À margem do 1º Congresso Português de Hepatologia irá decorrer uma sessão pública, aberta a toda a população e de entrada gratuita, que decorrerá no dia 8 de Março, a partir das 16h00, no Centro de Congressos de Lisboa (antiga FIL).
A sessão pública, que tem um objectivo essencialmente formativo e de combate à ignorância generalizada em relação às doenças hepáticas, irá centrar-se sobre as consequências do álcool e dos vírus das hepatites B e C e em particular a sua acção lesiva sobre o fígado e os aspectos epidemiológicos e sociais destas doenças.
Não se sabe ao certo quantas pessoas são portadoras de doenças hepáticas em Portugal e a população está mal informada. Os rastreios são escassos, os sintomas aparecem tardiamente e não existem números fidedignos respeitantes às doenças do fígado mais conhecidas.
A extrapolação aponta para que 1% – 1,5% da população esteja infectada com os vírus das hepatites B e C, há cerca de 170.000 doentes diagnosticados de hepatites C e cerca de 120 a 130.000 diagnosticados de hepatite B; há mais de 1,3 milhões de alcoólicos e de bebedores excessivos e estima-se que existirão 150.000 doentes com doença hepática alcoólica.
Calcula-se que 46% da população portuguesa tenha excesso de peso e que 3% venha a desenvolver doença ligada à sobrecarga de gordura no fígado. Ou seja, a realidade aponta para que as patologias hepáticas mais comuns aumentem entre a população portuguesa.
Portugal continua a ser um país com uma incidência relativamente elevada de hepatites víricas, particularmente hepatite C, que acarretarão graves repercussões económicas futuras sobre o Serviço Nacional de Saúde (SNS).
A maioria dos doentes infectados (> de 80%) não apresenta sintomas e irá aparecer com doenças já em fase terminal, que terão um peso económico grave no SNS português.
Perspectiva-se para a próxima década um aumento de 62% na incidência da cirrose e do tumor maligno do fígado e a necessidade de mais de 500% de transplantes hepáticos.
É importante alertar para o rastreio à Hepatite C, já que apenas 1/3 dos doentes estarão identificados. Em média, 60% destes doentes podem ser curados com as novas terapêuticas antivirais. Esta, pela ausência de vacina, é a única forma eficaz de reduzir, no futuro, o peso económico desta doença.
Existem ainda os problemas hepáticos decorrentes do álcool: em Portugal, o valor médio da produção de álcool representa 2% do Produto Nacional Bruto (PNB), mas o custo económico dos problemas ligados ao álcool atinge 5%-6% do PNB.
Em 1999, 59.4% da população portuguesa consumia bebidas alcoólicas.
As consequências sobre o fígado são significativas, pois é a principal causa de cirrose em Portugal, a primeira causa de morte entre as doenças do fígado e ocupa a 10ª posição do ranking português da mortalidade.
O painel de oradores da sessão pública:
» Director Geral de Saúde – Dr. Francisco George
» Jurista – Dr. Maria Belém Roseira
» Psiquiatra – Dr. Rui Mota Cardoso
» Alcoologista – Dr. Domingos Neto
» Hepatologista – Profª Estela Monteiro (Presidente da SPH)
» Hepatologista e Alcoologista – Prof. Rui Marinho
» Jornalista RTP 1 – Jorge Correia
» Jornalista RTP 2 – Marina Caldas
» SOS Hepatites – Emília Rodrigues
» Cirurgião – Dr. Emanuel Furtado (Vice – Presidente da SPH)
» Internista e intensivista – Dr. Carlos Monteverde (Vogal da SPH)
» Alcoólicos Anónimos (AA) – um elemento desta organização
» Internista e intensivista – Dr. Rui Seca (Vice – Presidente da SPH)
» Hepatologista – Prof. Fernando Ramalho (Vice – Presidente da SPH e Moderador)
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