Portugal continua a ser um dos países em que a hipertensão arterial tem maior importância em Saúde Pública. A hipertensão, primeira causa do Acidente Vascular Cerebral, é uma doença silenciosa, não tem cura, mas pode ser tratada e controlada. Muitos antes do seu aparecimento, está nas suas mãos apostar na prevenção.
A solução? Passa por medir, medir e medir. Porque é que nos estamos a repetir? Porque nunca é demais passar a mensagem e convencê-lo, a si, caro leitor, que é essencial medir a sua pressão arterial. A sua saúde agradece! O Jornal do Centro de Saúde antecipa as comemorações do mês do coração, da responsabilidade da Fundação Portuguesa de Cardiologia e da SPH, este ano dedicado à hipertensão arterial.
Um estudo epidemiológico da autoria do Prof. Espiga Macedo indica que, cerca de 40 a 46% da população portuguesa, é hipertensa. “Nem todos as pessoas que são hipertensas sabem que o são. Por outro lado, nem todos estão bem tratadas, ou seja, não estão devidamente controladas”, explica o Dr. Pedro Marques da Silva, especialista em hipertensão e em Medicina Interna, do Hospital de Santa Marta.
O problema não é exclusivo de Portugal. “A taxa de doentes hipertensos não controlados é muito semelhante em todos os países da Europa”, diz-nos. Pedro Marques da Silva defende que “os sistemas de saúde europeus derivam de uma estrutura eminentemente curativa e não preventiva”. A aposta deverá, pois, passar pela prevenção desde tenra idade.
É um facto que “as pessoas não medem a sua tensão arterial”, indica o Prof. Luís Martins, presidente da Sociedade Portuguesa de Hipertensão (SPH). Na sua opinião, “o que temos assistido fundamentalmente é a discussão da doença em Portugal. Aquilo que quero que os leitores entendam é que é preciso intervir muito antes de serem necessários cuidados de saúde”.
A doença que não dói
Normalmente, os sintomas já surgem numa fase muito avançada, ou seja, quando já existem complicações decorrentes da hipertensão arterial. “Quando a doença dá sinais, normalmente já é tarde”, alerta Luís Martins. Como não dói, é fácil “passar despercebida”.
Existem vários factores de risco que contribuem para o aparecimento da hipertensão. Pedro Marques da Silva comenta, em tom de brincadeira, que “a primeira coisa seria escolher bem os pais, mas todos sabemos que isso não é possível”. Na verdade, a hipertensão possui alguma “carga genética”. Todos os aspectos da doença hipertensiva “são modelados por determinados genes. Nós sabemos que ter uma mãe com hipertensão arterial é um factor de risco para vir a ter a doença no futuro. O risco é ainda maior quando também o pai é hipertenso”, fundamenta.
Novamente em tom de brincadeira, Pedro Marques da Silva comenta que “já que não se pode escolher os pais, podemos optar por estilos de vida saudáveis”.
A primeira regra passa pela redução do consumo de sal. “Os portugueses continuam a ter consumos que ultrapassam as doze gramas diárias quando a Organização Mundial de Saúde aponta para valores inferiores a cinco, seis.” A redução significativa da ingestão de sal “teria implicações de saúde pública muito importantes”.
Além desta regra de ouro, “seria necessário compensar o sedentarismo, a dieta equilibrada e a obesidade”. O tabaco, só por si, “não provoca hipertensão arterial mas contribui para o risco trombótico”.
O presidente da SPH partilha desta opinião e aconselha: “é importante que não se deixem engordar e é fundamental praticarem algum exercício físico”. Desengane-se se pensa que tem forçosamente de ir para um ginásio. “A caminhada deveria ser enraizada nos hábitos dos portugueses.
Andar meia hora, quatro a cinco vezes por semana, ajuda a perder peso e mantém o sistema cardiovascular saudável”. Esta é uma das medidas principais. “Deve tentar-se contrariar os hábitos da urbanização da sociedade”, afirma Luís Martins.
Quando deve medir a sua tensão arterial?
“Eu gostaria que não houvesse ninguém entre os 30 e os 40 anos que não soubesse qual é a sua tensão arterial”, fundamenta Pedro Marques da Silva. Caso tenha de se dirigir a uma unidade de saúde, por qualquer motivo, “meça a sua pressão arterial e não saia de lá sem saber quais são os seus valores”. Se não contactar com nenhuma instituição de saúde, dirija-se a uma farmácia ou meça a sua tensão em casa.
