filhos e que existe um lugar para cada um na pirâmide genealógica. E pode mesmo acontecer nesse processo que um dos avós seja idealizado e tomado como modelo de conduta. Um avô que conta episódios da sua vida militar, episódios de sobrevivência numa guerra, por exemplo, pode ser assimilado pelo neto como exemplo de coragem a seguir nas adversidades.
Quando a criança cresce, dá-se uma evolução natural dos seus sentimentos face aos avós. Pelos 12, 13 anos, tende a chegar ao fim a idade dos segredos e dos jogos com os avós, começando a notar-se algum distanciamento próprio da adolescência.
A presença dos avós continua a ser apreciada, mas as visitas vão-se espaçando, até que os adolescentes se vão aborrecendo, mais ou menos subtilmente, nas reuniões de família que tanto apreciavam na infância.
E aos 17 anos, a família parece acessória, se bem que o conflito nunca seja com os avós, mas sim com os pais. Em nome da autonomia. É então o tempo de os avós descobrirem novas pontes com os netos, agora jovens adultos.
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Estabelecer os limites
Diz-se que os avós estragam os netos com mimos. Mas serão os mimos uma coisa má? Ou serão ingredientes do processo educativo que resulta em crianças mais seguras e independentes? Se assim for, os mimos são uma coisa boa e ainda bem que há avós para os esbanjar.
Diz-se também que os avós são pais duas vezes, mas se com os filhos foram eventualmente rígidos e conservadores, com os netos a verdade é que lhes fazem todas as vontades.
E as crianças sabem disso, transformando a casa dos avós num espaço sem regras, onde inclusive podem “violar” algumas das regras estabelecidas pelos pais.
Cabe a pais e avós entenderem–se sobre os limites, de modo a não entrar demasiado em contradição sobre o que é possível e o que não é possível fazer. Em matéria de educação, a última palavra deve caber aos pais, por mais que os avós teimem em dizer que “no meu tempo…”.
No entanto, também os pais devem estar receptivos a algumas receitas dos avós. O que é preciso é ser flexível para que as crianças aproveitem o melhor dos avós.
E entre esse melhor está a paciência. Ninguém como os avós para responder ao imenso e incansável rol de dúvidas dos mais pequenos.
Ninguém como os avós para experimentar as últimas brincadeiras, sobretudo aquelas que desarrumam a casa toda e que são proibidas em casa. Ninguém como os avós para entrar no universo dos mais pequenos.
Estar com os avós é extremamente enriquecedor para as crianças: ensina-as a amar outras pessoas além dos pais, ensina-lhes as noções do tempo e da continuidade da vida. E, acima de tudo, proporciona-lhes grandes doses de carinho.
Afinal, quem não se lembra daquele passeio especial dado com o avô ou daquela história fantástica que a avó contava antes de dormir?
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