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Tendinite: Corpo com limites

O aumento dos exercícios, seja por questão de lazer ou de preparação física, tem contribuído para aumentar o número de lesões do sistema músculo-esquelético entre atletas profissionais e amadores.

Muitas das lesões provocadas pela prática desportiva têm origem na falta de orientação ou do excesso de carga nos treinos. Para um atleta profissional, ficar lesionado impede-o de treinar e de participar em eventos desportivos, comprometendo não só o seu bem-estar como também a sua carreira.

Mas para o praticante amador o problema não é menor. A interrupção forçada dos exercícios na sequência de uma lesão é frustrante, pois é inegável o bom efeito psicológico que o desporto exerce sobre as pessoas. E o desconforto associado a uma tendinite não é agradável.

Um aumento da intensidade e/ou duração dos treinos pode causar lesão.

Uma tendinite, de forma simples, consiste na inflamação de um tendão. Manifesta-se por dor e sensibilidade local, podendo ser acompanhado de inchaço local. Os locais mais frequentemente envolvidos são a região do ombro, cotovelos, joelhos e calcanhares.

Normalmente, a tendinite implica repouso imediato e tratamento adequado.

Todos devem aprender os segredos básicos de como evitar uma interrupção na sua actividade. Deixar de fazer o que gosta por uma simples lesão ou inflamação nos tendões é coisa que pode ser evitada. Conheça alguns segredos simples, que não devem ser perdidos de vista. Para tal precisamos rever alguns pontos básicos, a começar pela nossa anatomia.

Para executar um simples movimento, um simples gesto, são muitos os componentes do corpo envolvidos.

Para nos movermos, os músculos contraem-se e relaxam-se e esta força tem que ser transmitida aos ossos, que são rígidos, sendo feito através dos tendões, que se ligam às extremidades ósseas, originando o movimento.

Músculos e tendões são formados por fibras. Os tendões são fibras agrupadas em feixes, que se situam entre os músculos e o osso. Quando nos mexemos e para obter bons resultados, principalmente a um nível competitivo, é necessário possuir uma musculatura saudável e conhecer a importância de fazer os movimentos adequados, sem forçar demais os músculos e os tendões.

 

O que é?

Excesso de peso ou um exercício executado durante demasiado tempo, por exemplo, podem significar um problema que muitas vezes tira a pessoa de uma competição ou do trabalho por um longo período.

Todas as palavras terminadas com o sufixo ‘ite’ indicam um processo inflamatório.
No entanto hoje considera-se que uma lesão aguda do tendão é geralmente inflamatória, mas que com o evoluir da lesão tem outros componentes, tendo-se adoptado outras terminologias, como tendinopatia para englobar o espectro das lesões dos tendões.

[Continua na página seguinte]

A causa é geralmente lesão repetida ou uma lesão aguda intensa. Pode existir inicialmente uma lesão em fibras isoladas, não havendo sintomas, evoluindo depois.

Podem estar envolvidas alterações circulatórias, com diminuição da circulação e consequente alteração do metabolismo, que leva à libertação de produtos químicos endógenos e lesão das células, e alterações mecânicas, devido a esforços prolongados e repetitivos, que provocam uma sobrecarga. Algumas pessoas – como halterofilistas e amadores que se exibem nas ruas, puxando vários carros – podem suportar tracções até centenas de quilos. Mas as pessoas comuns, que não são treinadas para carregar peso, podem sofrer lesões face a um movimento errado ou uma carga de apenas meia dúzia de quilos.

A tendinite manifesta-se inicialmente com dores e com incapacidade da pessoa realizar certos movimentos que envolvem a zona afectada. É pois necessário acompanhamento médico para tratamento precoce e despiste de outras situações clínicas que podem originar tendinites.

O diagnostico de tendinite é clínico, mas os métodos de diagnóstico através de imagem têm um papel importante no despiste de outras causas. A ultrassonografia e a ressonância magnética poderão ser efectuadas, quando o tratamento não resulta ou o diagnóstico não é claro, para avaliar a existência de inflamação ou ruptura de tendão ou outras situações clínicas.

Estes meios de diagnóstico apresentam algumas vantagens tais como boa definição de partes moles, com a ressonância magnética a permitir visualizar cartilagens , ossos e ligamentos.

É, no entanto, fundamental que o médico tenha conhecimento da história clínica do paciente para poder estabelecer prováveis diagnósticos diferenciais e poder sugerir um diagnóstico final da lesão.

