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Prevenção e tratamento » Cancro da mama ataca mais entre os 50 e os 65

O cancro da mama interfere em vários níveis na qualidade de vida da mulher. Preveni-lo é uma aposta dos profissionais de saúde, que procuram lutar contra os mais diversos factores de risco. Com a menopausa, a incidência do cancro da mama é maior, ao mesmo tempo que se associam outros problemas, como a osteoporose e as doenças cardiovasculares.

A incidência do cancro da mama na população portuguesa não é muito diferente da observada noutros países. Hoje em dia, sabe-se que o pico de incidência da doença varia entre os 50 e os 65 anos. É evidente que podem existir mulheres mais novas que possam sofrer desta patologia, mas são casos mais raros.

De acordo com o Dr. Joaquim Neves, do Serviço de Obstetrícia e Ginecologia do Hospital de Santa Maria, «o cancro da mama provoca uma grande sensibilidade porque interfere com um órgão puramente feminino e que pode influenciar, de forma significativa, a imagem da mulher».

Por outro lado, temos de ter a noção de que o cancro da mama é uma doença sistémica, ou seja, acarreta uma morbilidade ou doença, quer pelo cancro em si, quer pela necessidade de ser operada, de fazer tratamentos complementares, como a quimioterapia ou radioterapia, que vão interferir na qualidade de vida.

«Ao ser uma doença sistémica, isso significa que se opera, essencialmente, para reduzir a massa de cancro e também para estadiar o cancro da mama porque uma das complicações desta forma de cancro são as designadas metástases ou lesões à distância», explica Joaquim Neves.

Um dos factores de risco contra o qual a medicina pouco pode fazer, a não ser vigiar, é a idade. Quanto mais avançada for a idade da mulher maior é o risco de ela ter cancro da mama.

O mesmo acontece no homem, mas relativamente ao cancro da próstata.

Por isso, este profissional de saúde refere que o mais importante é definir uma estratégia de prevenção e de vigilância. «Inicialmente, aos 35 anos, procura-se fazer uma vigilância basal e a mamografia é, sem margem para dúvida, um exame padrão para rastrear o cancro da mama, sendo um exemplo pragmático do que é prevenção e eficácia de prevenção.»

Fazendo a avaliação mamográfica e não existindo alterações significativas, as mulheres passam a fazer um rastreio a partir dos 40 anos. Assim, de dois em dois anos, até aos 50, as mulheres fazem o rastreio do cancro da mama através da mamografia. Entre os 50 e os 65 anos, o rastreio é executado anualmente por ser neste período o pico de incidência do cancro da mama.

Deste modo, os resultados têm sido reveladores de uma diminuição da mortalidade porque há cada vez mais diagnósticos precoces.

Este cenário acima descrito é referente à população maioritária das mulheres, sendo classificada como baixo risco. Mas há grupos de alto risco, nomeadamente as mulheres que têm na história familiar, quer materna como paterna, a presença de pessoas com cancro.

A existência de um período longo da idade reprodutiva é também outro factor de risco. «As mulheres que são menstruadas muito cedo e que entram na menopausa muito mais tarde estão mais tempo sujeitas à acção das suas hormonas, mesmo as endógenas», adverte Joaquim Neves, acrescentando:

«O tratamento hormonal pode ser outro factor importante. As mulheres que tinham uma lesão pré-maligna e que se iria manifestar mais tarde, podem ver essa lesão estimulada através do tratamento. Por isso, a terapêutica hormonal de substituição é recomendável, mas pelo menor tempo e menor dose possível e nas mulheres em pós-menopausa com sintomas vasomotores.»

O tabagismo é também igualmente um elemento de risco, quer para o cancro da mama, quer para a osteoporose e doenças cardiovasculares, e que deve ser encarado com toda a atenção, uma vez que, hoje em dia, temos cada vez mais mulheres que fumam.

