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Propriedades físicas da água trazem enormes benefícios

Terapia ou lazer… é só escolher! Flutuação. Pressão hidrostática. Temperatura. Resistência. Efeito massajador. Estas são as propriedades físicas da água mais importantes e, por consequência, responsáveis por um grande número de benefícios na vida do ser humano desde antes do nascimento – na fase da gravidez – até ao envelhecimento.

E é nesta medida que a piscina pode ser encarada como o mais completo e abrangente local onde se pode praticar exercício físico.

Em primeiro lugar, a água tem um aspecto fundamental que é atenuar o efeito de gravidade. A flutuação permite, assim, diminuir a compressão nas articulações doloridas e auxiliar o movimento das articulações rígidas em amplitudes superiores às do meio terrestre. E isto tudo com uma redução da dor.

«O sistema nervoso simpático é positivamente afectado pela imersão e, por isso, diminuirá a percepção da dor», esclarece o professor de Educação Física Emanuel Ribeiro, que não deixa de frisar a igual importância de outras propriedades da água, tais como a densidade, viscosidade, tensão superficial e força de arrasto.

A piscina, defende, é um local privilegiado para se praticar actividade física numa perspectiva multifacetada de prevenção, desenvolvimento, formação, competição, manutenção, recreação e reabilitação.

«Qualquer pessoa pode tirar vantagens do trabalho que se faz dentro de água, seja qual for a sua situação e os seus objectivos», diz.

O rol de vantagens vai por aí fora e em relação à pressão hidrostática prendem-se com a estimulação da circulação periférica devido à pressão da água exercida sobre o corpo. A circulação periférica facilita, por sua vez, o retorno venoso das partes distais ao coração. Esta é uma propriedade que ajuda ainda na absorção e/ou na prevenção de edemas, diminui a frequência cardíaca e a pressão arterial e provoca resistência na caixa torácica. Aumenta também a difusão de oxigénio no sangue.

Como explica o nosso interlocutor, «a inspiração e a expiração na água acontece de uma forma mais activa do que no meio terrestre porque neste último não há resistência. Além disso, a pressão hidrostática permite também um trabalho de protecção das articulações e contribui para um efeito massajador que a água provoca sobre o corpo humano».

A temperatura, componente fulcral no trabalho que se pretende realizar, deve ser ajustada em função dos objectivos desejados, podendo, contudo, a temperatura ideal variar de pessoa para pessoa. Genericamente, mais quente é indicada para esforços físicos menos intensos, permitindo relaxamento muscular e ligamentar, para além de diminuir a dor, espasmo muscular e rigidez.

«É a temperatura ideal para reabilitação», concretiza.

Com a temperatura menos quente a pressão arterial sobe, a frequência cardíaca desce e é facilitada a remoção do ácido láctico pelo sangue, pelo que é indicada para esforços físicos mais intensos.

À pergunta sobre se a piscina é um potencial local de contágio de problemas de pele e outros, Emanuel Ribeiro afirma ser «mais fácil culpar as piscinas» e lembra que, «por exemplo, uma otite ou uma micose podem ser contraídas ou transmitidas em vários locais, tais como jardins-de-infância ou parques infantis». Diz mesmo que, às vezes, a primeira reacção da classe médica é a de, com «“alguma ligeireza,” deitar as culpas para cima das piscinas, sem ponderar devidamente as consequências».

A solução passa por «mais informação e comunicação entre médicos, técnicos e utentes», concorda, acrescentando:

«É frequente existirem cartazes informativos nas piscinas ou nos ginásios sobre cuidados de higiene e outros mas as pessoas passam e não lêem.»

Outra das propriedades físicas é a resistência, uma sobrecarga natural exercida pela água, sendo de 12 a 42 vezes maior que no ar, dependendo fundamentalmente da velocidade e amplitude do movimento, bem como da área de superfície frontal.

Através desta, é permitido um equilíbrio muscular porque, explica Emanuel Ribeiro, a resistência da água está presente em todas as áreas do movimento possibilitando o trabalho simultâneo de músculos pares (agonistas e antagonistas).

«Quando se faz uma flexão e extensão do cotovelo com o braço submerso, trabalha-se o bicípite na fase ascendente e o tricípite na descendente», exemplifica.

Utilizado tanto para fins terapêuticos como de lazer, o efeito massajador é o resultado da união de todas as propriedades físicas da água.

«Durante o exercício, o aluno beneficia constantemente do efeito massajador da água sobre o membro em movimento, auxiliando-o na recuperação do cansaço muscular e na eliminação do ácido láctico, que intoxica os músculos impedindo-os de dar continuidade ao exercício», refere. «No fundo, se ponderarmos as vantagens e desvantagens da prática de actividade física no meio aquático chegamos facilmente à conclusão de que os benefícios são, de longe, superiores», remata.

Alguns dos benefícios da actividade física na água

Grávida:
– Alivia o peso corporal;
– Elimina parcialmente o edema no tornozelo;
– Permite um trabalho cardiorrespiratório adequado;
– Possibilita um fortalecimento muscular localizado;
– Aumenta a auto-estima;
– Possibilita a realização pessoal, com maior disposição para as actividades diárias. Bebés, crianças, jovens e atletas:
– Aumenta a capacidade pulmonar;
– Aumenta o crescimento ósseo;
– Fortalece a musculatura de uma forma completa e harmoniosa;
– Melhora o equilíbrio; – Facilita os movimentos espontâneos;
– Diminui o medo e a ansiedade frente a novas situações.

Adultos e idosos:
– Desenvolve aspectos psicomotores, tais como equilíbrio, esquema corporal, coordenação motora; – Produz sensação de menor esforço sem dor muscular;
– Reduz os espasmos musculares;
– Facilita a movimentação articular;
– Diminui o stress;
– Promove interacção social.

1.º Encontro Saúde em Piscinas Foi a primeira vez que se organizou um encontro a nível nacional sobre estes temas e com este impacto. O 1.º Encontro Saúde em Piscinas, que se realizou recentemente em Santarém, teve como objectivo principal constituir um fórum onde profissionais das várias áreas de actividade relacionadas com piscinas puderam discutir as diferentes problemáticas da sua utilização, os benefícios e os riscos.

Para o delegado regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo, Dr. Carlos Silva Santos, este encontro teve duas características principais:

«Por um lado, foi dito que o problema da saúde global das piscinas não era privativo dos profissionais de Saúde, mas de todas as entidades responsáveis, desde a piscina, a gestão, a qualidade da água, até aos responsáveis do desporto e do lazer. Por outro lado, abordou-se a piscina como meio terapêutico.»

Distinguiu este encontro a «leitura global do problema» porque, como diz Carlos Silva Santos, o que se fez até esta data foram apenas leituras parcelares. Participaram, assim, otorrinos, pediatras, dermatologistas, técnicos de Saúde, da concepção, construção, equipamento, fisioterapeutas e até houve participações internacionais.
E porque as exigências da Saúde têm vindo a aumentar, falou-se dos parâmetros de qualidade das superfícies, da qualidade microbiológica da água e da segurança e prevenção nas piscinas.

«Hoje, a piscina não é um tanque de água, mas um estabelecimento complexo com alta tecnologia», justifica.

«O balanço foi positivo e, por isso mesmo, o encontro vai repetir-se daqui a, sensivelmente, dois anos», garante o delegado regional, que não tem dúvidas de que no próximo evento estes temas serão debatidos ainda com mais profundidade.

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