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Primeiros socorros: …e já está!

Um pequeno descuido ou distracção pode ser suficiente para que haja um pequeno corte, uma escorregadela, uma nódoa negra enquanto estamos por casa a preparar uma refeição ou nos momentos de lazer. Estancar o sangue, limpar a ferida e prevenir infecções são cuidados prioritários.

Manusear uma faca, um abre-latas ou um tacho com água a ferver, requer alguma atenção para que ninguém se magoe. Claro que um pequeno golpe não implica propriamente uma corrida ao hospital, mas convém cumprir alguns procedimentos para evitar infecções ou complicações de maior.

A primeira tarefa é estancar o sangue. A hemorragia associada aos golpes ligeiros tende a parar por si, mas podemos agilizar o processo, pressionando a zona com uma gaze ou um pano limpo durante uns minutos.

Quando as feridas parecem mais profundas ou o sangue teima em abundar, a pressão dever-se-á prolongar até 20 ou 30 minutos, resistindo à tentação de ver se a hemorragia já passou à história, porque, senão, corremos o risco de interromper a formação do coágulo. Em caso de persistir um fluxo sanguíneo abundante, deverá recorrer-se a assistência médica, pois poderá ser necessário outro tipo de tratamento.

 

Estancar, limpar…

Assim que a hemorragia é travada, é fundamental manter a ferida limpa, removendo todos os detritos da área afectada. Essa higienização deve ser efectuada com água fria limpa, evitando usar sabão ou sabonete que pode provocar irritação da ferida, ou com soro fisiológico de preferência esterilizado.

Como nem sempre a água é suficiente para limpar completamente, pode ser usada uma pinça, devidamente esterilizada com álcool, para remover as partículas. Se ainda assim a ferida apresentar detritos, convém procurar ajuda profissional. É que as pequenas partículas de sujidade, mesmo que de ínfima dimensão, podem provocar uma infecção ou mesmo o tétano, daí ser tão importante que se tenha esta vacina “em dia”.

Em alternativa, podem ser aplicados produtos desinfectantes, acautelando a respectiva validade, pois o seu prazo de utilização é limitado após a abertura.

As soluções anti-sépticas de uso externo, disponíveis na forma de spray ou de doses unitárias, são, assim, especialmente úteis.

As feridas não devem ser lavadas nem desinfectadas com álcool, porque não tem uma particular eficácia na desinfecção e, acima de tudo, irrita os tecidos envolvidos no ferimento.

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O algodão, que deixa filamentos residuais que podem atrasar a cicatrização, deve igualmente ser evitado e, na falta de um spray, deverão ser utilizadas compressas, de toque mais suave.

Completada a tarefa de limpeza da ferida, poderá ter de aplicar uma fina camada de um creme ou pomada com acção cicatrizante e eventualmente antibiótica, na medida em que contribui para manter a superfície húmida e previne a infecção, ajudando o processo natural de cura.

 

…e tratar

Como diz o ditado, nada como deixar a ferida secar ao ar… Na verdade, é uma forma de cicatrização rápida, a menos que a ferida se encontre numa zona mais propensa a sujar-se. Aí, o melhor será cobrir a ferida com um penso, que ajuda a manter a zona limpa e as bactérias nocivas longe. O penso deve ser substituído diariamente ou sempre que esteja molhado ou sujo. Logo que a ferida tenha cicatrizado o suficiente para que seja improvável uma infecção, a exposição ao ar é recomendável, pois vai acelerar o processo de cicatrização.

Há pessoas que são alérgicas ao adesivo usado na maioria dos pensos, pelo que devem optar por uma gaze esterilizada, envolvida em fita de papel ou numa ligadura elástica.

Este deverá também ser o procedimento a adoptar em zonas sensíveis ou com muita abundância de pêlos, já que estes aderem mal nestes casos.

A qualquer sinal de infecção ou alteração, como aumento da dor, vermelhidão, prurido, calor ou edema, consultar um médico deve ser o passo seguinte. Cortes e feridas mais profundas, cuja hemorragia se revele difícil de estancar, poderão requerer uma sutura.

Haverá situações que recomendam a aplicação de uma vacina antitetânica. Aliás, o plano nacional de vacinação recomenda um reforço desta vacina a cada dez anos. Mas quando há um ferimento profundo e a ferida tenha estado em contacto com sujidade, não havendo a certeza se a vacina está em dia, o médico pode recomendar uma dose de reforço contra o tétano.

Os profissionais das farmácias podem aconselhar em situações de emergência, incluindo a prestação das medidas iniciais de primeiros socorros e o correcto encaminhamento dos doentes.

A formação específica para o efeito e a capacidade de intervenção dos profissionais das farmácias, como na aplicação de pensos e ligaduras, é uma mais-valia em caso de necessidade.

FARMÁCIA SAÚDE – ANF

www.anf.pt

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