O facto de a mulher nunca ter engravidado contribui também para um maior risco de aparecimento do cancro da mama, pois a amamentação é um factor de protecção. Deste modo, no Hospital de Santa Maria, e para as mulheres em pós–menopausa, traça-se um perfil de risco do cancro da mama que tem como base questões como: «Quantas gravidezes teve? Tem história familiar? Fuma? E qual a antropometria, já que a deposição de gordura na mulher, em pós-menopausa, também está associada a um aumento do risco de cancro em geral, inclusive o cancro da mama.»

Raloxifeno: três em um

Mas para além das mamografia há outro tipo de prevenção que pode ser executada, através de um fármaco, nomeadamente o raloxifeno.

«O raloxifeno é um produto muito importante na saúde da mulher pós–menopausa. Pela primeira vez, temos um produto que demonstra capacidades muito encorajadoras. Em primeiro lugar, o raloxifeno protege a massa óssea da mulher», salienta Joaquim Neves.

Na verdade, quanto mais idade uma pessoa tem mais tendência há para a perda da massa óssea. Este problema agrava-se mais nas mulheres do que nos homens porque são mais leves, fazendo menos carga sobre a massa óssea, o que significa menos reforço dessa mesma massa.

Além disso, quando a mulher entra na menopausa, esta perde bruscamente os estrogénios, ou seja, o principal factor protector dos ossos.

Segundo Joaquim Neves, «o raloxifeno protege a massa óssea das mulheres e trata a osteoporose na coluna lombar, que é o tipo de osteoporose que surge mais cedo na mulher. Se não fizermos nada numa mulher que entra na menopausa, ela perde durante os primeiros cinco anos 15% da massa óssea e o diagnóstico da osteoporose surge numa altura em que ainda se podia prevenir».

Sendo o raloxifeno da mesma família do tamoxifeno, que está indicado na prevenção do cancro da mama, este novo fármaco está também indicado para o cancro da mama.

«Para além de proteger o osso e tratar a osteoporose, o raloxifeno diminui a incidência do cancro da mama em 66% nas mulheres de baixo risco, o que corresponde à maior parte da população. Temos um fármaco inovador porque é o primeiro a demonstrar diminuição da incidência do cancro da mama em mulheres de baixo risco. Qualquer mulher em pós-menopausa que não tenha contra-indicação para utilizar o raloxifeno, como tromboembolismo venoso profundo, deve ser uma candidata ao tratamento com este fármaco.»

Deste modo, para além de efeitos positivos no osso e no cancro da mama, o raloxifeno tem resultados muito promissores na área cardiovascular. Um dado importante, uma vez que, em Portugal, o cancro da mama não é a principal causa de morte das mulheres.

A principal causa de morte e incapacidade física da população portuguesa são as doenças cardiovasculares. Hoje em dia, sabe-se que metade da população portuguesa tem excesso de peso ou obesidade, constituindo um factor de risco na doença cardiovascular. Além disso, 50% da população adulta em Portugal (mais de 21 anos) sofre de hipertensão.

«Relativamente às mulheres, nós temos uma população pós-menopausa com alto risco cardiovascular e o raloxifeno é muito promissor nessa área, sobretudo nos doentes de risco cardiovascular. Os primeiros resultados, que são de quatro anos referentes ao estudo MORE, demonstram que nas mulheres com risco cardiovascular o raloxifeno diminui, em 40%, a incidência cardiovascular», afirma o obstetra, acrescentando:

«Se conseguirmos proteger o osso, diminuir o cancro da mama e reduzir o risco cardiovascular na mulher pós-menopausa, temos uma solução eficaz e inovadora. E é precisamente nestas três vertentes que o raloxifeno actua.»

Neste momento, os profissionais de saúde aguardam pelos resultados do estudo RUTH, que procura tornar mais consistentes os resultados cardiovasculares. Este estudo envolve dez mil mulheres de alto risco, sendo tratadas com o raloxifeno para diminuir a incidência de doenças cardiovasculares. No estudo STAR, que compara o raloxifeno e o tamoxifeno em mulheres de alto risco de cancro da mama, os resultados já começam a ser promissores.

