O cancro do ovário afecta mortalmente cerca de 60% das mulheres cujo caminho se cruzou com o deste tumor maligno. A investigação que ganhou o 1.º Prémio de Investigação em Oncologia Sanofi-Aventis verificou que, através da análise de alguns aspectos particulares do genoma humano, é possível prever se a quimioterapia pode ou não ser uma terapêutica eficaz no carcinoma do ovário.
Intitulada «Perfil farmacogenómico como factor preditivo da resposta à quimioterapia com platinos:
o papel dos polimorfismos genéticos da glutationa s-transferase no carcinoma do ovário», esta investigação é fruto do trabalho conjunto de uma equipa de especialistas do Instituto Português de Oncologia (IPO) do Porto.
O Prémio de Investigação em Oncologia Sanofi-Aventis visa galardoar o melhor trabalho nacional de investigação nesta área. Trata-se de uma distinção criada pela Sociedade Portuguesa de Oncologia (SPO) com o patrocínio da farmacêutica mencionada.
A entrega do prémio aconteceu aquando do 10.º Congresso Nacional de Oncologia, no passado mês de Outubro. Com um valor de 15 mil euros, «este prémio visa estimular a investigação científica com base clínica na área da oncologia em Portugal, que tem sido uma actividade com poucos apoios», defende o Dr. Silva Ferreira, presidente da Sociedade Portuguesa de Oncologia.
Este trabalho vencedor, em termos práticos, poderá permitir que, ao encontrar o perfil farmacogenómico das mulheres com cancro do ovário, se escolha a terapêutica mais adequada a cada doente. Isto porque: «O que está em questão é saber como é que cada pessoa metaboliza os medicamentos aplicados no tratamento. E essa forma de os metabolizar pode ser diferente, porque depende de variações na constituição do genoma de cada indivíduo», explica a Dr.ª Deolinda Pereira, oncologista, em nome da equipa.
«O nosso grande objectivo foi conhecer o perfil das doentes em termos farmacogenéticos», afirma a especialista, acrescentando:
«Para isso, estudámos uma enzima – a glutationa s-transferase –, que é envolvida na metabolização dos fármacos, para mostrar que existe variabilidade genética nesta enzima, capaz de influenciar a resposta ao tratamento da quimioterapia.»
A melhor investigação das melhores
As principais conclusões da investigação galardoada foram que «as doentes que tinham a enzima glutationa mutada responderam melhor ao tratamento da quimioterapia, o reaparecimento do carcinoma do ovário foi menos frequente e o tempo de sobrevivência foi alargado nestas doentes», como descreve Deolinda Pereira.
Este grupo de investigadores do IPO Porto, agora premiado, iniciou a investigação em 1998. Trata-se de uma equipa integrada por clínicos que acompanham doentes oncológicos no dia-a-dia e investigadores em biologia molecular.
«Foram vários os trabalhos que concorreram a este prémio de oncologia», revela Silva Ferreira, «mas esta investigação foi unanimemente escolhida, porque se centra numa área nova de investigação farmacogenómica do carcinoma do ovário e apresentou resultados de grande interesse clínico».
Os vencedores e seus papeis
Os especialistas que arrecadaram o primeiro prémio:
– Dr.ª Catarina Portela, internista de Oncologia Médica – avaliação clínica das doentes envolvidas no estudo;
– Dr.ª Daniela Pinto, mestre em Oncologia – avaliação molecular do perfil farmacogenómico;
– Dr.ª Noémia Afonso, oncologista – análise estatística;
– Dr.ª José Leal da Silva – director do Serviço de Oncologia Médica 1;
– Dr.ª Deolinda Pereira, oncologista e directora do Hospital de Dia do IPO Porto – avaliação clínica e terapêutica das doentes envolvidas no estudo;
– Prof. Rui Medeiros, doutorado pela Faculdade de Medicina do Porto, investigador na área de Oncologia Molecular e Farmacogenómica – avaliação molecular do perfil farmacogenómico e responsável pela elaboração e coordenação do projecto.
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