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Oiça a sua voz!

Porque a voz é uma ferramenta indispensável na comunicação e na socialização, há que cuidar dela. O que é sinónimo de evitar os factores que a prejudicam como o tabaco e as diferenças de temperatura. Mas também é sinónimo de um uso correcto e de ouvir a voz quando ela dá sinais de alterações.

Todos os dias ouvimos a nossa voz vezes sem conta. Mas será que a ouvimos verdadeiramente? E será que nos apercebemos de quão valiosa é a voz na comunicação e interacção com os outros?

A voz tem a ver com o som, mas é muito mais do que som. Ela é produzida quando o ar que sobe pela laringe faz vibrar as cordas vocais. É um mecanismo simples, tendo em conta o papel que a voz desempenha na nossa vida. Podemos comunicar de outras formas, por exemplo através da escrita e da linguagem gestual, mas é a voz o nosso principal veículo de comunicação: a fala concretiza-se na voz, com a qual expressamos opiniões, manifestamos interesse, exteriorizamos sentimentos.

Sem a voz, o nosso mundo ficaria, decerto, mais pequeno e limitado. E, no entanto, quantas vezes nos esquecemos disso e esforçamos a voz para além do saudável? No dia-a-dia todos sujeitamos a voz a agressões, algumas sem qualquer intenção.

 

Agressões mil

Basta pensar na poluição. Quando falamos em ambientes poluídos, estamos a inalar essas partículas potencialmente tóxicas, que deixam as mucosas da laringe e da faringe vulneráveis. A exposição prolongada pode causar inflamação das cordas vocais. E pode acontecer num ambiente aparentemente inofensivo como a nossa casa – com o pó em suspensão a entrar facilmente pelo nariz e pela boca – ou a escola – devido ao pó do giz que se liberta quando se escreve e quando se usa o apagador.

Mas há outras agressões que são da responsabilidade de cada um de nós. É o que se passa com o tabaco: o fumo dos cigarros causa irritação nas cordas vocais, podendo mesmo causar inflamação e inchaço; elas reagem a esta agressão produzindo muco, que se acumula favorecendo o desenvolvimento de pigarreio e tosse. A garganta fica seca, áspera e com expectoração.

Também as bebidas alcoólicas, especialmente as destiladas (aguardente e whisky), e a cafeína contribuem para a desidratação da laringe e da faringe, afectando a qualidade da voz. O efeito é progressivo, com os danos a instalarem-se lentamente.

Ainda em relação às bebidas, as muito quentes ou muito frias também são prejudiciais: é que o nosso corpo está a uma temperatura constante e tudo o que a desequilibre pode fazer com os que vasos sanguíneos se contraiam: no caso da garganta, o resultando são limitações na amplitude da voz.

Pelas mesmas razões, as diferenças de temperatura são igualmente nocivas para a voz, causando desidratação das mucosas e dando origem ao conhecido pigarreio. Mais uma vez, as cordas vocais estão a ser esforçadas.

E o esforço é, de facto, um dos principais factores que afectam a qualidade da voz. Pigarrear e tossir com frequência constituem abusos vocais, tal como gritar, falar muito e com poucas pausas, falar muito alto, sobretudo contra um ruído de fundo, falar depressa demais, falar com voz monocórdica. Estes abusos favorecem o risco de desenvolvimento de lesões benignas das cordas vocais.

[Continua na página seguinte]

Nesta lista de potenciais inimigos da voz incluem-se ainda as infecções respiratórias, como a gripe, e a doença do refluxo gastroesofágico, em que há subida dos ácidos do estômago causando irritação da garganta.

Há ainda que contar que alguns medicamentos podem afectar a voz. Os mecanismos subjacentes são vários, por exemplo, causando secura da mucosa que protege as cordas vocais: entre eles estão os antidepressivos, os relaxantes musculares, os diuréticos, os medicamentos para a pressão arterial, os anti-histamínicos (alergias), os anticolinérgicos e corticóides inalados (asma), entre outros. Não significa que todos os medicamentos destas categorias afectem a voz, apenas que essa possibilidade existe.