Em tom de conclusão, Joaquim Neves declara que «pela primeira vez, na saúde da mulher em pós-menopausa, temos um medicamento muito promissor com resultados já demonstrados em duas áreas, nomeadamente no osso e na mama, sendo também igualmente muito promissor na área cardiovascular. No Hospital de Santa Maria, mulheres em pós-menopausa, sem sintomas vasomotores e sem contra-indicações, iniciam o raloxifeno».

A incidência do cancro da mama na população portuguesa não é muito diferente da observada noutros países. Hoje em dia, sabe-se que o pico de incidência da doença varia entre os 50 e os 65 anos. É evidente que podem existir mulheres mais novas que possam sofrer desta patologia, mas são casos mais raros.

De acordo com o Dr. Joaquim Neves, do Serviço de Obstetrícia e Ginecologia do Hospital de Santa Maria, «o cancro da mama provoca uma grande sensibilidade porque interfere com um órgão puramente feminino e que pode influenciar, de forma significativa, a imagem da mulher».

Por outro lado, temos de ter a noção de que o cancro da mama é uma doença sistémica, ou seja, acarreta uma morbilidade ou doença, quer pelo cancro em si, quer pela necessidade de ser operada, de fazer tratamentos complementares, como a quimioterapia ou radioterapia, que vão interferir na qualidade de vida.

«Ao ser uma doença sistémica, isso significa que se opera, essencialmente, para reduzir a massa de cancro e também para estadiar o cancro da mama porque uma das complicações desta forma de cancro são as designadas metástases ou lesões à distância», explica Joaquim Neves.

Um dos factores de risco contra o qual a medicina pouco pode fazer, a não ser vigiar, é a idade. Quanto mais avançada for a idade da mulher maior é o risco de ela ter cancro da mama.

O mesmo acontece no homem, mas relativamente ao cancro da próstata.

Por isso, este profissional de saúde refere que o mais importante é definir uma estratégia de prevenção e de vigilância. «Inicialmente, aos 35 anos, procura-se fazer uma vigilância basal e a mamografia é, sem margem para dúvida, um exame padrão para rastrear o cancro da mama, sendo um exemplo pragmático do que é prevenção e eficácia de prevenção.»

Fazendo a avaliação mamográfica e não existindo alterações significativas, as mulheres passam a fazer um rastreio a partir dos 40 anos. Assim, de dois em dois anos, até aos 50, as mulheres fazem o rastreio do cancro da mama através da mamografia. Entre os 50 e os 65 anos, o rastreio é executado anualmente por ser neste período o pico de incidência do cancro da mama.

Deste modo, os resultados têm sido reveladores de uma diminuição da mortalidade porque há cada vez mais diagnósticos precoces.

Este cenário acima descrito é referente à população maioritária das mulheres, sendo classificada como baixo risco. Mas há grupos de alto risco, nomeadamente as mulheres que têm na história familiar, quer materna como paterna, a presença de pessoas com cancro.

A existência de um período longo da idade reprodutiva é também outro factor de risco. «As mulheres que são menstruadas muito cedo e que entram na menopausa muito mais tarde estão mais tempo sujeitas à acção das suas hormonas, mesmo as endógenas», adverte Joaquim Neves, acrescentando:

«O tratamento hormonal pode ser outro factor importante. As mulheres que tinham uma lesão pré-maligna e que se iria manifestar mais tarde, podem ver essa lesão estimulada através do tratamento. Por isso, a terapêutica hormonal de substituição é recomendável, mas pelo menor tempo e menor dose possível e nas mulheres em pós-menopausa com sintomas vasomotores.»

O tabagismo é também igualmente um elemento de risco, quer para o cancro da mama, quer para a osteoporose e doenças cardiovasculares, e que deve ser encarado com toda a atenção, uma vez que, hoje em dia, temos cada vez mais mulheres que fumam.

O facto de a mulher nunca ter engravidado contribui também para um maior risco de aparecimento do cancro da mama, pois a amamentação é um factor de protecção. Deste modo, no Hospital de Santa Maria, e para as mulheres em pós–menopausa, traça-se um perfil de risco do cancro da mama que tem como base questões como: «Quantas gravidezes teve? Tem história familiar? Fuma? E qual a antropometria, já que a deposição de gordura na mulher, em pós-menopausa, também está associada a um aumento do risco de cancro em geral, inclusive o cancro da mama.»

