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HBP e disfunção sexual

Desde há séculos que é conhecida a existência de conexões entre a próstata e a sexualidade. Há muito que se sabe, por exemplo, que o crescimento prostático não ocorre nos homens cujos testículos são removidos ou perdidos antes da puberdade. Também a clara ligação entre o desenvolvimento da próstata e o homem idoso, em que as capacidades sexuais diminuem, mais tem alicerçado a convicção de que a HBP está relacionada com a diminuição da se­xua­li­dade.

Na verdade, sabe-se hoje que o principal responsável pelo crescimento prostático é a dihidrotestosterona (DHT), uma substância derivada da testosterona. Os homens que não produzem DHT não desenvolvem a HBP.

A testosterona é a principal hormona masculina, com importante efeito sobre o desejo e a sobre a capacidade eréctil, e é produzida pelo testículo ao longo de toda a vida do homem. Progressivamente, com a idade, a produção de testosterona diminui, baixando a sua quantidade sanguínea e tecidular. Isso explica a diminuição do desejo e da motivação erótica, para além da progressiva baixa das performances sexuais.

Mas apesar da baixa de testosterona, muitos idosos produzem e acumulam altos níveis prostáticos de DHT que, não tendo significativo efeito sobre a sexualidade, vão provocar o maior desenvolvimento da HBP.

OS SINTOMAS SEXUAIS DA HBP
Embora a próstata cresça durante toda a vida do homem, esse aumento não costuma causar problemas senão tardiamente. De facto, a HBP raramente causa sintomas antes dos 45 anos. No entanto cerca de metade dos homens com 60 anos e 90% dos homens com 80 anos têm sintomas devidos à HBP.

Essencialmente os sintomas de HBP são urinários e devem-se não só à obstrução da uretra, como também à gradual perda da função da bexiga, que resulta no seu esvaziamento incompleto. Os sintomas mais comuns são as micções frequentes, especialmente notadas durante a noite, o jacto urinário fraco, hesitante ou interrompido e a sensação de urgência miccional, por vezes com pequenas perdas involuntárias de urina.

Sintomas de disfunção sexual não são habitualmente referidos pelos doentes de HBP. No entanto, um interrogatório dirigida ao assunto revela que, por vezes, esses sintomas existem e podem estar relacionados com a doença.

A diminuição da capacidade eréctil

No homem, o acto sexual divide-se em três fases complementares, mas funcionalmente autónomas: a erecção, o orgasmo e a ejaculação. As raras alterações da função sexual referidas pelos doentes prostáticos são quase sempre queixas de diminuição da capacidade eréctil.

Num doente prostático é sempre difícil assegurar que eventuais queixas erécteis são directamente causadas pela HBP. De facto, muitos homens da mesma idade referem diminuição das performances erécteis, sem terem quaisquer sintomas obstrutivos urinários ou sem que a sua próstata esteja significativamente aumentada de volume.

A própria anatomia e a fisiologia da erecção não favorecem a hipótese etiológica da HBP. O crescimento prostático, mesmo muito grande, não interfere com a vascularização peniana e o trajecto dos feixes nervosos que transmitem o estimulo eréctil, embora muito próxima da próstata, não são fisicamente prejudicados pelo crescimento benigno da próstata.

Resta apenas a possibilidade de uma interferência hormonal da HBP sobre os mecanismos da erecção, hipótese que carece de demonstração.

A quebra do prazer orgásmico
Por vezes os doentes prostáticos referem alterações do orgasmo. São sobretudo queixas de diminuição do prazer sexual, entendendo-se por isso um orgasmo menos intenso. Contudo, é duvidoso que essas queixas sejam específicas desses doentes, já que têm uma carga fortemente emocional e psicológica, sendo também referido por muitos homens idosos sem HBP, especialmente quando são acompanhados de menor motivação erótica e de baixa do desejo sexual.

As queixas ejaculatórias

Mesmo na ausência de queixas sexuais, um inquérito especificamente orientado frequentemente encontra nestes doentes queixas de diminuição da força e do volume do ejaculado. Estranhamente, essa hipospermia e essa ejaculação asténica, são queixas que o doente raramente refere de modo espontâneo. Provavelmente porque as enquadra não nos sinais da doença, mas nos sinais da idade, não lhes dando assim particular atenção ou preocupação. Nesses casos, contudo, há uma clara relação com fenómenos obstrutivos devidos à HBP, tendo origem nas alterações fibroelásticas da glândula.

A DISFUNÇÃO SEXUAL “FISIOLÓGICA””

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