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Obesidade » Para além de um problema estético, um problema de saúde

A obesidade e o excesso de peso são fruto da interacção entre factores genéticos e ambientais. Apenas um pequeníssimo número de casos se deve a outras causas, como doenças endócrinas, síndromes genéticas, tumores, etc.

Os hábitos alimentares incorrectos aprendem-se, maioritariamente, na infância. Aliás, é comum aceitar a frase «de pais gordos, filhos gordos». A sociedade actual impõe determinados hábitos alimentares que condicionam, em grande parte, o excesso de peso e a obesidade.

São muitas as condicionantes que impedem o seguimento de um regime alimentar correcto, pois, em muitas ocasiões, por necessidade de trabalho ou falta de tempo, as pessoas são obrigadas a comer fora de casa. A este tipo de alimentação chama-se «padrão alimentar de cafetaria».

Outro hábito relevante é o consumo de álcool. O álcool aporta muitas calorias «vazias» (sem nenhum valor nutritivo), que são utilizadas pelo organismo imediatamente. A energia fornecida pelos alimentos ingeridos, que passa a estar em excesso, é, por isso, armazenada, favorecendo o aumento de peso.

Riscos para a saúde

Mas a obesidade não é apenas um problema estético, é essencialmente um problema de saúde. As possíveis complicações que provêm da obesidade e do excesso de peso estão intimamente relacionadas com a distribuição de gordura no organismo e originam um conjunto de problemas a vários níveis.

Muitos indivíduos sofrem de dores, apresentam limitações da mobilidade e desenvolvem uma baixa auto-estima, depressão, ansiedade e outros problemas psicológicos, em virtude da existência de preconceitos sociais, discriminação e isolamento.

Além disso, a obesidade é a principal causa da diabetes tipo 2. O risco de desenvolver esta doença é três vezes maior nos indivíduos obesos, comparativamente aos indivíduos que apresentam um peso normal.

Outras situações clínicas que se associam são, por exemplo, a hipertensão arterial, as doenças ósseas e cardiovasculares, a apneia do sono e o cancro (as mulheres obesas têm um risco três vezes maior de desenvolvimento de cancro da mama, do útero e do ovário, sendo o risco de cancro do endométrio sete vezes superior).

Formas de tratamento

A esmagadora maioria dos profissionais de Saúde concorda que o tratamento da obesidade deverá passar por uma série de medidas reeducativas. Elas vão desde o comportamento e hábitos alimentares à alteração de estilos de vida sedentários em que a população faz cada vez menos exercício, ao mesmo tempo que aumenta o consumo de gorduras.

Existem evidências claras de que uma perda de peso moderada e mantida, de apenas 5 a 10% do peso corporal inicial, é suficiente para proporcionar melhorias clinicamente significativas das co-morbilidades associadas à obesidade.

Diversos estudos demonstraram que uma perda de peso modesta está associada à redução da pressão arterial, à melhoria da sensibilidade à insulina e do controlo glicémico e a um perfil lipídico menos aterogénico.

Em face destas evidências clínicas, directrizes recentes enfatizam a perda de peso moderada como sendo um objectivo adequado e realista para o controlo do excesso de peso e não o atingir de um suposto peso ideal, muitas vezes impossível de conseguir.

As formas de tratamento normalmente mais utilizadas são duas: um plano alimentar com restrição calórica, combinado com uma actividade física adequada, ou o plano alimentar com restrição calórica e a actividade física, combinadas com terapêutica com medicamentos.

A terapêutica com fármacos é parte de um plano de acções para o controlo de peso, que inclui modificações a nível comportamental, dos hábitos alimentares e da actividade física. As metas deste tipo de tratamento são a redução dos factores de risco para doenças associadas, como a hipertensão arterial e a diabetes, assim como a redução do peso corporal.

Existem medicamentos para ajudar a tratar a obesidade, podendo dividir-se em dois grandes grupos: de acção central e de acção periférica. Mas a medicação isolada não é solução. Ela tem de ser combinada com um plano alimentar adequado e com a prática regular de actividade física, estipulados pelo seu médico ou nutricionista.

Os doentes com excesso de peso não necessitam de atingir o seu peso corporal ideal para conseguirem benefícios significativos para a saúde. Aceita-se que uma perda de peso de pelo menos 5% do peso corporal inicial é suficiente para se conseguirem melhorias clinicamente significativas relativamente a doenças associadas ao excesso de peso.

O tratamento do excesso
de peso/obesidade

O primeiro passo para resolver o problema de excesso de peso ou obesidade é modificar o estilo de vida. No entanto, as dietas e as modificações comportamentais têm um sucesso limitado no emagrecimento e na manutenção dos resultados a longo prazo.

Por isso, coloca-se a opção, quando necessário, de recorrer a uma terapêutica farmacológica que seja comprovadamente eficaz, segura a longo prazo e que ajude a reeducar os hábitos alimentares.

O orlistat, comercialmente designado por Xenical, é um fármaco antiobesidade com um mecanismo de acção francamente inovador. É um potente inibidor das lípases intestinais e inibe a absorção de 30% da gordura ingerida, que é a principal causa de obesidade. Deste modo, a quantidade de gordura expulsa nas fezes é proporcional à quantidade de gordura ingerida.

Associado a uma dieta, o orlistat promove uma perda de peso significativamente maior e produz resultados visíveis desde o começo do tratamento. Além disso, a perda de peso alcançada com este fármaco continua a ser significativa após dois anos de tratamento.

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