No próximo dia 14 de Março terão lugar em Braga as III Jornadas de Gastrenterologia e Hepatologia do Hospital de São Marcos, organizadas pelo Serviço de Gastrenterologia do hospital bracarense e decorrentes da dinâmica de formação e investigação desenvolvidas pelos profissionais de saúde deste serviço hospitalar.
Guilherme Macedo, presidente destas jornadas e Director de Serviço e Professor na Universidade do Minho, apresenta como principal objectivo deste encontro de profissionais “a melhoria da articulação das preocupações da Medicina Geral e Familiar com a realidade assistencial, investigacional e formativa” do serviço especializado que dirige.
As jornadas, que podem ser encaradas como uma acção de formação intensiva pós-graduada, vão decorrer de forma a estimularem a participação activa dos médicos presentes, como explica Guilherme Macedo: “Optámos por abordar e discutir, de forma muito interactiva, vários problemas extremamente comuns de doenças originadas ou promovidas por diversos comportamentos dos indivíduos e da sociedade”.
Assim, estarão em discussão algumas das patologias de foro gastrohepatológico que afectam mais frequentemente a população portuguesa, como seja a doença de refluxo, a toxicidade digestiva dos Anti-inflamatórios e as hepatites vírica.
Algumas das doenças hepáticas abordadas nestas jornadas são provocadas pelo “consumismo” medicamentoso, uma realidade portuguesa de implicações socioeconómicas ainda pouco estudadas. Estas patologias serão “debatidas duma forma muito sistematizada e prática para permitir linhas de conduta racionais, evoluídas e económicas”, de acordo com Guilherme Macedo, tal como acontecerá com os fenómenos de “obesidade e sobrecarga de peso, com todas as implicações epidemiológicas e individuais que acarretam, seja a nível do tubo digestivo seja no fígado”.
O grupo de trabalho tenciona demonstrar “a grande repercussão individual e social destes problemas, sobretudo pelo volume de gente afectada tantas vezes não informada dos riscos das suas praticas comportamentais. Será mais uma oportunidade de sensibilização dos médicos, bem como para a sua elucidação sobre o que o actual Serviço e Hospital são capazes de oferecer à comunidade que servem”.
Em Portugal, não se sabe ao certo quantas pessoas existem com doença hepática: os rastreios são deficientes e escassos, os sintomas aparecem tardiamente e não existem números fidedignos respeitantes às patologias hepáticas mais conhecidas. A extrapolação aponta para que 1% – 1,5% da população esteja infectada com os vírus das hepatites B e C, há cerca de 170.000 doentes diagnosticados de hepatites C e cerca de 120 a 130.000 diagnosticados de hepatite B; há mais de 1,3 milhões de alcoólicos e de bebedores excessivos e estima-se que existirão 150.000 doentes com doença hepática alcoólica.
Calcula-se que 46% da população portuguesa tenha excesso de peso e que 3% venha a desenvolver doença ligada à sobrecarga de gordura no fígado. Ou seja, a realidade aponta para que as patologias hepáticas mais comuns aumentem entre a população portuguesa.
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