A tosse e a rouquidão são sintomas comuns que, na maioria das vezes, não têm consequências graves. Todavia, noutros casos, podem esconder problemas mais sérios.
Os problemas da voz, além de alterarem a forma de comunicação, podem esconder a presença de doenças clínicas graves, pelo que nunca devem ser desvalorizados. Este é um alerta dado pelo otorrinolaringologista e assistente da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova de Lisboa, Dr. João Clode.
Rouquidão é uma palavra usada pela maioria das pessoas para referir uma alteração do seu tom de voz natural. Em termos médicos, é conhecida como disfonia e tanto pode ter uma causa simples como ser o primeiro sinal de algo mais grave.
«A rouquidão ou disfonia, sendo um sintoma frequente, pode ter causas vulgares como uma simples constipação, que se resolve em poucos dias, ou ser causada por um tumor da laringe», afirma João Clode.
O diagnóstico de qualquer rouquidão, que não resolva no prazo de 15 dias, deve, pois, ser realizado por um especialista de Otorrinolaringologia.
A rouquidão pode ser aguda ou crónica, mais prolongada no tempo. A maioria das causas de rouquidão aguda consiste em processos autolimitados. Por vezes, ocorrem de forma súbita, como após um esforço vocal muito intenso como um grito.
Segundo o especialista, «na maioria das vezes, o que acontece é que devido a um esforço súbito e muito intenso ocorre uma hemorragia acompanhada de edema (inchaço) da corda vocal, o que impede a sua coaptação perfeita com a outra corda vocal, daí advém a rouquidão».
Nestes casos, o tratamento consiste essencialmente em repouso da voz durante vários dias.
Já a laringite aguda pode iniciar-se por uma infecção respiratória superior e, normalmente, tem como sintoma inicial uma dor de garganta. As cordas vocais apresentam-se vermelhas e inchadas. O tratamento consiste no repouso vocal e no tratamento da causa subjacente, ou seja, da infecção que originou a rouquidão.
«As bactérias mais frequentes que provocam este tipo de rouquidão são a Moraxella catarrhalis, o Haemophilus influenza, os Pneumococos, o Estreptococos e os Estafilococos», refere João Clode.
Um dos factores que contribuem para o aparecimento da laringite aguda é a utilização do ar condicionado, uma vez que provoca alterações súbitas do meio ambiente, favorecendo o desenvolvimento das bactérias ou dos vírus.
A rouquidão também pode ser provocada pelo stress ou por algum distúrbio psicológico ou psiquiátrico. O tratamento destas situações, após o diagnóstico, passa pela resolução do conflito emocional, reeducação da musculatura laríngea e, por vezes, a terapia da fala.
Qualquer rouquidão que dure mais de duas semanas, com ou sem tratamento adjuvante, exige um exame realizado por um especialista, de modo a despistar tumores da laringe.
As laringites crónicas podem ter várias causas, como é o caso do uso do tabaco, que provoca inflamação crónica das cordas vocais provocando um edema de ambas as cordas (edema de Reincke) e que provoca a voz típica de fumador.
«A laringite por refluxo gastresofágico (azia) é cada vez mais frequente, provocando um edema crónico das cordas vocais, com tosse crónica e sensação de corpo estranho na laringe. O tratamento consiste na eliminação da causa – o refluxo – e no repouso e reeducação vocal», afirma João Clode, acrescentando que «outras causas de rouquidão crónica são os pólipos, os nódulos, ou os quistos das cordas vocais».
Estas são lesões benignas que, se não forem tratadas, poderão evoluir para a malignidade e cujo diagnóstico é feito de maneira muito rápida, através do exame por laringoscopia indirecta. O respectivo tratamento consiste na sua extracção, através de uma anestesia geral num acto cirúrgico que não necessita de internamento hospitalar, sendo o material colhido enviado para análise.
As lesões malignas manifestam-se da mesma forma que as benignas, com rouquidão persistente e não reversível.
O diagnóstico precoce é fundamental, pois, ao contrário das lesões benignas, as malignas têm um crescimento por vezes muito rápido, podendo, dependendo da zona de origem na laringe, espalhar-se por diferentes locais no organismo. De salientar que estas lesões são em grande parte causadas pela exposição ao fumo do tabaco e ao consumo do álcool.
Tosse, expulsão súbita de ar
A tosse é, segundo João Clode, «a expulsão súbita do ar dos pulmões, normalmente acompanhada de ruído, provocada por um estímulo irritante da garganta, laringe, traqueia ou dos pulmões. Esse estímulo pode ser de origem inflamatória, infecciosa ou reflexogénica».
Existem vários tipos de tosse. Pode ser espasmódica, quintosa, seca ou produtiva (com secreções) e tenaz .
Quanto às causas, «elas são múltiplas e só uma história clínica completa e um exame exaustivo, muitas vezes consegue diagnosticar a causa», adianta o otorrinolaringologista.