Raloxifeno: três em um

Mas para além das mamografia há outro tipo de prevenção que pode ser executada, através de um fármaco, nomeadamente o raloxifeno.

«O raloxifeno é um produto muito importante na saúde da mulher pós–menopausa. Pela primeira vez, temos um produto que demonstra capacidades muito encorajadoras. Em primeiro lugar, o raloxifeno protege a massa óssea da mulher», salienta Joaquim Neves.

Na verdade, quanto mais idade uma pessoa tem mais tendência há para a perda da massa óssea. Este problema agrava-se mais nas mulheres do que nos homens porque são mais leves, fazendo menos carga sobre a massa óssea, o que significa menos reforço dessa mesma massa.

Além disso, quando a mulher entra na menopausa, esta perde bruscamente os estrogénios, ou seja, o principal factor protector dos ossos.

Segundo Joaquim Neves, «o raloxifeno protege a massa óssea das mulheres e trata a osteoporose na coluna lombar, que é o tipo de osteoporose que surge mais cedo na mulher. Se não fizermos nada numa mulher que entra na menopausa, ela perde durante os primeiros cinco anos 15% da massa óssea e o diagnóstico da osteoporose surge numa altura em que ainda se podia prevenir».

Sendo o raloxifeno da mesma família do tamoxifeno, que está indicado na prevenção do cancro da mama, este novo fármaco está também indicado para o cancro da mama.

«Para além de proteger o osso e tratar a osteoporose, o raloxifeno diminui a incidência do cancro da mama em 66% nas mulheres de baixo risco, o que corresponde à maior parte da população. Temos um fármaco inovador porque é o primeiro a demonstrar diminuição da incidência do cancro da mama em mulheres de baixo risco. Qualquer mulher em pós-menopausa que não tenha contra-indicação para utilizar o raloxifeno, como tromboembolismo venoso profundo, deve ser uma candidata ao tratamento com este fármaco.»

Deste modo, para além de efeitos positivos no osso e no cancro da mama, o raloxifeno tem resultados muito promissores na área cardiovascular. Um dado importante, uma vez que, em Portugal, o cancro da mama não é a principal causa de morte das mulheres.

A principal causa de morte e incapacidade física da população portuguesa são as doenças cardiovasculares. Hoje em dia, sabe-se que metade da população portuguesa tem excesso de peso ou obesidade, constituindo um factor de risco na doença cardiovascular. Além disso, 50% da população adulta em Portugal (mais de 21 anos) sofre de hipertensão.

«Relativamente às mulheres, nós temos uma população pós-menopausa com alto risco cardiovascular e o raloxifeno é muito promissor nessa área, sobretudo nos doentes de risco cardiovascular. Os primeiros resultados, que são de quatro anos referentes ao estudo MORE, demonstram que nas mulheres com risco cardiovascular o raloxifeno diminui, em 40%, a incidência cardiovascular», afirma o obstetra, acrescentando:

«Se conseguirmos proteger o osso, diminuir o cancro da mama e reduzir o risco cardiovascular na mulher pós-menopausa, temos uma solução eficaz e inovadora. E é precisamente nestas três vertentes que o raloxifeno actua.»

Neste momento, os profissionais de saúde aguardam pelos resultados do estudo RUTH, que procura tornar mais consistentes os resultados cardiovasculares. Este estudo envolve dez mil mulheres de alto risco, sendo tratadas com o raloxifeno para diminuir a incidência de doenças cardiovasculares. No estudo STAR, que compara o raloxifeno e o tamoxifeno em mulheres de alto risco de cancro da mama, os resultados já começam a ser promissores.

Em tom de conclusão, Joaquim Neves declara que «pela primeira vez, na saúde da mulher em pós-menopausa, temos um medicamento muito promissor com resultados já demonstrados em duas áreas, nomeadamente no osso e na mama, sendo também igualmente muito promissor na área cardiovascular. No Hospital de Santa Maria, mulheres em pós-menopausa, sem sintomas vasomotores e sem contra-indicações, iniciam o raloxifeno».

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