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O médico do doente

Está na linha da frente, em vários serviços do hospital, desde a urgência, às enfermarias de várias especialidades, nas consultas externas e no internamento. Faz a chamada gestão do doente e é com o médico internista que o doente contacta pela primeira vez quando se dirige a um hospital. Conheça melhor esta especialidade.

O médico internista é um médico predominantemente hospitalar que demora cerca de doze anos a formar-se depois de entrar na Faculdade de Medicina e que está um pouco por todo o lado dentro do hospital. “Pode ser encontrado na urgência, na consulta externa, no internamento e nas enfermarias das várias especialidades em termos médicos.

É não só especializado no diagnóstico mas um gestor do doente dentro do hospital”, explica o Dr. António Martins Baptista, presidente da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna (SPMI). É o médico que em primeiro lugar diagnostica a doença do utente e ou o trata ou encaminha para outra especialidade.

“As chefias de todas as urgências deste país são feitas por um internista”, explica António Martins Baptista. A Medicina Interna é predominantemente uma especialidade hospitalar. A Medicina Geral e Familiar dedica-se a evitar que a pessoa fique doente e os médicos internistas são os médicos do doente.

“Eu diria que o médico de Medicina Geral e Familiar trata o doente quando não é muito grave e quando o é encaminha para o hospital, para ser visto por um internista”, acrescenta o presidente da SPMI. São eles que falam com o doente, que ouvem as suas queixas, observam-no, recolhem os sintomas e elaboram um diagnóstico.

Sociedade Portuguesa de Medicina Interna comemora 60 anos

A especialidade existe desde o fim do século XIX e os médicos internistas cuidam dos portugueses há mais anos do que os 60 agora comemorados pela SPMI. A Sociedade criou uma campanha no âmbito da efeméride para que as pessoas entendam que há um médico que toma conta delas, prescreve apenas os exames estritamente necessários (nem mais nem menos) e tem a tarefa de gerir o seu caminho dentro do hospital depois do diagnóstico adequado.

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“Aproveitámos a comemoração dos 60 anos para comunicar para o exterior. A sociedade tem apostado numa comunicação dentro do sector da saúde mas já amadureceu o suficiente em termos de orgânica para comunicar para a sociedade em geral.” Esta campanha é formalizada através de um poster que está distribuído nos vários serviços hospitalares do país. Cada médico vai ter um dístico para que as pessoas olhem e questionem quem é o médico internista a quem será dado um folheto explicativo de seguida. “Vamos editar alguns livros e realizar algumas conferências. Temos algumas outras iniciativas que vão decorrer ao longo do ano”, confere António Martins Baptista.

Motivar jovens especialistas

O presidente da SPMI defende que “o incentivo deve partir dos internistas mais velhos”. Todos os jovens médicos passam pela Medicina Interna durante o seu treino e na verdade “há cada vez mais jovens com notas altas a escolher a especialidade”. O médico defende que os jovens têm o fascínio tecnológico das máquinas quando essencialmente o diagnóstico passa por conversar com o doente, recolher uma boa história clínica e fazer uma boa observação.

“É muito frequente os doentes irem à nossa consulta com um saco cheio de exames porque andaram em consultas de especialidade em especialidade sem conseguirem um diagnóstico adequado. Por vezes, basta falar durante algum tempo com o médico internista para se realizar um bom diagnóstico”, garante António Martins Baptista.

O médico considera que “os próprios doentes já são subvertidos pelo sistema e respondem às questões do médico com os relatórios dos inúmeros exames que realizaram. Ter tempo para o doente custa dinheiro e é preciso que quem decide em saúde perceba isso.”

Para a população em geral, António Martins Baptista explica que “quando sentir que a sua doença é complexa, deve procurar um serviço com médico um internista pois será o caminho mais rápido para a resolução do seu problema”. Existe uma consulta externa nos hospitais dirigida por médicos internistas cuja lista de espera não é grande havendo uma capacidade de resposta relativamente rápida.

Jornal do Centro de Saúde

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