 

Para uma voz saudável

Contudo, é possível compensar os riscos, mantendo as cordas vocais hidratadas. É que as cordas vocais têm de estar bem lubrificadas para funcionarem correctamente: se a mucosa estiver seca, falar torna-se mais difícil. Todos o sabemos: é por isso que, de vez em quando, pigarreamos para limpar a garganta e clarear o discurso.

Para hidratar a garganta, nada melhor do que água. Em pequenos golos, ao longo do dia, de preferência cerca de dois litros, à temperatura ambiente. Se for necessário, também é útil fazer gargarejos com uma solução salina em água tépida, bem como lavar as fossas nasais com soro fisiológico.

A reduzir, pela saúde da garganta, é o consumo de bebidas alcoólicas e cafeinadas, pois provocam desidratação. Não fumar, evitar ambientes com fumo e ambientes com ar condicionado são outros cuidados eficazes. De evitar são também os alimentos condimentados, na medida em que dificultam a digestão e podem causar refluxo.

Fundamental é poupar a voz, fazendo pausas após o uso prolongado ou com intensidade muito forte, mantendo uma velocidade de discurso moderada e articulando bem a língua e os lábios sempre que se fala.

Quando se está constipado ou com gripe, deve usar-se a voz o mínimo possível, tal como se deve recorrer o mínimo possível ao hábito de tossir ou pigarrear.

Além disso, é importante ouvir o que a voz tem para nos dizer: a secura e a rouquidão são os principais sinais de queixa; quando se prolongam no tempo ou são frequentes, o melhor é consultar um especialista – o otorrinolaringologista.
Mas, acima de tudo, há que poupar a voz, porque ela não é indestrutível.

 

A origem da voz

Tudo começa com a vontade de falar: quando o cérebro a identifica, transmite impulsos nervosos aos músculos do sistema respiratório, a partir daí se desencadeando o processo físico da voz. Esses músculos contraem-se, gerando pressão sobre o ar existente nos pulmões: algum desse ar é forçado a subir pela traqueia até à laringe. Aí passa através das cordas vocais, fazendo-as vibrar. Gera-se então um som, som esse que vai ser alterado em função das características da cavidade oral de cada pessoa e das estruturas que se movimentam sempre que falamos (lábios, língua e maxilar). A voz é assim modulada.

Todos os dias ouvimos a nossa voz vezes sem conta. Mas será que a ouvimos verdadeiramente? E será que nos apercebemos de quão valiosa é a voz na comunicação e interacção com os outros?

A voz tem a ver com o som, mas é muito mais do que som. Ela é produzida quando o ar que sobe pela laringe faz vibrar as cordas vocais. É um mecanismo simples, tendo em conta o papel que a voz desempenha na nossa vida. Podemos comunicar de outras formas, por exemplo através da escrita e da linguagem gestual, mas é a voz o nosso principal veículo de comunicação: a fala concretiza-se na voz, com a qual expressamos opiniões, manifestamos interesse, exteriorizamos sentimentos.

Sem a voz, o nosso mundo ficaria, decerto, mais pequeno e limitado. E, no entanto, quantas vezes nos esquecemos disso e esforçamos a voz para além do saudável? No dia-a-dia todos sujeitamos a voz a agressões, algumas sem qualquer intenção.

 

Agressões mil

Basta pensar na poluição. Quando falamos em ambientes poluídos, estamos a inalar essas partículas potencialmente tóxicas, que deixam as mucosas da laringe e da faringe vulneráveis. A exposição prolongada pode causar inflamação das cordas vocais. E pode acontecer num ambiente aparentemente inofensivo como a nossa casa – com o pó em suspensão a entrar facilmente pelo nariz e pela boca – ou a escola – devido ao pó do giz que se liberta quando se escreve e quando se usa o apagador.

Mas há outras agressões que são da responsabilidade de cada um de nós. É o que se passa com o tabaco: o fumo dos cigarros causa irritação nas cordas vocais, podendo mesmo causar inflamação e inchaço; elas reagem a esta agressão produzindo muco, que se acumula favorecendo o desenvolvimento de pigarreio e tosse. A garganta fica seca, áspera e com expectoração.

