Apesar de ser uma doença curável, a tuberculose continua a ceifar a vida de 4500 pessoas por dia, permanecendo como a segunda patologia infecciosa com maior mortalidade a seguir à sida. Segundo Jorge Sampaio, enviado especial da Organização das Nações Unidas (ONU) na luta contra a tuberculose, “estima-se que, anualmente, surjam 450 mil novos casos com estirpe multirresistente”.
De acordo com um relatório da Organização Mundial de Saúde (OMS), por ano, morrem cerca de 1,6 milhões de pessoas com tuberculose, um número que ultrapassa o das vítimas de catástrofes naturais.
Nos doentes com VIH/sida, com um sistema imunitário mais fragilizado, a tuberculose assume-se como a principal responsável pela mortalidade neste grupo. Cerca de 250 mil mortes por tuberculose ocorrem em doentes infectados. Em termos geográficos, os continentes africano e asiático são os que somam maior número de ocorrências.
No decorrer da IV Conferência “Indústria Farmacêutica – um olhar sobre as necessidades em saúde, que teve lugar no passado dia 31 de Janeiro, o ex-Presidente da República, Jorge Sampaio, nomeado por Kofi Annan, em 2006, como enviado especial da ONU no programa de erradicação da tuberculose, mostrou-se preocupado com o avanço desta doença.
O mesmo responsável admite, ainda, que as patologias de grande propagação (VIH/sida, tuberculose e malária) tornaram-se, hoje em dia, uma ameaça tão grave como o terrorismo internacional. “As doenças não necessitam de passaporte ou visto de residência para se propagarem em território alheio.
E, neste caso, nem a construção de muros pode controlar a sua disseminação”, disse Jorge Sampaio. A este propósito, o enviado especial da ONU questiona sobre o que há a fazer para melhorar o diagnóstico, o tratamento e a prevenção de doenças curáveis, como é o caso da tuberculose.
“A investigação e o desenvolvimento de novas ferramentas de combate à tuberculose têm sido negligenciadas nas últimas décadas”, critica Jorge Sampaio. Actualmente, o fármaco de primeira linha no tratamento da tuberculose, de administração regular ao longo de nove meses, “tem mais de 40 anos”, alerta.
Por outro lado, afiança o responsável, “a vacina, com mais de 85 anos, garante alguma protecção da tuberculose mais severa, no caso das crianças, mas não previne a tuberculose pulmonar, cuja incidência maior é nos adultos”.
Em 2006, no âmbito do Fórum Mundial Económico, foi criado um Plano Global de erradicação da tuberculose. Este Plano, com uma duração de nove anos (2006-2015), “melhorou a prestação de cuidados de saúde nesta área, mas, em contrapartida, mostrou-se frágil no desenvolvimento de novos meios de diagnóstico, de novas vacinas e novos medicamentos, cujo surgimento permitiria revolucionar a luta contra a tuberculose”, adverte.
Assim, Jorge Sampaio desafia as entidades políticas, e em particular a indústria farmacêutica, para entrarem nesta luta e “vestirem a camisola” por esta causa. “Precisamos de criar pressão social e política para moldar a agenda global de políticas e mobilizar mais recursos para podermos controlar a tuberculose no mundo.”
Tuberculose em Portugal
Segundo dados da Direcção-Geral de Saúde (DGS), em 2006 registaram-se 3092 novos casos de tuberculose em Portugal.
A região Norte do País continua a ser, ainda, a que assinala o maior número de doentes com tuberculose: 976 casos. O distrito do Porto mantém a liderança nas estatísticas nacionais da doença: 696 casos. Na Europa a 15 (considerada antes do alargamento) Portugal continua na linha da frente em termos de incidência da doença.
Mas nem tudo são más notícias. Desde 2001, tem-se observado um decréscimo no número de casos em território nacional.
Jornal do Centro de Saúde
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