Médicos do Mundo-Portugal reforça intervenção na Guiné-Bissau
A intervenção de MdM-P vai permitir a 4000 famílias e 10 mil pessoas assistir a sessões de IEC, distribuir 1000 recipientes para lavagem de mãos e 4000 folhetos com informação para prevenção da cólera. Ao mesmo tempo, vão ser desinfectados 1800 domicílios e 300 latrinas, distribuídos 6000 litros de lixívia e vai ser feita a procura activa de novos casos em 6000 domicílios.
Nesta intervenção, Médicos do Mundo – Portugal conta com o apoio da delegação espanhola que desde Setembro passado enviou para a Guiné-Bissau um médico e um logístico para apoiar o combate à cólera na região do Biombo. Neste momento avaliamos também a possibilidade de alargar as actividades às escolas de Biombo e Bissau.
Médicos do Mundo começou a trabalhar na Guiné-Bissau em 2005, no combate à epidemia que naquele ano provocou 400 mortes em seis meses. Desde então tivemos sete projectos financiados, entre os quais um projecto integrado de água, saneamento e higiene em 14 escolas básicas do distrito de Biombo, e outro na prevenção do VIH/sida, no centro de saúde de Bandim, em Bissau.
Cólera: doença endémica na Guiné-Bissau
A cólera é endémica na Guiné-Bissau, o terceiro país mais pobre do mundo, onde a esperança média de vida é inferior a 45 anos e as condições sanitárias são extremamente precárias: sete em cada 10 pessoas não têm acesso ao saneamento básico e 4 em cada 10 não têm acesso a água potável, de acordo com o Relatório de Desenvolvimento Humano das Nações Unidas de 2007/08.
Por sua vez, a região onde MdM-P está a trabalhar na área da água, saneamento e higiene e a intervir nesta epidemia de cólera, Biombo, é uma das mais pobres do país. Tem uma cobertura efectiva em água potável de 9% e em saneamento de base de 6%, o que explica a taxa de incidência de cólera muito superior à das outras regiões do país.

