Maximizar a eficácia das cirurgias ortopédicas e reduzir os erros médicos. Este é o objectivo da cirurgia assistida por computador (CASComputer Assisted Surgery) que será o futuro nesta área de intervenção médica.
A aposta no novo tipo de cirurgia ortopédica realizada sobretudo ao joelho “pretende que a cirurgia seja reprodutível”, ou seja, reduza a probabilidade de ocorrerem erros, aumentando o sucesso da intervenção cirúrgica. “A cirurgia assistida por computador visa reduzir os erros médicos até por uma questão ética”, explica Ricardo Varatojo, cirurgião ortopédico do Hospital da CUF Descobertas. Trata-se de uma ferramenta que ajuda a aperfeiçoar o desempenho de qualquer cirurgião, principalmente daqueles que têm menor experiência. Porque “pretende-se uma cirurgia com um bom resultado final”, daí o facto de ser mais eficaz. E em que é que isto se traduz? Para o especialista, “significa ter 90 a95% de bons resultados, o que já é considerável, até porque em medicina não há 100% de garantia de sucesso cirurgico”.
Vantagens da cirurgia assistida por computador
A garantia de um maior nível de sucesso da cirurgia tem implicações no tratamento e consequentemente na qualidade de vida dos doentes. No caso da cirurgia assistida por computador para colocação de prótese no joelho (artroplastia total do joelho), “pretende-se que a prótese seja muito bem colocada, com muito poucos erros técnicos e se tal suceder, prevê-se que dure mais anos”, explica Ricardo Varatojo.
A cirurgia assistida por navegação permite fazer uma abordagem personalizada no tratamento do doente e esta é uma das grandes vantagens. “A primeira coisa que se faz com a navegação é dar ao sistema de computador as medidas do fémur, rótula, tíbia, entre outras”, salienta o especialista. O objectivo é que o computador desenhe a anatomia do doente que está a ser alvo de cirurgia para facultar as medidas correctas da prótese a colocar e indicar a posição ideal, daí a personalização da intervenção. “No entanto, o cirurgião não é obrigado a seguir o que o computador diz”, adverte. O especialista observa a imagem no ecrã, mas deve certificar-se que os dados indicados pelo computador são fidedignos para colocar a prótese e efectuar os cortes. Pode pela sua experiência optar por alterar as indicações propostas pelo sistema. “Estes dados são aceites e introduzidos e os cortes efectuados e, depois, o computador dá o feedback, ou seja, indica se tudo está bem”, explica Ricardo Varatojo.
Limitações
Nem todos os cirurgiões dominam o sistema informático da cirurgia assistida por navegação, o que pode ter consequências nefastas em termos de intervenção cirurgica, devido à introdução de dados errados no computador. Resultado? A análise informática e desenho da anatomia do doente será enviesada. Daí a importância de “os cirurgiões que fazem esta cirurgia saberem fazer operações “à mão””, sublinha o cirurgião ortopédico. Prevê, com optimismo, no entanto, que, no futuro, a nova geração de cirurgiões use de forma correcta e autónoma este sistema tecnológico.
Aplicações da CAS
Actualmente, ainda não existem recomendações relativas aos casos clínicos adaptáveis à realização deste tipo de cirurgia, embora a sua aplicação seja mais corrente na área ortopédica, nomeadamente, em artroplastias do joelho, da anca e da coluna, no tratamento de artroses, clarifica o cirurgião. Muito embora “possa ser usada em todos os casos”, afirma.
“Durante dois anos, usámos a CAS em todos os doentes, mas esta cirurgia teve um recuo internacional e nacional, devido à recessão económica”, lamenta Ricardo Varatojo. Isto porque a aplicação das novas tecnologias às intervenções cirurgicas é cara e a cirurgia assistida por navegação não é excepção. O cirurgião refere que “em dois anos, a equipa da CUF Descobertas operou – usando a navegação- 56 doentes e que as intervenções foram bem sucedidas”.
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