Descrição da Doença: A doença de Hurler, e as suas formas mais moderadas: Schele (MPS I-S) e Hurler-Schele (MPS I-H/S), pertence ao grupo das Mucopolissacaridoses (MPS), que se caracterizam pela acumulação de mucopolissacáridos, mais recentemente designados por glicosaminoglicanos (GAGs).
A MPS I ou Doença de Hurler é causada pela deficiência em –iduronidase, enzima que catalisa a degradação de dois (GAGs), o sulfato de dermatano e o sulfato de heparano, a acumulação progressiva destes compostos no tecido conectivo, origina diferentes alterações em diferentes tecidos e órgãos.
Esta patologia apresenta uma transmissão autossómica recessiva, o gene (IDUA) que codifica para a –iduronidase, localiza-se no cromossoma 4p16.3. A prevalência, descrita para a MPS I varia entre 1/88000 e 1/83000, nados vivos, na população Australiana e Holandesa, respectivamente, na população Portuguesa e prevalência é de 1/75000.
Sintomas
Os principais sintomas clínicos são: alterações faciais e esqueléticas, disostose múltipla, atraso de crescimento, rigidez das articulações, opacidade da córnea, alterações cardíacas, obstrução das vias respiratórias superiores, hepatoesplenomegalia, hérnias e nas formas mais severas atraso mental. Clinicamente consideram-se três fenótipos diferentes, de acordo com a existência e o grau do atraso mental.
Na MPS I-H, a criança é normal à nascença, os sinais aparecem progressivamente ao longo do primeiro ano. O quadro clínico associa hérnias, dismorfia facial, hirsutismo, limitações oculares, disostose múltipla, nanismo, hepatoesplenomegalia, complicações cardíacas, surdez, ataque respiratório, opacidade da córnea, e regressão psicomotora acabando num atraso mental severo.
Na doença de Schele, a inteligência é conservada e os problemas são sobretudo cardíacos e oculares.
Tratamento
A –iduronidase humana recombinante, laronidase, foi aprovada pela European Medicines Agency (EMEA – Junho de 2003), com o nome de Aldurazyme para a terapia enzimática de substituição de doentes com MSP I. Cerca de 70 doentes estão em tratamento nos diferentes países da EU, nomeadamente Alemanha, França, Reino Unido, Itália, Espanha, Bélgica, Grécia, Holanda, Eslováquia, Croácia, Finlândia, e cerca de 100 dos doentes nos Estados Unidos da América.
Os resultados obtidos demonstram a diminuição da acumulação e excreção dos glicosaminoglicanos na urina, uma diminuição da visceromegalia (hepato e esplenomegalia), uma melhoria na obstrução das vias, respiratórias, diminuição, da rigidez das articulações, melhoria das alterações cardíacas, tendo consequências importantes na qualidade de vida dos doentes. Os resultados da terapia serão tanto mais eficazes quanto mais cedo esta for iniciada. Assim, a partir da aprovação da Aldurazyme em Junho de 2003, todos os doentes com MPS I deverão ser reavaliados e tratados, seguindo o principio de equidade estabelecido na Constituição Portuguesa.
O transplante de medula, tem sido utilizado em diferentes países. No entanto, esta estratégia tem muitas limitações, para além dos riscos de mortalidade, este tipo de terapia só é recomendado quando existe um dador da família que seja compatível e que não seja heterozigoto para uma mutação no gene da –iduronidase. Os resultados obtidos com transplante da medula demonstram que não existem melhorias a nível das alterações ósseas e oftalmológicas.
MediaHealth® Portugal
www.mediahealthportugal.com