Pode haver uma irritação das vias respiratórias nasais, faríngeas, ou traqueobrônquicas causadas por infecções bacterianas ou virais, alergia, tabagismo, dilatação brônquica, corpos estranhos, entre outros. A tosse pode ter também causas laríngeas, rinofaríngeas, sinusais, nasais, psicogénicas e iatrogénicas (ver caixa).
«A tosse não tem, portanto, uma única causa, mas sim múltiplas causas, as quais, muitas vezes, se conjugam entre si para provocar este sintoma. Sempre que se prolongue por mais de três semanas, o médico deverá ser consultado para avaliar e aconselhar a melhor terapêutica», adverte João Clode.
O otorrinolaringologista considera, ainda, que «o mais importante é ter em mente que a tosse, em si, não é uma doença, mas um sintoma. Em caso algum deve ser descurada, pois significa que algo não está bem, que pode ser desde uma simples irritação causada pelo ar condicionado ou um tumor pulmonar ou laríngeo».
A tosse é um sintoma de uma grande multiplicidade de factores, desde uma simples virose até uma neoplasia (tumor), cujo tratamento está directamente relacionado com a sua causa. Por exemplo, se a origem for infecciosa, poderá ser tratada com agentes anti-infecciosos, tais como antibióticos.
«Nunca se deve tentar disfarçar a tosse tomando, sem a devida prescrição médica, antitússicos, pois, estes podem acabar com o sintoma tosse, mas a causa manter–se-á e, assim, fazer atrasar o diagnóstico de uma situação mais grave como um tumor», garante o especialista.
No caso das infecções das vias respiratórias, habituais no Inverno, uma vacinação antiviral e antibacteriana, normalmente, protege mais de 80% das infecções mais frequentes.
Causas da tosse
1) Irritação das vias respiratórias nasais, faríngeas, ou traqueobrônquicas por:
– Infecções bacterianas ou virais
– Alergia
– Poluição atmosférica
– Tabagismo
– Dilatação brônquica
– Corpos estranhos
– Refluxo gastresofágico
– Bronquite crónica e enfisema pulmonar
– Asma
– Tuberculose ou outras doenças pulmonares
– Tumores pulmonares ou traqueais
2) Causas laríngeas
– Laringite aguda
– Laringite crónica
– Cancros da faringe ou laringe
3) Causas rinofaríngeas
– Aumento dos adenóides na criança
– Rinofaringites crónicas
4) Causas sinusais
– Sinusite crónica
5) Causas nasais
– Desvio do septo nasal
– Polipose nasal
6) Causas psicogénicas
– Transtornos psiquiátricos
– Ansiedade
7) Causas iatrogénicas
– Medicamentos
Os problemas da voz, além de alterarem a forma de comunicação, podem esconder a presença de doenças clínicas graves, pelo que nunca devem ser desvalorizados. Este é um alerta dado pelo otorrinolaringologista e assistente da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova de Lisboa, Dr. João Clode.
Rouquidão é uma palavra usada pela maioria das pessoas para referir uma alteração do seu tom de voz natural. Em termos médicos, é conhecida como disfonia e tanto pode ter uma causa simples como ser o primeiro sinal de algo mais grave.
«A rouquidão ou disfonia, sendo um sintoma frequente, pode ter causas vulgares como uma simples constipação, que se resolve em poucos dias, ou ser causada por um tumor da laringe», afirma João Clode.
O diagnóstico de qualquer rouquidão, que não resolva no prazo de 15 dias, deve, pois, ser realizado por um especialista de Otorrinolaringologia.
A rouquidão pode ser aguda ou crónica, mais prolongada no tempo. A maioria das causas de rouquidão aguda consiste em processos autolimitados. Por vezes, ocorrem de forma súbita, como após um esforço vocal muito intenso como um grito.
Segundo o especialista, «na maioria das vezes, o que acontece é que devido a um esforço súbito e muito intenso ocorre uma hemorragia acompanhada de edema (inchaço) da corda vocal, o que impede a sua coaptação perfeita com a outra corda vocal, daí advém a rouquidão».
Nestes casos, o tratamento consiste essencialmente em repouso da voz durante vários dias.
Já a laringite aguda pode iniciar-se por uma infecção respiratória superior e, normalmente, tem como sintoma inicial uma dor de garganta. As cordas vocais apresentam-se vermelhas e inchadas. O tratamento consiste no repouso vocal e no tratamento da causa subjacente, ou seja, da infecção que originou a rouquidão.
«As bactérias mais frequentes que provocam este tipo de rouquidão são a Moraxella catarrhalis, o Haemophilus influenza, os Pneumococos, o Estreptococos e os Estafilococos», refere João Clode.
Um dos factores que contribuem para o aparecimento da laringite aguda é a utilização do ar condicionado, uma vez que provoca alterações súbitas do meio ambiente, favorecendo o desenvolvimento das bactérias ou dos vírus.
A rouquidão também pode ser provocada pelo stress ou por algum distúrbio psicológico ou psiquiátrico. O tratamento destas situações, após o diagnóstico, passa pela resolução do conflito emocional, reeducação da musculatura laríngea e, por vezes, a terapia da fala.
