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Mãos: Contágio fácil

As mãos são o principal veículo do vírus da hepatite A, o que torna o contágio muito fácil. Prevenir passa, então, por um cuidado básico – uma higiene rigorosa após contacto com fezes, alimentos e pessoas doentes. E pela vacinação, agora também na sua farmácia.

Das mãos para a boca – é este o caminho que, normalmente, segue o vírus responsável pela hepatite A, uma infecção que ataca o fígado. Basta o contacto com alimentos ou água contaminados para haver risco, dado que este é um vírus com um elevado grau de contagiosidade e uma extrema capacidade de sobrevivência.

Tocar numa pessoa infectada, mesmo que não exiba sintomas, pode ser suficiente para contrair a doença. Tal como mudar uma fralda sem depois lavar as mãos. Além destas, a via sexual também potencia o contágio.

Contudo, são quase sempre as mãos que transportam este vírus que interfere com a capacidade do fígado de filtrar as substâncias tóxicas do organismo. E quando o fígado não funciona bem, dá-se uma acumulação de bilirrubina – um dos detritos potencialmente nocivos – no sangue e nos tecidos. A presença elevada desta substância é denunciada pelo tom amarelado da pele, sendo a icterícia precisamente um dos sintomas da hepatite A, embora nem todos os doentes a desenvolvam.

Outros sintomas comuns são comichão, náuseas e vómitos, febre persistente mas baixa, dores abdominais, mais insistentes na região do fígado, perda de apetite, dores musculares, urina escura. Surgem subitamente, com frequência se confundindo com o de uma gastroenterite.

Ainda assim há pessoas que não manifestam sintomas específicos da hepatite A, o que aumenta o risco de contágio: estão doentes, mas não o sabem. É o que acontece com muitas crianças.

Em geral, o vírus pode estar alojado no organismo até um mês antes de se evidenciarem sintomas. Quando surgem, tendem a prolongar-se por um a dois meses, após o que o fígado recupera totalmente a sua capacidade de funcionamento. Além disso, a hepatite A não se torna crónica, ao contrário do que acontece com outros tipos (como a B ou a C).

 

Lavar as mãos é preciso

Não existe um medicamento específico para a hepatite A, pelo que o tratamento é orientado para os sintomas: passa, essencialmente, por repouso e uma alimentação equilibrada.

Dada a possibilidade de náuseas e vómitos, é aconselhável uma dieta à base de sopas, iogurtes e outros alimentos macios, facilmente digeríveis.

O diagnóstico de hepatite A recomenda a abstinência alcoólica, sobretudo durante a fase aguda da doença e pelo risco de interacção com alguns medicamentos para alívio da dor e da febre, como o acetaminofeno.

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Esta associação pode causar danos no fígado, mesmo em pessoas que não tiveram hepatite. O principal problema relacionado com esta infecção viral é o seu elevado grau de contágio: em consequência, impõe-se uma atitude preventiva visando evitar infectar outras pessoas ou ser infectado.

E, neste domínio, a prevenção é sinónimo de higiene, com o lavar das mãos a assumir uma importância primordial. Assim, há que lavá-las muito bem com água e sabão após cada ida à casa de banho, antes de preparar alimentos e de comer, depois de mudar fraldas ou de mexer na terra. É ainda conveniente não partilhar objectos como toalhas, escovas de dentes e talheres.

Nos destinos internacionais onde a hepatite A é comum, importa respeitar um conjunto de regras que passa por não ingerir alimentos crus ou mal cozinhados, nomeadamente marisco, por descascar a fruta em vez de comê-la com casca, por evitar saladas lavadas com água corrente.

Em relação à água, deve beber-se apenas engarrafada ou, na impossibilidade, fervida. Também o gelo deve ser feito com esta água, nunca com água da torneira. O mesmo é válido para a higiene oral.

Quem viaja para estes destinos deve aconselhar-se numa consulta do viajante, disponível nos principais hospitais do país. Aí ficará a saber quais os riscos que corre e como preveni-los. No caso da hepatite A, pode ser necessário vacinar-se: está disponível em Portugal uma vacina contra este vírus.

São cuidados indispensáveis para prevenir o contágio. É certo que a hepatite A não se torna crónica e que, salvo raros casos fulminantes, não é fatal, mas não há razões para correr riscos.

 

Vacine-se na sua farmácia

A hepatite A pode ser prevenida através da vacinação. Em Portugal, estão disponíveis três tipos de vacina: uma monovalente, que oferece protecção apenas contra este vírus, outra conjugada, que imuniza também contra a hepatite B, e uma terceira, que envolve também imunização contra a febre tifóide.

Nenhuma destas vacinas faz parte do Plano Nacional de Vacinação, mas desde Outubro último estão mais acessíveis ao abrigo da legislação que permite a sua administração nas farmácias (por farmacêuticos devidamente habilitados ou por enfermeiros).

A vacina contra a hepatite A é obtida a partir do vírus inactivo (sem risco de infecção e contágio), apresentando um elevado grau de eficácia. É indicada para adultos e crianças (neste caso, numa dosagem menor), sendo poucos e ligeiros os seus efeitos secundários – dor, vermelhidão e inchaço no local da picada, algumas vezes com sintomas semelhantes aos da gripe.

A vacinação é particularmente indicada para quem se desloque aos chamados países de risco, aqueles onde as condições de salubridade são deficientes.

FARMÁCIA SAÚDE – ANF

www.anf.pt

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