Também as bebidas alcoólicas, especialmente as destiladas (aguardente e whisky), e a cafeína contribuem para a desidratação da laringe e da faringe, afectando a qualidade da voz. O efeito é progressivo, com os danos a instalarem-se lentamente.

Ainda em relação às bebidas, as muito quentes ou muito frias também são prejudiciais: é que o nosso corpo está a uma temperatura constante e tudo o que a desequilibre pode fazer com os que vasos sanguíneos se contraiam: no caso da garganta, o resultando são limitações na amplitude da voz.

Pelas mesmas razões, as diferenças de temperatura são igualmente nocivas para a voz, causando desidratação das mucosas e dando origem ao conhecido pigarreio. Mais uma vez, as cordas vocais estão a ser esforçadas.

E o esforço é, de facto, um dos principais factores que afectam a qualidade da voz. Pigarrear e tossir com frequência constituem abusos vocais, tal como gritar, falar muito e com poucas pausas, falar muito alto, sobretudo contra um ruído de fundo, falar depressa demais, falar com voz monocórdica. Estes abusos favorecem o risco de desenvolvimento de lesões benignas das cordas vocais.

[Continua na página seguinte]

Nesta lista de potenciais inimigos da voz incluem-se ainda as infecções respiratórias, como a gripe, e a doença do refluxo gastroesofágico, em que há subida dos ácidos do estômago causando irritação da garganta.

Há ainda que contar que alguns medicamentos podem afectar a voz. Os mecanismos subjacentes são vários, por exemplo, causando secura da mucosa que protege as cordas vocais: entre eles estão os antidepressivos, os relaxantes musculares, os diuréticos, os medicamentos para a pressão arterial, os anti-histamínicos (alergias), os anticolinérgicos e corticóides inalados (asma), entre outros. Não significa que todos os medicamentos destas categorias afectem a voz, apenas que essa possibilidade existe.

 

Para uma voz saudável

Contudo, é possível compensar os riscos, mantendo as cordas vocais hidratadas. É que as cordas vocais têm de estar bem lubrificadas para funcionarem correctamente: se a mucosa estiver seca, falar torna-se mais difícil. Todos o sabemos: é por isso que, de vez em quando, pigarreamos para limpar a garganta e clarear o discurso.

Para hidratar a garganta, nada melhor do que água. Em pequenos golos, ao longo do dia, de preferência cerca de dois litros, à temperatura ambiente. Se for necessário, também é útil fazer gargarejos com uma solução salina em água tépida, bem como lavar as fossas nasais com soro fisiológico.

A reduzir, pela saúde da garganta, é o consumo de bebidas alcoólicas e cafeinadas, pois provocam desidratação. Não fumar, evitar ambientes com fumo e ambientes com ar condicionado são outros cuidados eficazes. De evitar são também os alimentos condimentados, na medida em que dificultam a digestão e podem causar refluxo.

Fundamental é poupar a voz, fazendo pausas após o uso prolongado ou com intensidade muito forte, mantendo uma velocidade de discurso moderada e articulando bem a língua e os lábios sempre que se fala.

Quando se está constipado ou com gripe, deve usar-se a voz o mínimo possível, tal como se deve recorrer o mínimo possível ao hábito de tossir ou pigarrear.

Além disso, é importante ouvir o que a voz tem para nos dizer: a secura e a rouquidão são os principais sinais de queixa; quando se prolongam no tempo ou são frequentes, o melhor é consultar um especialista – o otorrinolaringologista.
Mas, acima de tudo, há que poupar a voz, porque ela não é indestrutível.

 

A origem da voz

Tudo começa com a vontade de falar: quando o cérebro a identifica, transmite impulsos nervosos aos músculos do sistema respiratório, a partir daí se desencadeando o processo físico da voz. Esses músculos contraem-se, gerando pressão sobre o ar existente nos pulmões: algum desse ar é forçado a subir pela traqueia até à laringe. Aí passa através das cordas vocais, fazendo-as vibrar. Gera-se então um som, som esse que vai ser alterado em função das características da cavidade oral de cada pessoa e das estruturas que se movimentam sempre que falamos (lábios, língua e maxilar). A voz é assim modulada.

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