Erradicação da hepatite C como objectivo primário no tratamento nos doentes com Sida.
À procura de consensos
A co-infecção entre o vírus da hepatite C (VHC) e o Vírus da Imunodeficiência Humana (VIH) tem vindo a aumentar em Portugal estando actualmente mais de 30% dos infectados por VIH também infectados pelo VHC. O alerta vai ser dado por especialistas no I Encontro Ibérico sobre a Infecção por VIH que vai decorrer dias 17 e 18 de Julho, no hotel Marriot, em Lisboa.
As taxas elevadas de morbilidade e mortalidade por co-infecção levou a que médicos que lidam com estas patologias se reúnam e debatam a importância de se tratar eficazmente estes doentes e assim reduzir significativamente a transmissão futura da doença.
Estabelecer consensos no tratamento de pacientes co-infectados é o objectivo desta reunião que está a ser organizada pelos serviços de Doenças Infecciosas do Hospital de Santa Maria e Hospital Carlos III, em Madrid.
Para Francisco Antunes, director do serviço de Doenças Infecciosas do Hospital Stª Maria e presidente português da reunião , “A utilização sistemática de terapêutica antiretroviral altamente eficaz nos doentes infectados pelo VIH conduziu a uma significativa melhoria do seu prognóstico evidenciando então o impacto, em termos de morbilidade e mortalidade, de algumas patologias e infecções concomitantes. Entre estas encontra-se a doença hepática a vírus C a qual constitui, actualmente, uma das mais importantes causas de morte nos doentes infectados pelo VIH”.
“As consequências sobre o fígado da Hepatite C nos doentes co-infectados com o VIH constituem hoje em dia a 1ª Causa de morte do doentes com SIDA no mundo Ocidental, explica Juan González-Lahoz, presidente espanhol do encontro científico.
Recentes progressos no conhecimento resultaram numa mudança no posicionamento face ao tratamento da hepatite C em co-infectados pelo VIH: nos últimos 6 anos evoluiu-se duma atitude relutante: devia-se ou não tratar o vírus da hepatite C em doentes com sida, para a presente indicação da erradicação do VHC como objectivo primário nos doentes com infecção “estável” pelo VIH.
Actualmente considera-se então fundamental o tratamento da infecção pelo VHC nos infectados pelo VIH, de forma a diminuir a morbilidade e mortalidade nestes doentes.
O uso de Interferão peguilado e ribavirina em co-infectados permite obter boas taxas de resposta virológica mantida, isto é a perda completa de vírus detectáveis nos seis meses seguintes ao fim do tratamento da hepatite C – alguns especialistas começam a obter evidência científica clara de que se trata de cura.
No entanto nem todos os doentes são candidatos a terapêutica excluindo os casos de consumo activo de álcool e/ou drogas, aqueles que apresentam patologia psiquiátrica grave e casos de cirrose hepática descompensada.
O impacto da hepatite C no HIV:
– Aumenta a probabilidade do risco de progressão para Sida e morte
– Pode interferir com a reconstituição das defesas imunitárias que se estabelecem após a terapêutica HAART
– Aumenta o risco de toxicidade
Dados hepatite C
A nível mundial estima-se que 170 milhões de pessoas estejam infectadas com os vírus das hepatite C, o que constitui um problema de saúde pública de enorme dimensão e repercussão sobre as economias mundiais. É a primeira causa de doença hepática crónica na maioria dos países e com grande impacto nas próximas décadas, com um aumento muito significativo do carcinoma hepatocelular e das necessidades de transplantação hepática.
A transmissão do VHC apresenta-se fortemente associada à transferência de sangue ou líquidos orgânicos, o uso de drogas intravenosas e o contacto sexual com múltiplos parceiros são consideradas como actividades de alto risco e propiciadoras à disseminação da infecção.
A doença nos indivíduos infectados pelo VHC permanece por diagnosticar por vários anos dada a natureza subclínica dos seus sintomas, progredindo insidiosamente e quase sempre para doença crónica.
Em Portugal a situação afigura-se preocupante, estimando-se em cerca de 120 a 150 mil o número de pessoas infectadas crónicos com o vírus da Hepatite C. É um problema mais grave em alguns subgrupos como, por exemplo, nos utilizadores de drogas ilícitas intravenosas, com uma prevalência de 70-85% de infectados nos indivíduos com mais de um ano de toxicodependência activa.
A preparação de uma vacina continua a ser o grande desafio porque o vírus da hepatite C tem nove configurações moleculares diferentes e que estão constantemente a mudar e a sofrer mutações. A criação de uma vacina eficaz implica desencadear uma resposta imunitária contra uma parte do vírus que se mantenha relativamente estável a todas estas variações. É de momento uma perspectiva distante apesar da muita investigação em curso.
Para mais informação contactar: Gabinete de Imprensa, Mariana Rasteiro, tm: 93 721 38 89.
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