Qualquer rouquidão que dure mais de duas semanas, com ou sem tratamento adjuvante, exige um exame realizado por um especialista, de modo a despistar tumores da laringe.
As laringites crónicas podem ter várias causas, como é o caso do uso do tabaco, que provoca inflamação crónica das cordas vocais provocando um edema de ambas as cordas (edema de Reincke) e que provoca a voz típica de fumador.
«A laringite por refluxo gastresofágico (azia) é cada vez mais frequente, provocando um edema crónico das cordas vocais, com tosse crónica e sensação de corpo estranho na laringe. O tratamento consiste na eliminação da causa – o refluxo – e no repouso e reeducação vocal», afirma João Clode, acrescentando que «outras causas de rouquidão crónica são os pólipos, os nódulos, ou os quistos das cordas vocais».
Estas são lesões benignas que, se não forem tratadas, poderão evoluir para a malignidade e cujo diagnóstico é feito de maneira muito rápida, através do exame por laringoscopia indirecta. O respectivo tratamento consiste na sua extracção, através de uma anestesia geral num acto cirúrgico que não necessita de internamento hospitalar, sendo o material colhido enviado para análise.
As lesões malignas manifestam-se da mesma forma que as benignas, com rouquidão persistente e não reversível.
O diagnóstico precoce é fundamental, pois, ao contrário das lesões benignas, as malignas têm um crescimento por vezes muito rápido, podendo, dependendo da zona de origem na laringe, espalhar-se por diferentes locais no organismo. De salientar que estas lesões são em grande parte causadas pela exposição ao fumo do tabaco e ao consumo do álcool.
Tosse, expulsão súbita de ar
A tosse é, segundo João Clode, «a expulsão súbita do ar dos pulmões, normalmente acompanhada de ruído, provocada por um estímulo irritante da garganta, laringe, traqueia ou dos pulmões. Esse estímulo pode ser de origem inflamatória, infecciosa ou reflexogénica».
Existem vários tipos de tosse. Pode ser espasmódica, quintosa, seca ou produtiva (com secreções) e tenaz .
Quanto às causas, «elas são múltiplas e só uma história clínica completa e um exame exaustivo, muitas vezes consegue diagnosticar a causa», adianta o otorrinolaringologista.
Pode haver uma irritação das vias respiratórias nasais, faríngeas, ou traqueobrônquicas causadas por infecções bacterianas ou virais, alergia, tabagismo, dilatação brônquica, corpos estranhos, entre outros. A tosse pode ter também causas laríngeas, rinofaríngeas, sinusais, nasais, psicogénicas e iatrogénicas (ver caixa).
«A tosse não tem, portanto, uma única causa, mas sim múltiplas causas, as quais, muitas vezes, se conjugam entre si para provocar este sintoma. Sempre que se prolongue por mais de três semanas, o médico deverá ser consultado para avaliar e aconselhar a melhor terapêutica», adverte João Clode.
O otorrinolaringologista considera, ainda, que «o mais importante é ter em mente que a tosse, em si, não é uma doença, mas um sintoma. Em caso algum deve ser descurada, pois significa que algo não está bem, que pode ser desde uma simples irritação causada pelo ar condicionado ou um tumor pulmonar ou laríngeo».
A tosse é um sintoma de uma grande multiplicidade de factores, desde uma simples virose até uma neoplasia (tumor), cujo tratamento está directamente relacionado com a sua causa. Por exemplo, se a origem for infecciosa, poderá ser tratada com agentes anti-infecciosos, tais como antibióticos.
«Nunca se deve tentar disfarçar a tosse tomando, sem a devida prescrição médica, antitússicos, pois, estes podem acabar com o sintoma tosse, mas a causa manter–se-á e, assim, fazer atrasar o diagnóstico de uma situação mais grave como um tumor», garante o especialista.
No caso das infecções das vias respiratórias, habituais no Inverno, uma vacinação antiviral e antibacteriana, normalmente, protege mais de 80% das infecções mais frequentes.
Causas da tosse
1) Irritação das vias respiratórias nasais, faríngeas, ou traqueobrônquicas por:
– Infecções bacterianas ou virais
– Alergia
– Poluição atmosférica
– Tabagismo
– Dilatação brônquica
– Corpos estranhos
– Refluxo gastresofágico
– Bronquite crónica e enfisema pulmonar
– Asma
– Tuberculose ou outras doenças pulmonares
– Tumores pulmonares ou traqueais
2) Causas laríngeas
– Laringite aguda
– Laringite crónica
– Cancros da faringe ou laringe
3) Causas rinofaríngeas
– Aumento dos adenóides na criança
– Rinofaringites crónicas
4) Causas sinusais
– Sinusite crónica
5) Causas nasais
– Desvio do septo nasal
– Polipose nasal
6) Causas psicogénicas
– Transtornos psiquiátricos
– Ansiedade
7) Causas iatrogénicas
– Medicamentos