“Se os valores estiverem normais, volte a medir passado um ano”, aconselha Pedro Marques da Silva. Se os valores não forem normais mas estiverem dentro de parâmetros regulares, volte a medir passados três meses. “Se estiverem muito altos, dirija-se ao seu médico assistente e volte a medir porque ninguém pode ser considerado hipertenso só com uma medição”. Se o seu médico verificar que tem manifestações de hipertensão, “há que ser iniciado o tratamento”.
Regra de ouro: nunca abandonar a medicação!
Pedro Marques da Silva considera que os doentes hipertensos devem ter um medidor de tensão em casa, “tendo em conta a facilidade que há hoje em tê-lo porque evita outras complicações”. No entanto, há que respeitar algumas regras importantes.
Em primeiro lugar, deverá adquirir um medidor devidamente validado. Pode certificar-se desta situação na farmácia e verificar pelos símbolos identificativos. “Deve evitar-se comprar aparelhos de pulso porque são pouco fiáveis e porque têm alguns cuidados na medição da pressão arterial que não são cumpridos diariamente, pelos doentes. Logo, tornam pouco úteis a sua utilização.”
Por outro lado, ter um aparelho de medição em casa “não significa que o doente possa fazer juízos sobre a sua medicação”. Ou seja, nunca deve auto-medicar-se, não pode nem deve suspender ou modificar a sua medicação, mesmo que tenha verificado valores tensionais normais. “A relação com o seu médico assistente deve ser mantida periodicamente. O doente deve sim questionar o seu clínico após os seus registos diários”, explica o especialista de Medicina Interna do Hospital de Santa Marta.
A auto-medição não deve originar “comportamentos obsessivos”. No entanto, “é extremamente útil para que o doente se envolva no seu projecto de terapêutica”. Não é possível criar uma regra que indique, de quanto em quanto tempo, é que os doentes hipertensos devem medir a sua tensão. “Depende do doente e da situação.
Deve ser estabelecida uma regra entre o doente e o médico”. Se optar por esta prática, não deixe que a mesma lhe crie ansiedade. “A auto-medição é contra-indicada se as pessoas se tornarem dependentes deste acto”. Este comportamento deve servir sobretudo para “indicar os registos ao médico assistente”. É muito importante envolver as pessoas no seu próprio controlo”, explica Luís Martins.
Nunca abandone a medicação sem consentimento do seu médico! Não deve alterar o seu dia-a-dia por sua própria iniciativa. A medicação é essencial para que “o doente se continue a sentir bem. Em 95% dos casos, o diagnóstico de hipertensão é para toda a vida”, reforça o presidente da SPH.
Associação dos Hipertensos de Portugal (AHP)
Surgiu da consciencialização de um grupo de doze doentes de que “era necessário mobilizar e esclarecer os hipertensos dos riscos que correm se não controlarem a sua doença”, explica o Dr. Jorge Periquito, presidente da associação. Com o objectivo de esclarecer, informar e mobilizar todos os hipertensos portugueses a combater os efeitos desta doença, conta neste momento com 3000 sócios, espalhados por todo o território nacional. O tipo de ajuda prestado é formativo e informativo, através do site http://www.ahipertensosportugal.pt e da realização da campanha “Atenção à sua tensão” que decorre a nível nacional.
Guarde este número: 800 207 846
É o número da linha verde do doente hipertenso que tem como objectivo ouvir as dúvidas dos doentes e “encaminhá-los consoante as questões colocadas aos dois médicos que atendem a linha”, explica Jorge Periquito. A chamada é gratuita e responde a todas as dúvidas relacionadas com a hipertensão arterial, em todas as suas vertentes.
Cursos para doentes
Constituem uma novidade promovida pela AHP. São sessões de esclarecimento sobre a doença, quais as causas, os sintomas e as suas consequências. “Estes cursos são interactivos e permitem que os doentes façam perguntas directamente ao médico e ao enfermeiro que colaboram nos mesmos”. Anote na sua agenda as datas dos próximos cursos e não deixe de participar:
7 e 8 de Maio das 10h00 às 11h30, no Jumbo de Alfragide;
2 e 30 de Junho, às 15h00, na Casa do Brasil, em Santarém.
