Os portugueses apresentam um défice de conhecimento sobre os linfomas. A conclusão é de um estudo apresentado pela Associação Portuguesa de Leucemias e Linfomas (APLL), que incluiu uma amostra de indivíduos já foram informados sobre a doença (448) e outra de indivíduos que têm a doença (179). Os resultados desta análise indicaram que ambos os grupos apresentam um grau de informação insuficiente sobre os linfomas.
Os linfomas “são um conjunto heterogéneo de cancros no sistema linfático”, explica o Prof. Tavares de Castro, oncologista médico. Transversais a ambos os sexos, os linfomas representam a quinta causa de morte por cancro nos homens e a sexta causa de morte por cancro nas mulheres. Atingindo anualmente cerca de 1.700 pessoas em Portugal, este carcinoma está relacionado com o avanço da idade.
Os linfomas de Hodgkin e os não Hodgkin constituem os dois principais tipos de linfomas. A sua prevenção é complexa, porque não são conhecidas, até ao momento, as causas desta doença oncológica. Difícil é também diagnosticar um linfoma uma vez que os seus sintomas são similares aos de outras doenças. Tavares de Castro realça, no entanto, que “as pessoas devem estar atentas ao comportamento do seu corpo e procurar auxílio médico, caso se justifique”.
Segundo um estudo desenvolvido pela Associação Portuguesa de Leucemias e Linfomas (APLL), apenas 24% dos indivíduos com diagnóstico de linfoma pensam estar bem informados sobre a sua doença e 31% classificam de “muito bom” o seu conhecimento acerca dos tratamentos existentes. A quimioterapia e a radioterapia são os tratamentos mais conhecidos pelos indivíduos dos dois tipos de amostra (sem a doença e com a doença).
O mesmo estudo indica que apenas 30% dos doentes com algum tipo de linfoma conhecem a terapêutica mais avançada nesta área, baseada nos anticorpos monoclonais. Segundo o oncologista médico, esta terapêutica apresenta poucos efeitos adversos. O estudo sugere, ainda, que 10% da amostra afirmou ter procurado mais informação sobre os linfomas, principalmente, sobre as possibilidades de cura, os tipos de tratamentos existentes, a sua duração e grau de agressividade do cancro.
Procura de Informação
Mais de metade dos inquiridos com linfoma procura, regularmente, informações sobre a doença (65%). A sua fonte privilegiada de obtenção de informação é a Internet, escolhida por 81%, seguida por 61% de pesquisa nas revistas. Menos de metade dos inquiridos (44%) obteve informações sobre linfomas por intermédio do médico especialista, embora 52% reconheçam que a fonte mais adequada de informação é o oncologista ou hematologista.
Por sua vez, a fonte de informação privilegiada dos indivíduos sem a doença é a televisão (57%), apesar de valorizarem o papel da Internet na educação para a saúde. Para 23% destes indivíduos, a Internet pode ser, igualmente, uma fonte importante de divulgação da doença. Preocupado, Tavares de Castro questiona o rigor e fiabilidade dos conteúdos divulgados por este meio. Isto porque “a Internet é uma magnífica fonte de informação, mas tem dados muito díspares”.
As duas principais fontes de informação sobre linfomas do grupo de indivíduos sem a doença são a comunicação social e a família. A obtenção de informação acerca da existência da doença através da interacção com os profissionais e instituições de saúde foi uma realidade apenas para 14% dos inquiridos.
“Pedalar contra o linfoma”
Antecipando a comemoração do Dia Mundial do Linfoma que se assinalou no dia 15 de Setembro, a iniciativa Pedalar contra o linfoma, organizada pela APLL, pretendeu “sensibilizar a população em geral para esta problemática”, explica João Salazar, responsável pela associação. O passeio contou com a participação do ciclista Cândido Barbosa e os fundos obtidos com a iniciativa revertem a favor dos doentes, através de uma aplicação no seu tratamento e apoio emocional. Esta acção contou com a presença de cerca de mil participantes, e, nas palavras deste responsável, foi “um sucesso”,
Roche cria site sobre linfomas
O público em geral e, principalmente, os doentes com linfoma podem, a partir de agora, consultar o novo site sobre a doença, acedendo a www.linfoma.com.pt. Criado pela Roche, o sítio pretende, disponibilizar informação genérica sobre a doença, as formas de diagnóstico e de tratamento.
Jornal do Centro de Saúde
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