A taxa de incidência da infecção VIH/Sida em Portugal é a mais elevada da Europa Ocidental. O relatório mais recente da ONU sobre a sida aponta para cerca de mais de 46 milhões de pessoas infectadas em todo o mundo, sendo que (à volta de) três milhões são crianças e jovens com menos de 15 anos.
No nosso país existem cerca de 30 mil casos diagnosticados de infecção VIH/sida, com maior incidência na população activa mais precisamente entre os 20 e 49 anos.
O Jornal do Centro de Saúde entrevistou o Coordenador Nacional para a Infecção VIH/sida do Alto Comissariado da Saúde, Prof. Doutor Henrique Barros, sobre a prevenção e controlo da doença, no momento em que foi apresentado para discussão pública o novo programa nacional de prevenção da infecção VIH/sida 2007-2010.
Na sua opinião a que se deve a elevada incidência de pessoas infectadas com sida em Portugal?
Por um lado, tivemos um peso muito grande de toxicodependência e, do conjunto de todos os casos até hoje declarados, presume-se que a infecção tenha sido adquirida, em metade dos casos, por partilha de material infectado.
Apesar de tudo, a resposta foi razoável e os programas de troca de seringas e os programas com terapêuticas de substituição opiácea, a metadona por exemplo, terão ajudado naturalmente a que diminuísse o número de infecções nestas circunstâncias.
A segunda razão por que a infecção permanece tão alta em Portugal resulta da ausência de cultura geral de prevenção. Além da transmissão por via associada ao uso das seringas e da injecção de drogas, há outra grande via de transmissão que é a sexual. Nos homens que têm sexo com homens houve uma diminuição ao contrário do que é de esperar.
Contudo, na transmissão heterossexual está sobretudo relacionada com a ausência de uma cultura preventiva em que as pessoas, ou se abstenham de actividade sexual com parceiros que não sejam os seus parceiros habituais e que elas saibam que estão negativos, ou que usem o preservativo. O preservativo é uma forma extremamente eficaz de prevenir a infecção.
Há uma terceira via de transmissão, aparentemente resolvida, que é a transmissão mãe-filho. Houve um programa no sentido de fazer a detecção da infecção tão cedo quanto possível na gravidez para poder iniciar terapêutica e garantir que o parto ocorra por cesariana e que a mulher não tem que amamentar. Acreditamos que este seja um problema essencialmente controlado.
O novo Programa Nacional de Prevenção da Infecção VIH/sida 2007-2010 propõe-se reduzir, até 2010, em 25 por cento a mortalidade causada pela doença. Quais as medidas que propõe ser implementadas para atingir este objectivo?
Não há razão para que as pessoas morram mais em Portugal do que nos outros países. O que está agora em causa nesta fase de discussão pública do Plano, é chegar a acordo no plano de acção com as pessoas e instituições interessadas, para criarmos as condições e removermos barreiras.
Para se atingir este objectivo, propomos um conjunto de estratégias que respondem a metas e objectivos específicos estruturados em onze áreas prioritárias de intervenção:
1. O conhecimento da dinâmica e dos determinantes da infecção;
2. A prevenção da infecção, com particular atenção às populações mais vulneráveis;
3. O acesso à detecção precoce da infecção e à referenciação adequada;
4. O acesso a tratamento de acordo com o estado da arte;
5. A continuidade de cuidados e o apoio social aos infectados e afectados;
6. O estigma e a discriminação;
7. A partilha de responsabilidades;
8. A formação continuada;
9. A investigação;
10. A cooperação internacional;
11. A monitorização e a avaliação.
O governo francês anunciou recentemente que quer reduzir o preço dos preservativos para 20 cêntimos para generalizar o seu uso e conter o avanço da sida. Considera que esta medida deveria ser implementada em Portugal?
Actualmente, em Portugal, no Ministério da Saúde os preservativos são comprados a seis cêntimos e só o Ministério da Saúde distribui mais de um terço dos preservativos que se usam no país. Portanto, os franceses não estão a fazer nada de novo. Vamos procurar que os preços desçam mais e que as pessoas possam obtê-los nos Centros de Saúde.