A solução? Passa por medir, medir e medir. Porque é que nos estamos a repetir? Porque nunca é demais passar a mensagem e convencê-lo, a si, caro leitor, que é essencial medir a sua pressão arterial. A sua saúde agradece! O Jornal do Centro de Saúde antecipa as comemorações do mês do coração, da responsabilidade da Fundação Portuguesa de Cardiologia e da SPH, este ano dedicado à hipertensão arterial.
Um estudo epidemiológico da autoria do Prof. Espiga Macedo indica que, cerca de 40 a 46% da população portuguesa, é hipertensa. “Nem todos as pessoas que são hipertensas sabem que o são. Por outro lado, nem todos estão bem tratadas, ou seja, não estão devidamente controladas”, explica o Dr. Pedro Marques da Silva, especialista em hipertensão e em Medicina Interna, do Hospital de Santa Marta.
O problema não é exclusivo de Portugal. “A taxa de doentes hipertensos não controlados é muito semelhante em todos os países da Europa”, diz-nos. Pedro Marques da Silva defende que “os sistemas de saúde europeus derivam de uma estrutura eminentemente curativa e não preventiva”. A aposta deverá, pois, passar pela prevenção desde tenra idade.
É um facto que “as pessoas não medem a sua tensão arterial”, indica o Prof. Luís Martins, presidente da Sociedade Portuguesa de Hipertensão (SPH). Na sua opinião, “o que temos assistido fundamentalmente é a discussão da doença em Portugal. Aquilo que quero que os leitores entendam é que é preciso intervir muito antes de serem necessários cuidados de saúde”.
A doença que não dói
Normalmente, os sintomas já surgem numa fase muito avançada, ou seja, quando já existem complicações decorrentes da hipertensão arterial. “Quando a doença dá sinais, normalmente já é tarde”, alerta Luís Martins. Como não dói, é fácil “passar despercebida”.
Existem vários factores de risco que contribuem para o aparecimento da hipertensão. Pedro Marques da Silva comenta, em tom de brincadeira, que “a primeira coisa seria escolher bem os pais, mas todos sabemos que isso não é possível”. Na verdade, a hipertensão possui alguma “carga genética”. Todos os aspectos da doença hipertensiva “são modelados por determinados genes. Nós sabemos que ter uma mãe com hipertensão arterial é um factor de risco para vir a ter a doença no futuro. O risco é ainda maior quando também o pai é hipertenso”, fundamenta.
Novamente em tom de brincadeira, Pedro Marques da Silva comenta que “já que não se pode escolher os pais, podemos optar por estilos de vida saudáveis”.
A primeira regra passa pela redução do consumo de sal. “Os portugueses continuam a ter consumos que ultrapassam as doze gramas diárias quando a Organização Mundial de Saúde aponta para valores inferiores a cinco, seis.” A redução significativa da ingestão de sal “teria implicações de saúde pública muito importantes”.
Além desta regra de ouro, “seria necessário compensar o sedentarismo, a dieta equilibrada e a obesidade”. O tabaco, só por si, “não provoca hipertensão arterial mas contribui para o risco trombótico”.
O presidente da SPH partilha desta opinião e aconselha: “é importante que não se deixem engordar e é fundamental praticarem algum exercício físico”. Desengane-se se pensa que tem forçosamente de ir para um ginásio. “A caminhada deveria ser enraizada nos hábitos dos portugueses.
Andar meia hora, quatro a cinco vezes por semana, ajuda a perder peso e mantém o sistema cardiovascular saudável”. Esta é uma das medidas principais. “Deve tentar-se contrariar os hábitos da urbanização da sociedade”, afirma Luís Martins.
Quando deve medir a sua tensão arterial?
“Eu gostaria que não houvesse ninguém entre os 30 e os 40 anos que não soubesse qual é a sua tensão arterial”, fundamenta Pedro Marques da Silva. Caso tenha de se dirigir a uma unidade de saúde, por qualquer motivo, “meça a sua pressão arterial e não saia de lá sem saber quais são os seus valores”. Se não contactar com nenhuma instituição de saúde, dirija-se a uma farmácia ou meça a sua tensão em casa.
