O número real de doentes, em Portugal, com disfunção eréctil (DE) é desconhecido. Apesar de se registar um aumento na afluência às consultas, sabe-se que muitos homens ainda são incapazes de revelar os seus problemas de erecção ao médico.
E, QUANDO O FAZEM, É JÁ MUITO TARDIAMENTE, RELATIVAMENTE AO INÍCIO DOS SINTOMAS.
Para o Dr. Luís Ferraz, director do Serviço de Urologia do Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia (CHVNG), «esta dificuldade não é apenas sentida em Portugal, pois, nos EUA, só 22% dos doentes com mais de 50 anos procuram ajuda médica. Se verificarmos que na França ou na Dinamarca o problema é semelhante, conclui-se que o homem tem grandes dificuldades em falar dos seus problemas sexuais com os profissionais de saúde».
No entanto, e na falta de estatísticas no nosso País, pode-se dizer que «a prevalência é muito elevada e que aumenta com a idade e com a associação de todos aqueles factores de risco apontados para as doenças cardiovasculares».
Uma informação importante, uma vez que hoje acredita-se que a disfunção eréctil aumenta por paralelismo com o aumento de todas as doenças cardiovasculares, pois, os factores de risco de uma são os factores de risco para a outra, como é o caso do tabagismo, do sedentarismo, da obesidade, da hipertensão e do colesterol elevado.
É neste sentido que Luís Ferraz apela para «uma alteração dos hábitos de vida, prevenindo a doença e contribuindo para uma melhor saúde física, mental e sexual. Esta prevenção deve começar bem cedo na vida».
A par da prevenção, há outras medidas, como no caso de doentes com a diabetes mellitus, que devem esforçar-se em corrigir desde cedo as suas glicemias, pois, caso contrário, e com o decorrer dos anos, o aparecimento da DE é inevitável.
«A associação da diabetes mellitus com a disfunção eréctil está tão bem estabelecida que esta pode ser o primeiro sintoma de uma diabetes ainda não diagnosticada. Por outro lado, mais de 35% dos homens diagnosticados com diabetes sofrem de DE.»
Acompanhamento
multidisciplinar e tratamento
No que diz respeito às causas da disfunção eréctil, estas são frequentemente multifactoriais, onde sobressaem factores psicológicos, neurológicos, endocrinológicos e vasculares. Também pode ser provocada por traumatismos, cirurgias, radioterapia e medicações.
Isto sugere que, no plano ideal, o doente deveria ser observado por «equipas multidisciplinares, onde figurasse à cabeça um andrologista, em colaboração estreita com um psiquiatra e um psicólogo ligados à sexologia. É ainda desejável que estas equipas possam contar com a colaboração de um cirurgião vascular», adverte Luís Ferraz.
O início da terapêutica deve ser sempre realizado de acordo com a situação do casal. Deste modo, o nosso entrevistado selecciona como dados «a idade do doente, o seu estado físico, as doenças e as medicações que utiliza, mas também a idade e saúde física da sua companheira».
No tratamento sintomático, cujo objectivo é conseguir uma erecção no momento desejado, pode-se recorrer a fármacos orais e a outras formas (injectáveis intracavernosos ou sistemas mecânicos, como os aparelhos de vácuo), sendo a primeira a mais desejada, por ser simples, não dolorosa e com taxas de sucesso elevadas.
«Os fármacos orais foram os grandes responsáveis por trazer à consulta muitos doentes e, dado o seu êxito fácil, muito contribuíram para a divulgação desta patologia. Actualmente, o vardenafil, um dos novos inibidores da 5-fosfodiesterase, embora tenha grandes semelhanças com o sildenafil, é mais selectivo, não causando, por isso, alterações na cor da visão. Além disso, in vitro, mostrou ser nove a 25 vezes mais potente que o sildenafil e 13 a 48 vezes quando comparado com o taladafil. As taxas de sucesso andam à volta dos 80%», conclui Luís Ferraz.
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