Neste momento decorre um projecto de aceitação do preservativo feminino. É cada vez mais importante que as mulheres entendam que constituem uma população especialmente vulnerável.
Teste do VIH/sida confidencial e gratuito
Os Centros de Aconselhamento e Detecção Precoce do VIH (CAD) são centros de diagnóstico que permitem o acesso voluntário, confidencial e gratuito ao teste do VIH, possibilitando a detecção precoce da infecção VIH. Existem nas capitais de distrito de uma forma fixa e existem no Porto, Lisboa e em Faro, os chamados CAD’s móveis. Consulte os locais, horários e contactos em http://www.sida.pt/
Traumatismos e lesões: de três em três horas morre uma criança na União Europeia
Encontro em Lisboa debate estratégia nacional para prevenir acidentes
Os traumatismos e lesões não intencionais são a quarta principal causa de morte nos Estados membros da Comunidade Europeia, depois das doenças cardiovasculares, oncológicas e respiratórias. É a primeira causa de morte entre os jovens até aos 15 anos, com uma média de 20 mil mortes anuais na União Europeia, o que significa uma criança morta a cada três horas.
Esta realidade tornou evidente a necessidade de desenvolver um plano de acção intersectorial, coordenando, integrando e articulando políticas e acções necessárias à prevenção de acidentes que incidirá sobre todo o ciclo de vida, com maior enfoque nos grupos mais vulneráveis: crianças, deficientes e idosos. Constitui uma das áreas prioritárias do Plano Nacional de Saúde.
Neste quadro, o Alto Comissariado da Saúde (ACS) promoveu, em Novembro, em colaboração com a Direcção-Geral da Saúde (DGS), e a Associação para a Promoção da Segurança Infantil (APSI), uma reunião sobre Estratégias Nacionais para a Prevenção de Acidentes e Promoção da Segurança.
O encontro teve como principal objectivo a criação de uma plataforma intersectorial de diálogo e trabalho na área dos traumatismos e lesões não intencionais, de modo a coordenar, harmonizar e integrar políticas e acções necessárias ao desenvolvimento e implementação do Programa Nacional de Prevenção e Controlo de Acidentes (PNCA), que se encontra em elaboração pela Direcção Geral da Saúde.
No nosso país existem cerca de 30 mil casos diagnosticados de infecção VIH/sida, com maior incidência na população activa mais precisamente entre os 20 e 49 anos.
O Jornal do Centro de Saúde entrevistou o Coordenador Nacional para a Infecção VIH/sida do Alto Comissariado da Saúde, Prof. Doutor Henrique Barros, sobre a prevenção e controlo da doença, no momento em que foi apresentado para discussão pública o novo programa nacional de prevenção da infecção VIH/sida 2007-2010.
Na sua opinião a que se deve a elevada incidência de pessoas infectadas com sida em Portugal?
Por um lado, tivemos um peso muito grande de toxicodependência e, do conjunto de todos os casos até hoje declarados, presume-se que a infecção tenha sido adquirida, em metade dos casos, por partilha de material infectado.
Apesar de tudo, a resposta foi razoável e os programas de troca de seringas e os programas com terapêuticas de substituição opiácea, a metadona por exemplo, terão ajudado naturalmente a que diminuísse o número de infecções nestas circunstâncias.
A segunda razão por que a infecção permanece tão alta em Portugal resulta da ausência de cultura geral de prevenção. Além da transmissão por via associada ao uso das seringas e da injecção de drogas, há outra grande via de transmissão que é a sexual. Nos homens que têm sexo com homens houve uma diminuição ao contrário do que é de esperar.
Contudo, na transmissão heterossexual está sobretudo relacionada com a ausência de uma cultura preventiva em que as pessoas, ou se abstenham de actividade sexual com parceiros que não sejam os seus parceiros habituais e que elas saibam que estão negativos, ou que usem o preservativo. O preservativo é uma forma extremamente eficaz de prevenir a infecção.
Há uma terceira via de transmissão, aparentemente resolvida, que é a transmissão mãe-filho. Houve um programa no sentido de fazer a detecção da infecção tão cedo quanto possível na gravidez para poder iniciar terapêutica e garantir que o parto ocorra por cesariana e que a mulher não tem que amamentar. Acreditamos que este seja um problema essencialmente controlado.