A tendinite tem sido alvo de preocupação tanto da medicina desportiva quanto da medicina do trabalho. Há uma variedade de tipos de atletas e de ocupações que podem estar mais sujeitas ao problema, todas sempre relacionadas com esforços (LER: Lesões por Esforço Repetitivo): jogadores de futebol, andebol, voleibol, ténis, golfe, nadadores, feirantes (que carregam pesadas caixas), estivadores, dançarinos, carpinteiros, jardineiros, entre outros.

Nos últimos tempos, a área de informática tem renovado o problema, com o esforço repetido dos operadores no teclado. Sem contar os pianistas, que durante o estudo sistemático das suas partituras musicais podem ser acometidos de tendinite.

 

Como se trata?

O tratamento varia de acordo com a natureza e do grau da lesão, as formas de tratamento vão desde a utilização de anti-inflamatórios até a imobilização do membro afectado (por exemplo, tala ou engessamento do braço em tendinite originária por digitação).

Mas, antes de mais, é preciso repouso. Após um período, a pessoa pode ser aconselhada a fazer fisioterapia, para acelerar o processo de cura. Uma das técnicas indicadas para a tendinite é a crioterapia, aplicação de bandas a temperaturas muito baixas ou bolsas de gelo. Massagens também são indicadas como auxiliares no tratamento.

[Continua na página seguinte]

A injecção local de corticóides é apenas indicada dos casos mais graves. As sequelas são possíveis, caso o tratamento não seja feito atempadamente e de forma adequada e quando a fisioterapia não é realizada durante o período necessário.

A pessoa não tratada pode sofrer uma ruptura do tendão após um período de inflamação mal cuidada. Pode continuar com dores e tornar-se incapaz para o trabalho. Por isso, é importante seguir todos os passos indicados pelo médico para um pronto restabelecimento.

 

O ponto fraco

Reza a lenda que Aquiles tinha um único ponto vulnerável no corpo, exactamente na altura do calcanhar, na altura de um tendão. Filho do rei grego Peleu e da rainha Tétis, Aquiles foi tornado imortal pela sua mãe que esfregou ambrósia no seu corpo e o manteve por algum tempo junto ao fogo.

Depois, mergulhou Aquiles no rio Estige, cujas águas tinham o poder de o tornar invulnerável. Ao mergulhar o filho nas águas do rio, a mãe segurou-o por um calcanhar e, sendo assim, esta foi a única parte do seu corpo que não foi tocada pelas águas.

Aquiles cresceu e tornou-se um dos principais heróis gregos da guerra de Tróia, acabando por ser atingido e morto por Páris, com uma flecha no calcanhar. Daí se falar hoje no Tendão de Aquiles, uma denominação vulgar para o tendão que se encontra na parte inferior e posterior da perna e que, tal como o calcanhar vulnerável de Aquiles, está exposto a traumatismos e contusões provocados pela prática desportiva ou movimentos excessivos.

Assim se criam algumas confusões, pois algumas pessoas entendem que só existem tendões nessa região do corpo, quando não é verdade. As mãos, os pés, o pescoço e todas as partes que se dobram, ou seja, praticamente o corpo inteiro está repleto de tendões. Basta imaginar um contorcionista de circo em actividade para perceber a quantidade de tendões que existem no nosso corpo.

 

Como se evita?

É fácil identificar as actividades com maior risco de provocar uma tendinite. Uma vez reconhecido o tipo de actividade, é dever de uma empresa ou de um clube, por exemplo, não expor o funcionário ou o atleta a períodos ininterruptos de trabalho ou de exercício. Uma pausa na rotina, por alguns minutos, poderão significar, não um prejuízo para a empresa, mas sim um ganho em termos de continuidade a médio e longo prazo.

Exercícios de aquecimento são de importância vital para prevenir lesões. Empresas e clubes desportivos devem alertar os seus atletas ou profissionais de risco sobre as causas e os efeitos da doença e como a prevenir. Isso pode ser feito através de pequenos seminários, aulas ou vídeos.

Poder receber tratamento adequado, poder consultar o médico, e ter acesso a fisioterapia e a medicamentos são um direito e ao mesmo tempo um dever do doente.

Os casos mal curados podem acabar na mesa de operações. E a tendinite também é, como qualquer acidente de trabalho, passível de indemnização. Essa é uma razão mais do que suficiente para as empresas se preocuparem com a prevenção. Os custos e o desgaste emocional de ambas as partes são muito menores.