“Se os valores estiverem normais, volte a medir passado um ano”, aconselha Pedro Marques da Silva. Se os valores não forem normais mas estiverem dentro de parâmetros regulares, volte a medir passados três meses. “Se estiverem muito altos, dirija-se ao seu médico assistente e volte a medir porque ninguém pode ser considerado hipertenso só com uma medição”. Se o seu médico verificar que tem manifestações de hipertensão, “há que ser iniciado o tratamento”.
Regra de ouro: nunca abandonar a medicação!
Pedro Marques da Silva considera que os doentes hipertensos devem ter um medidor de tensão em casa, “tendo em conta a facilidade que há hoje em tê-lo porque evita outras complicações”. No entanto, há que respeitar algumas regras importantes.
Em primeiro lugar, deverá adquirir um medidor devidamente validado. Pode certificar-se desta situação na farmácia e verificar pelos símbolos identificativos. “Deve evitar-se comprar aparelhos de pulso porque são pouco fiáveis e porque têm alguns cuidados na medição da pressão arterial que não são cumpridos diariamente, pelos doentes. Logo, tornam pouco úteis a sua utilização.”
Por outro lado, ter um aparelho de medição em casa “não significa que o doente possa fazer juízos sobre a sua medicação”. Ou seja, nunca deve auto-medicar-se, não pode nem deve suspender ou modificar a sua medicação, mesmo que tenha verificado valores tensionais normais. “A relação com o seu médico assistente deve ser mantida periodicamente. O doente deve sim questionar o seu clínico após os seus registos diários”, explica o especialista de Medicina Interna do Hospital de Santa Marta.
A auto-medição não deve originar “comportamentos obsessivos”. No entanto, “é extremamente útil para que o doente se envolva no seu projecto de terapêutica”. Não é possível criar uma regra que indique, de quanto em quanto tempo, é que os doentes hipertensos devem medir a sua tensão. “Depende do doente e da situação.
Deve ser estabelecida uma regra entre o doente e o médico”. Se optar por esta prática, não deixe que a mesma lhe crie ansiedade. “A auto-medição é contra-indicada se as pessoas se tornarem dependentes deste acto”. Este comportamento deve servir sobretudo para “indicar os registos ao médico assistente”. É muito importante envolver as pessoas no seu próprio controlo”, explica Luís Martins.
Nunca abandone a medicação sem consentimento do seu médico! Não deve alterar o seu dia-a-dia por sua própria iniciativa. A medicação é essencial para que “o doente se continue a sentir bem. Em 95% dos casos, o diagnóstico de hipertensão é para toda a vida”, reforça o presidente da SPH.
Associação dos Hipertensos de Portugal (AHP)
Surgiu da consciencialização de um grupo de doze doentes de que “era necessário mobilizar e esclarecer os hipertensos dos riscos que correm se não controlarem a sua doença”, explica o Dr. Jorge Periquito, presidente da associação. Com o objectivo de esclarecer, informar e mobilizar todos os hipertensos portugueses a combater os efeitos desta doença, conta neste momento com 3000 sócios, espalhados por todo o território nacional. O tipo de ajuda prestado é formativo e informativo, através do site http://www.ahipertensosportugal.pt e da realização da campanha “Atenção à sua tensão” que decorre a nível nacional.
Guarde este número: 800 207 846
É o número da linha verde do doente hipertenso que tem como objectivo ouvir as dúvidas dos doentes e “encaminhá-los consoante as questões colocadas aos dois médicos que atendem a linha”, explica Jorge Periquito. A chamada é gratuita e responde a todas as dúvidas relacionadas com a hipertensão arterial, em todas as suas vertentes.
Cursos para doentes
Constituem uma novidade promovida pela AHP. São sessões de esclarecimento sobre a doença, quais as causas, os sintomas e as suas consequências. “Estes cursos são interactivos e permitem que os doentes façam perguntas directamente ao médico e ao enfermeiro que colaboram nos mesmos”. Anote na sua agenda as datas dos próximos cursos e não deixe de participar:
7 e 8 de Maio das 10h00 às 11h30, no Jumbo de Alfragide;
2 e 30 de Junho, às 15h00, na Casa do Brasil, em Santarém.