O novo Programa Nacional de Prevenção da Infecção VIH/sida 2007-2010 propõe-se reduzir, até 2010, em 25 por cento a mortalidade causada pela doença. Quais as medidas que propõe ser implementadas para atingir este objectivo?
Não há razão para que as pessoas morram mais em Portugal do que nos outros países. O que está agora em causa nesta fase de discussão pública do Plano, é chegar a acordo no plano de acção com as pessoas e instituições interessadas, para criarmos as condições e removermos barreiras.
Para se atingir este objectivo, propomos um conjunto de estratégias que respondem a metas e objectivos específicos estruturados em onze áreas prioritárias de intervenção:
1. O conhecimento da dinâmica e dos determinantes da infecção;
2. A prevenção da infecção, com particular atenção às populações mais vulneráveis;
3. O acesso à detecção precoce da infecção e à referenciação adequada;
4. O acesso a tratamento de acordo com o estado da arte;
5. A continuidade de cuidados e o apoio social aos infectados e afectados;
6. O estigma e a discriminação;
7. A partilha de responsabilidades;
8. A formação continuada;
9. A investigação;
10. A cooperação internacional;
11. A monitorização e a avaliação.
O governo francês anunciou recentemente que quer reduzir o preço dos preservativos para 20 cêntimos para generalizar o seu uso e conter o avanço da sida. Considera que esta medida deveria ser implementada em Portugal?
Actualmente, em Portugal, no Ministério da Saúde os preservativos são comprados a seis cêntimos e só o Ministério da Saúde distribui mais de um terço dos preservativos que se usam no país. Portanto, os franceses não estão a fazer nada de novo. Vamos procurar que os preços desçam mais e que as pessoas possam obtê-los nos Centros de Saúde.
Neste momento decorre um projecto de aceitação do preservativo feminino. É cada vez mais importante que as mulheres entendam que constituem uma população especialmente vulnerável.
Teste do VIH/sida confidencial e gratuito
Os Centros de Aconselhamento e Detecção Precoce do VIH (CAD) são centros de diagnóstico que permitem o acesso voluntário, confidencial e gratuito ao teste do VIH, possibilitando a detecção precoce da infecção VIH. Existem nas capitais de distrito de uma forma fixa e existem no Porto, Lisboa e em Faro, os chamados CAD’s móveis. Consulte os locais, horários e contactos em http://www.sida.pt/
Traumatismos e lesões: de três em três horas morre uma criança na União Europeia
Encontro em Lisboa debate estratégia nacional para prevenir acidentes
Os traumatismos e lesões não intencionais são a quarta principal causa de morte nos Estados membros da Comunidade Europeia, depois das doenças cardiovasculares, oncológicas e respiratórias. É a primeira causa de morte entre os jovens até aos 15 anos, com uma média de 20 mil mortes anuais na União Europeia, o que significa uma criança morta a cada três horas.
Esta realidade tornou evidente a necessidade de desenvolver um plano de acção intersectorial, coordenando, integrando e articulando políticas e acções necessárias à prevenção de acidentes que incidirá sobre todo o ciclo de vida, com maior enfoque nos grupos mais vulneráveis: crianças, deficientes e idosos. Constitui uma das áreas prioritárias do Plano Nacional de Saúde.
Neste quadro, o Alto Comissariado da Saúde (ACS) promoveu, em Novembro, em colaboração com a Direcção-Geral da Saúde (DGS), e a Associação para a Promoção da Segurança Infantil (APSI), uma reunião sobre Estratégias Nacionais para a Prevenção de Acidentes e Promoção da Segurança.
O encontro teve como principal objectivo a criação de uma plataforma intersectorial de diálogo e trabalho na área dos traumatismos e lesões não intencionais, de modo a coordenar, harmonizar e integrar políticas e acções necessárias ao desenvolvimento e implementação do Programa Nacional de Prevenção e Controlo de Acidentes (PNCA), que se encontra em elaboração pela Direcção Geral da Saúde.