Em Portugal, os picos de gripe e doença pneumocócica ocorrem geralmente no Inverno. Por essa razão a vacinação para estas duas doenças deve ser feita no início do Outono.
O que é a gripe?
A gripe é uma infecção causada por um vírus chamado vírus Influenza que afecta predominantemente as vias respiratórias. Este vírus tem como característica especial o facto de, com frequência, sofrer alterações da sua estrutura o que dificulta a existência de uma única vacina em todo o mundo e obriga à preparação de uma vacina específica todos os anos, para estar de acordo com os tipos de vírus circulantes. Por exemplo, a vacina deste ano já inclui o vírus inactivado responsável pela gripe A (H1N1).
Estas mudanças frequentes que o vírus da gripe sofre não permitem, também, que as pessoas fiquem protegidas de forma permanente, como sucede com outras doenças.
É possível prevenir?
A prevenção da gripe é conseguida não só através da vacinação mas também com a adopção dos seguintes cuidados:
• Reduza, na medida do possível, o contacto com pessoas com sintomas de gripe;
• Lave frequentemente as mãos com água e sabão. Caso não seja possível, utilize soluções à base de álcool;
• Use lenços de papel, e utilize um lenço apenas uma vez, eliminando-o após utilização (deite nos sanitários ou no lixo comum);
• Ao espirrar ou tossir proteja a boca com um lenço de papel ou com o antebraço; não utilize as mãos.
Quanto maior for o número de pessoas vacinadas, mais protegida se encontra a população. Em termos de saúde pública, a gripe adquire também importância devido às complicações a que dá origem, sendo mais susceptíveis os doentes cardíacos, aqueles que sofrem de doenças respiratórias e broncopulmonares, os insuficientes renais, os diabéticos, e mesmos os imunodeprimidos (caso dos doentes com sida, com cancro, com leucemias, os transplantados…); são ainda muito susceptíveis as pessoas com idade superior a 65 anos, os residentes em lares e instituições congéneres, as grávidas e crianças até 1 ano de idade.
Como se transmite?
O vírus é transmitido através de partículas de saliva de uma pessoa infectada, expelidas sobretudo através da tosse e dos espirros. Mas também se pode transmitir por contacto directo, por exemplo, através das mãos. O período de contágio começa 1 a 2 dias antes dos sintomas e vai até 7 dias depois. Nas crianças pode ser um período maior.
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Quais são os sintomas ou sinais?
No adulto, a gripe manifesta-se pelo aparecimento súbito de mal-estar, febre alta, dores musculares a articulares, dores de cabeça e tosse seca.
Pode também ocorrer inflamação dos olhos. Não se deve confundir gripe com constipação. Esta tem habitualmente um início gradual, a febre é baixa, pode anunciar-se por uma irritação de garganta, e a tosse (quando surge) é ligeira e moderada; as dores de cabeça e musculares são raras, assim como a sensação de fraqueza ou prostração.
O que é a doença pneumocócica?
Doença pneumocócica é o termo utilizado para descrever infecções como pneumonia, septicemia (infecção no sangue) e meningite (inflamação do cérebro). As bactérias que provocam esta doença transmitem-se através da tosse e espirro ou por contacto próximo.
As bactérias entram no nariz e na garganta e aí permanecem durante bastante tempo sem provocarem problemas, mas por vezes podem invadir os pulmões ou a corrente sanguínea, dando origem a infecções.
Quais são os sintomas ou sinais da infecção pneumocócica?
Regra geral, surgem manifestações como febre alta, tosse, arrepios, sensação de falta de ar, dores nopeito. Mas importa saber que os sintomas de uma meningite pneumocócica são sobretudo os seguintes: intensas dores de cabeça, rigidez do pescoço, febre alta, desorientação e sensibilidade à luz.
Quem está em risco?
Os mais novos e os idosos têm um risco acrescido. Na população idosa, o risco aumenta com a idade. A vulnerabilidade a esta doença é maior caso o doente tenha uma doença do coração ou pulmões, diabetes, não tenha baço ou tenha um sistema imunitário debilitado (por exemplo, doentes em tratamento contra o cancro). Também os fumadores com mais de 19 anos devem ser aconselhados a fazer a vacina e a integrar o programa de cessação tabágica, disponível nas farmácias.
