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Investigadores espanhóis vencem Grande Prémio Bial

Fundação Bial distingue projectos de investigação nas áreas do cancro e da litíase renal e atribui ainda três menções honrosas

Uma investigação sobre cancro, liderada pelo espanhol Ignacio Javier Bermejo, da Universidade de Navarra, foi a obra vencedora da edição 2004 do “Grande Prémio Bial de Medicina”, no valor de 150 mil euros. A atribuição das diferentes categorias do Prémio Bial – um dos mais importantes galardões europeus na área da Saúde – decorreu em Lisboa, num evento presidido pelo Presidente da República, Jorge Sampaio, e com a presença de membros do governo e personalidades da comunidade médica e científica.

No discurso inaugural, Luís Portela, presidente da Fundação Bial, fez um breve enquadramento do papel da Fundação e do grupo Bial na promoção e desenvolvimento da investigação, afirmando que a Fundação Bial quer continuar a “dar o seu discreto mas empenhado contributo para um Portugal onde a Qualidade, a Modernidade e a Inovação ganhem uma cada vez maior relevância”. Luís Portela sublinhou ainda que a Fundação Bial “pretende continuar a contribuir para a Inovação e para a divulgação da Ciência na área da Saúde, sobretudo em Portugal, mas também na Europa e no mundo”.

Na ocasião, Jorge Sampaio destacou o exemplo de cooperação peninsular do Prémio Bial, afirmando que só desta forma é possível Portugal registar avanços ao nível da investigação. O Presidente da República aproveitou para realçar o papel da Fundação e dos seus responsáveis ao longo dos anos, que, segundo afirmou, “têm desenvolvido uma importante actividade na promoção da investigação na área da Saúde.”

Espanha e Portugal entre os vencedores
A obra premiada baseia-se na pesquisa de uma resposta imunitária capaz de eliminar as lesões tumorais. Um ensaio clínico em 17 pacientes com carcinomas digestivos avançados – fígado, pâncreas e cólon –, permitiu verificar, do ponto de vista biológico, alterações pró-inflamatórias no tumor, bem como um incremento da resposta imunitária. O conjunto de procedimentos adoptados passou pela indução de genes de interleukina-12 (substância pró-inflamatória) nas células dentríticas que foram injectadas em lesões tumorais, visualizadas através de técnicas radiológicas. Em dois casos a doença estabilizou, e num caso de cancro de pâncreas foi comprovado o desaparecimento de metástases do fígado, ainda que a patologia tenha progredido.

Os investigadores Maria Adelaide Serra e Fernando Ferreira Domingos são os premiados na categoria “Prémio Bial de Medicina Clínica”, com 50 mil euros. A obra “Avaliação nefrológica de uma população com litíase cálcica idiopática recorrente” apresenta os resultados de um estudo efectuado ao longo de sete anos na consulta de Nefrolitíase do Serviço de Nefrologia do Hospital de Santa Maria, em Lisboa. De entre as principais conclusões destaque-se as modificações detectadas nos hábitos alimentares dos portugueses, designadamente um consumo dietético elevado de proteínas e de sódio e um baixo consumo de cálcio – factores que poderão estar relacionados com o aumento recente da incidência da doença. Este trabalho de investigação adianta ainda que a maioria dos pacientes não foi tratada ou o tratamento realizado baseou-se em medidas empíricas de validade científica duvidosa. As principais consequências são complicações diversas a nível ósseo e da função renal.

Fundação atribui três menções honrosas
A edição 2004 do “Prémio Bial” distinguiu ainda três obras com menções honrosas, no valor de 5 mil euros cada. De Espanha chega mais uma das investigações distinguidas, neste caso sobre a problemática das células-mãe. Este trabalho, coordenado por David Romero Alvira, da Faculdade de Medicina da Universidade de Saragoça, sublinha a importância das células-mãe para a medicina regenerativa, em virtude das suas possibilidades terapéuticas em várias doenças degenerativas, tais como patologias nervosas (Alzheimer e Parkinson), problemas osteo-articulares, lesões cardíacas e diabetes. Actualmente, a possibilidade de gerar tecidos “a la carte” – pele, osso, coração neuronas, entre outros – afigura-se bastante atractiva não só para pacientes mas também para a população.

O júri do Prémio Bial destacou ainda a obra “Desenvolvimento de liposomas com afinidade para áreas miocárdicas isquémicas”, de autoria de um grupo de investigadores nacionais liderado por José Alexandre Antunes, do serviço de Cardiologia do Centro Hospitalar de Coimbra. Trata-se de um trabalho inédito em Portugal que visa a produção de liposomas com elevada afinidade para zonas de enfarte no coração. O objectivo é o de, posteriormente, se incorporarem farmácos que possam tratar in loco a doença, diminuindo assim as trágicas consequências daquela patologia.

O emprego da terapêutica antiagregante disponível no mercado português é outra das temáticas premiadas com menção honrosa. De autoria de Fernando Mota Tavares, fundador da Unidade de Cuidados Intensivos do Hospital de Santo André, em Leiria, a obra “Antiagregação Plaquetária no Ambulatório” explora aspectos da fibrilhação auricular relacionados com o interesse da antiagregação plaquetária nesta patologia, tendo em atenção o problema da anticoagulação oral com ela interligada. Neste trabalho de investigação são ainda analisados sete exemplos práticos de prevenção cardiovascular.

Promovido bianualmente desde 1984, o Prémio Bial conta com o patrocínio do Presidente da República, do Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas e da Ordem dos Médicos. Como resultado de 20 anos comprometidos com a investigação o Prémio Bial já distinguiu 71 trabalhos de 158 autores, tendo sido já editadas e distribuídas gratuitamente à classe médica e científica 25 obras premiadas.

A Fundação Bial é uma instituição sem fins lucrativos, considerada de utilidade pública, e que foi criada em 1994 pelos Laboratórios Bial em conjunto com o Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas. A Fundação Bial tem como missão a promoção do estudo do Homem, distinguindo-se pelo seu papel incentivador da investigação médica e científica a nível internacional. Para além do Prémio Bial, a Fundação Bial atribui Bolsas de Investigação Científica nas áreas da psicofisiologia e parapsicologia e organiza, bianualmente e desde 1996, o Simpósio Aquém e Além do Cérebro.

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