Muitas das lesões provocadas pela prática desportiva têm origem na falta de orientação ou do excesso de carga nos treinos. Para um atleta profissional, ficar lesionado impede-o de treinar e de participar em eventos desportivos, comprometendo não só o seu bem-estar como também a sua carreira.

Mas para o praticante amador o problema não é menor. A interrupção forçada dos exercícios na sequência de uma lesão é frustrante, pois é inegável o bom efeito psicológico que o desporto exerce sobre as pessoas. E o desconforto associado a uma tendinite não é agradável.

Um aumento da intensidade e/ou duração dos treinos pode causar lesão.

Uma tendinite, de forma simples, consiste na inflamação de um tendão. Manifesta-se por dor e sensibilidade local, podendo ser acompanhado de inchaço local. Os locais mais frequentemente envolvidos são a região do ombro, cotovelos, joelhos e calcanhares.

Normalmente, a tendinite implica repouso imediato e tratamento adequado.

Todos devem aprender os segredos básicos de como evitar uma interrupção na sua actividade. Deixar de fazer o que gosta por uma simples lesão ou inflamação nos tendões é coisa que pode ser evitada. Conheça alguns segredos simples, que não devem ser perdidos de vista. Para tal precisamos rever alguns pontos básicos, a começar pela nossa anatomia.

Para executar um simples movimento, um simples gesto, são muitos os componentes do corpo envolvidos.

Para nos movermos, os músculos contraem-se e relaxam-se e esta força tem que ser transmitida aos ossos, que são rígidos, sendo feito através dos tendões, que se ligam às extremidades ósseas, originando o movimento.

Músculos e tendões são formados por fibras. Os tendões são fibras agrupadas em feixes, que se situam entre os músculos e o osso. Quando nos mexemos e para obter bons resultados, principalmente a um nível competitivo, é necessário possuir uma musculatura saudável e conhecer a importância de fazer os movimentos adequados, sem forçar demais os músculos e os tendões.

 

O que é?

Excesso de peso ou um exercício executado durante demasiado tempo, por exemplo, podem significar um problema que muitas vezes tira a pessoa de uma competição ou do trabalho por um longo período.

Todas as palavras terminadas com o sufixo ‘ite’ indicam um processo inflamatório.
No entanto hoje considera-se que uma lesão aguda do tendão é geralmente inflamatória, mas que com o evoluir da lesão tem outros componentes, tendo-se adoptado outras terminologias, como tendinopatia para englobar o espectro das lesões dos tendões.

[Continua na página seguinte]

A causa é geralmente lesão repetida ou uma lesão aguda intensa. Pode existir inicialmente uma lesão em fibras isoladas, não havendo sintomas, evoluindo depois.

Podem estar envolvidas alterações circulatórias, com diminuição da circulação e consequente alteração do metabolismo, que leva à libertação de produtos químicos endógenos e lesão das células, e alterações mecânicas, devido a esforços prolongados e repetitivos, que provocam uma sobrecarga. Algumas pessoas – como halterofilistas e amadores que se exibem nas ruas, puxando vários carros – podem suportar tracções até centenas de quilos. Mas as pessoas comuns, que não são treinadas para carregar peso, podem sofrer lesões face a um movimento errado ou uma carga de apenas meia dúzia de quilos.

A tendinite manifesta-se inicialmente com dores e com incapacidade da pessoa realizar certos movimentos que envolvem a zona afectada. É pois necessário acompanhamento médico para tratamento precoce e despiste de outras situações clínicas que podem originar tendinites.

O diagnostico de tendinite é clínico, mas os métodos de diagnóstico através de imagem têm um papel importante no despiste de outras causas. A ultrassonografia e a ressonância magnética poderão ser efectuadas, quando o tratamento não resulta ou o diagnóstico não é claro, para avaliar a existência de inflamação ou ruptura de tendão ou outras situações clínicas.

Estes meios de diagnóstico apresentam algumas vantagens tais como boa definição de partes moles, com a ressonância magnética a permitir visualizar cartilagens , ossos e ligamentos.

É, no entanto, fundamental que o médico tenha conhecimento da história clínica do paciente para poder estabelecer prováveis diagnósticos diferenciais e poder sugerir um diagnóstico final da lesão.