O que há a esperar do aconselhamento farmacêutico nas vacinas
O farmacêutico, enquanto profissional de saúde, disponibiliza hoje no espaço da farmácia um serviço de administração de vacinas e está habilitado a prestar esclarecimentos pormenorizados acerca da vacinação, tanto com a vacina contra a gripe como com a vacina contra a pneumonia.
Ele pode ajudar o doente a distinguir uma gripe de uma constipação, orientar na escolha de medicamentos que não requeiram receita médica e que ajudam a melhorar os sintomas, bem como a prestar todos os esclarecimentos sobre os novos medicamentos específicos para a gripe, cedendo aos doentes a melhor informação.
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Nunca é demais reforçar que, por motivos que se prendem sobretudo com a saúde pública e com a segurança de todos os doentes, não é possível dispensar antibióticos sem receita médica. Por este motivo, não deve pressionar o farmacêutico a dispensar antibióticos. É evidente que há complicações que requerem tratamentos com antibióticos (quando se trata de infecções produzidas por bactérias). Compete ao médico essa responsabilidade, profissional a quem cabe também determinar os tipos de doentes para quem a vacinação anual é considerada obrigatória.
Recomenda-se o seguinte:
• Todas as pessoas com doenças crónicas, debilitadas e pessoas com mais de 65 anos devem vacinar-se contra a gripe e contra a pneumonia, a partir de Outubro, e no caso de haver dúvidas sobre a necessidade da vacinação o esclarecimento junto do médico ou do farmacêutico pode ser muito útil;
• Pessoas com história de reacção alérgica a qualquer constituinte da vacina, como por exemplo com alergia ao ovo (presente, mesmo que em quantidades mínimas, na vacina), devem informar o médico e o farmacêutico;
• Pessoas que estejam com doença respiratória aguda ou com gripe e crianças com menos de 6 meses não podem ser vacinadas;
• Leia informação sobre gripe e doença pneumocócica, de distribuição gratuita na sua farmácia e peça ao profissional de saúde que o esclareça quanto às dúvidas que subsistirem;
• Aos primeiros sinais de suspeita de gripe (febre alta, dores musculares generalizadas, fraqueza, falta de apetite…) o doente deve consultar imediatamente o médico e na presença de sinais de constipação, o seu farmacêutico deve ser consultado para lhe aconselhar os medicamentos indicados, para alívio dos sintomas que apresentar. Se for fumador, deixe de fumar e confie no seu farmacêutico para o ajudar.
Esteja atento às recomendações da Direcção-Geral de Saúde
Se estiver com gripe, o que fazer?
• Fique em casa em repouso;
• Não se agasalhe demasiado;
• Meça a temperatura ao longo do dia;
• Se tiver febre pode tomar paracetamol (mesmo as crianças);
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• Não dê ácido acetilsalicílico (aspirina) às crianças;
• Se está grávida ou amamenta não tome medicamentos sem falar com o seu médico;
• Utilize soro fisiológico para desobstruir o nariz em caso de nariz congestionado;
• Não tome antibióticos sem recomendação médica. Não actuam nas infecções provocadas por vírus, não melhoram os sintomas nem aceleram a cura;
• Beba muitos líquidos: água, chás, sumos de fruta…;
• No caso de um idoso, principalmente se vive sozinho, deve ser acompanhado, mesmo através de telefonemas regulares para saber como está.
Quem se deve vacinar?
A vacinação é recomendada às pessoas que têm maior risco de ter complicações na sequência de uma gripe:
» Pessoas com mais de 65 anos, em especial se residirem em lares;
» Pessoas com mais de 6 meses de idade que tenham;
• Doença crónica dos pulmões, do coração, dos rins ou do fígado;
• Diabetes;
• Outras doenças que diminuam a resistência às infecções (sistema imunitário diminuído);
• Grávidas que, em Outubro, estejam no 2.º ou 3.º trimestre de gravidez;
• Profissionais de saúde.
O pneumococo é também um agente infeccioso muito frequente no Inverno. Causa doença pneumocócica, sendo as crianças e os idosos os grupos em maior risco de a contrair.
A vacina é portanto a melhor prevenção!
FARMÁCIA SAÚDE – ANF
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