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O Grupo de Trabalho Internacional para o Tratamento da Dor propõe novas recomendações de tratamento para a dor moderada a grave

Na sequência de recomendações emanadas da EMEA (Agência Europeia de Avaliação dos Medicamentos) e da FDA (Food and Drug Administration – Agência norte-americana para a segurança dos alimentos e dos medicamentos), sobre a segurança dos AINEs clássicos e dos inibidores selectivos da COX-2, o Grupo de Trabalho Internacional para o Tratamento da Dor (WGPM – Working Group on Pain Management) reuniu-se uma segunda vez e emitiu novas recomendações que visam auxiliar os profissionais de saúde não especialistas no tratamento a proporcionar aos milhões de doentes que sofrem de dor moderada a grave, espalhados pelo mundo inteiro.

O WGPM é um grupo internacional e multidisciplinar de especialistas de renome no campo da dor que procedeu à revisão de dados existentes com o intuito de elaborar recomendações revistas face às dúvidas relativas à utilização dos inibidores da COX-2 e dos AINEs. Casos recentes conduziram a uma redução do uso de toda a classe dos AINEs, bem como a uma reconsideração do uso de agentes alternativos, como o paracetamol em associação com opióides fracos, sobretudo o tramadol.

Os membros do WGPM – cujas especialidades incluem o tratamento da dor, a reumatologia, a anestesiologia e a farmacologia – avaliaram os novos desenvolvimentos regulamentares ocorridos ao longo do período de seis meses desde o último encontro.

O seu objectivo consiste em proporcionar à comunidade internacional de profissionais de saúde uma orientação clara para o tratamento da dor moderada a grave, que seja consistente com os pareceres emitidos pelas autoridades reguladoras europeia e norte-americana. As recomendações do grupo de trabalho incluem quer as terapêuticas farmacológicas quer as não farmacológicas.

Os debates que tiveram lugar centraram-se nas abordagens adequadas ao tratamento de três tipos comuns de dor moderada a grave: dor osteoarticular, dor na região lombar e dor aguda causada por ferimentos e/ou cirurgia de doentes em ambulatório.

Abordagem multimodal integrada enquanto regime de eleição

Verificou-se um consenso claro após uma vastíssima apreciação das terapêuticas analgésicas, incluindo os inibidores da COX-2, os AINEs não selectivos, o paracetamol e os opióides fracos. O WGPM recomenda vivamente uma abordagem multimodal integrada no tratamento da dor moderada a grave, com um aumento do uso dos agentes opióides fracos, sobretudo o tramadol, e de associações de opióides fracos, em vez dos AINEs utilizados isoladamente. As associações multimodais de opióides proporcionam uma alternativa eficaz aos AINEs, na medida em que evitam os efeitos gastrintestinais e cardiovasculares que foram associados aos medicamentos anti-inflamatórios.

O WGPM recomenda a utilização do paracetamol em associação com o tramadol como o regime de eleição no caso dos doentes que necessitam de uma analgesia a longo prazo e dos grupos de doentes que apresentam um risco cardiovascular ou renal acrescido, como os idosos e os doentes com co-morbilidades como a diabetes.

Estas directrizes do WGPM estão em sintonia com o actual parecer regulamentar destinado aos médicos, segundo o qual os medicamentos anti-inflamatórios devem ser utilizados na dose eficaz mais baixa e durante o mais curto espaço de tempo possível, devendo ser evitados nos doentes em situação de risco cardiovascular ou renal.

Necessidade de formação e apoio devido a dúvidas quanto a uma orientação clara.

A falta de uma orientação clara sobre os regimes analgésicos alternativos fez com que muitos dos médicos ficassem com dúvidas quanto ao que deveriam receitar aos seus doentes com dor moderada a grave.

Os dados actuais relativos à prescrição de medicamentos obtidos nos países da União Europeia (UE) reflectem estas dúvidas: o abandono sistemático dos inibidores da COX-2 parece estar associado a uma escolha inadequada de alternativas. Existem indicadores segundo os quais os doentes passam, frequentemente, a tomar os medicamentos que recebiam antes da entrada no mercado dos inibidores da COX-2 – regra geral, AINEs não selectivos.

Os membros do WGPM reconheceram o papel crucial que os profissionais de saúde, nomeadamente os médicos de clínica geral, enfermeiros e farmacêuticos, desempenham no tratamento dos doentes com dor moderada a grave.

O grupo voltou a sublinhar a necessidade de formação e aconselhamento sobre os protocolos de tratamento destinados a apoiar os referidos não especialistas na sua selecção de estratégias de prescrição e de programas de tratamento apropriados aos doentes.

As directrizes revistas sugeridas pelo Grupo de Trabalho para o Tratamento da Dor centram-se numa abordagem faseada de prestação de cuidados, que vai ao encontro das necessidades individuais de cada doente, proporcionando, assim, uma analgesia eficaz e uma boa tolerabilidade, com base em regimes farmacológicos que sejam seguros e fáceis de utilizar.

As abordagens multimodais com analgésicos associados, como o paracetamol com o tramadol, proporcionam uma potência analgésica aditiva ou sinérgica, com a vantagem de uma redução dos efeitos secundários, decorrente de uma dosagem mais baixa dos componentes individuais.

Este facto reveste-se de particular importância para os idosos e outros grupos de doentes que não toleram nem os AINEs nem os inibidores da COX-2 ou que podem vir a ser afectados pelos seus efeitos adversos.

www.painworkinggroup.org

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