A tendinite tem sido alvo de preocupação tanto da medicina desportiva quanto da medicina do trabalho. Há uma variedade de tipos de atletas e de ocupações que podem estar mais sujeitas ao problema, todas sempre relacionadas com esforços (LER: Lesões por Esforço Repetitivo): jogadores de futebol, andebol, voleibol, ténis, golfe, nadadores, feirantes (que carregam pesadas caixas), estivadores, dançarinos, carpinteiros, jardineiros, entre outros.

Nos últimos tempos, a área de informática tem renovado o problema, com o esforço repetido dos operadores no teclado. Sem contar os pianistas, que durante o estudo sistemático das suas partituras musicais podem ser acometidos de tendinite.

 

Como se trata?

O tratamento varia de acordo com a natureza e do grau da lesão, as formas de tratamento vão desde a utilização de anti-inflamatórios até a imobilização do membro afectado (por exemplo, tala ou engessamento do braço em tendinite originária por digitação).

Mas, antes de mais, é preciso repouso. Após um período, a pessoa pode ser aconselhada a fazer fisioterapia, para acelerar o processo de cura. Uma das técnicas indicadas para a tendinite é a crioterapia, aplicação de bandas a temperaturas muito baixas ou bolsas de gelo. Massagens também são indicadas como auxiliares no tratamento.

[Continua na página seguinte]

A injecção local de corticóides é apenas indicada dos casos mais graves. As sequelas são possíveis, caso o tratamento não seja feito atempadamente e de forma adequada e quando a fisioterapia não é realizada durante o período necessário.

A pessoa não tratada pode sofrer uma ruptura do tendão após um período de inflamação mal cuidada. Pode continuar com dores e tornar-se incapaz para o trabalho. Por isso, é importante seguir todos os passos indicados pelo médico para um pronto restabelecimento.

 

O ponto fraco

Reza a lenda que Aquiles tinha um único ponto vulnerável no corpo, exactamente na altura do calcanhar, na altura de um tendão. Filho do rei grego Peleu e da rainha Tétis, Aquiles foi tornado imortal pela sua mãe que esfregou ambrósia no seu corpo e o manteve por algum tempo junto ao fogo.

Depois, mergulhou Aquiles no rio Estige, cujas águas tinham o poder de o tornar invulnerável. Ao mergulhar o filho nas águas do rio, a mãe segurou-o por um calcanhar e, sendo assim, esta foi a única parte do seu corpo que não foi tocada pelas águas.

Aquiles cresceu e tornou-se um dos principais heróis gregos da guerra de Tróia, acabando por ser atingido e morto por Páris, com uma flecha no calcanhar. Daí se falar hoje no Tendão de Aquiles, uma denominação vulgar para o tendão que se encontra na parte inferior e posterior da perna e que, tal como o calcanhar vulnerável de Aquiles, está exposto a traumatismos e contusões provocados pela prática desportiva ou movimentos excessivos.

Assim se criam algumas confusões, pois algumas pessoas entendem que só existem tendões nessa região do corpo, quando não é verdade. As mãos, os pés, o pescoço e todas as partes que se dobram, ou seja, praticamente o corpo inteiro está repleto de tendões. Basta imaginar um contorcionista de circo em actividade para perceber a quantidade de tendões que existem no nosso corpo.

 

Como se evita?

É fácil identificar as actividades com maior risco de provocar uma tendinite. Uma vez reconhecido o tipo de actividade, é dever de uma empresa ou de um clube, por exemplo, não expor o funcionário ou o atleta a períodos ininterruptos de trabalho ou de exercício. Uma pausa na rotina, por alguns minutos, poderão significar, não um prejuízo para a empresa, mas sim um ganho em termos de continuidade a médio e longo prazo.

Exercícios de aquecimento são de importância vital para prevenir lesões. Empresas e clubes desportivos devem alertar os seus atletas ou profissionais de risco sobre as causas e os efeitos da doença e como a prevenir. Isso pode ser feito através de pequenos seminários, aulas ou vídeos.

Poder receber tratamento adequado, poder consultar o médico, e ter acesso a fisioterapia e a medicamentos são um direito e ao mesmo tempo um dever do doente.

Os casos mal curados podem acabar na mesa de operações. E a tendinite também é, como qualquer acidente de trabalho, passível de indemnização. Essa é uma razão mais do que suficiente para as empresas se preocuparem com a prevenção. Os custos e o desgaste emocional de ambas as partes são muito menores.

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