No século XX registaram-se três pandemias gripais. A primeira, em 1918, conhecida como “gripe espanhola” matou cerca de 60 000 pessoas. A pandemia seguinte foi a “gripe asiática”, surgiu em 1957 e a última, ocorreu em 1968. Agora, termina o período inter-pandémico e voltamos a falar em pandemia, desta vez, da gripe das aves.
O que é a gripe das aves?
O vírus da gripe tem três tipos: A, B e C. O vírus A tem subtipos que são distintos uns dos outros em função das proteínas haemaglutinina (H) e da neurominidase (N). Há quinze H e nove N, todos eles existentes em aves. H5 N1 é a quinta proteína H que surge num vírus, conjugada à superfície com a primeira N.
Todas as estirpes e subtipos da gripe do tipo A têm como reservatório natural aves migratórias sobretudo patos e aves aquáticas.
As aves selvagens, sobretudo as aquáticas, são hospedeiras do vírus e podem transmiti-lo a aves de capoeira, através da saliva, secreções nasais e fezes. O processo mais habitual de contágio é pelo contacto, através das penas e excrementos.
As aves domésticas podem ser infectadas através de contacto directo com animais doentes ou pela partilha de bebedouros e comedouros.
Contaminação nos seres humanos
Estas aves de capoeira, uma vez infectadas com o vírus, podem transmiti-lo a mamíferos e seres humanos, mas este fenómeno é de muito reduzida probabilidade porque é necessário que haja uma exposição prolongada (principalmente de tratadores e trabalhadores rurais) com as aves infectadas. Mas existe total garantia de segurança em relação ao consumo de aves cozinhadas.
Até agora foram estudados 120 casos humanos, mas não se trata de adquirirem gripe aviária. Adquiriram uma infecção gripal, extremamente grave, provocada pelo vírus H5 N1 que tem uma característica fundamental: não se transmite de ser humano a ser humano
Pandemia: Doença que ataca ao mesmo tempo grande número de pessoas, na mesma região ou em grande número de países; grande epidemia.
Fonte: www.infopedia.pt
Como pode o vírus passar a representar perigo pandémico?
O perigo surge de o vírus, ao infectar um indivíduo, adquirir a capacidade de se transmitir de pessoa a pessoa. Existem duas possibilidades de tal acontecer. O vírus, ao infectar o indivíduo, pode sofrer uma mutação e passar a transmitir-se de pessoa a pessoa.
Por outro lado, o indivíduo pode ser infectado simultaneamente (co-infecção) com o vírus de origem aviária e o vírus da actividade gripal humana e, ao fazê-lo, o vírus de origem aviária recombina-se com o vírus de origem humana e dá origem a um outro vírus, com capacidade de transmissão entre humanos. Contudo, este vírus ainda não existe.
Situação em Portugal
Se se verificar a existência de aves infectadas com H5 N1 em Portugal, haverá necessidade de tomar medidas de protecção de seres humanos em relação ao contacto com aves infectada.
Nesse sentido foi criada uma Comissão que integra o Director Geral de Veterinária, a Directora do Laboratório Nacional de Investigação Veterinária e a Sub Directora Geral da Saúde, Dra. Graça Freitas, para assegurar a coordenação de aspectos ligados a esta questão.
Vacinas e antivirais
Ninguém sabe quando irá surgir e que grau de gravidade terá a próxima pandemia porque ainda não existe vírus humano. Deste modo, só haverá uma vacina quando houver efectivamente vírus e esta demorará cerca de 6 meses para que seja disponibilizada.
Relativamente aos medicamentos antivirais, apesar de poderem apresentar resistências até 10%, estão disponíveis, para ser adquiridos e administrados, em dois circuitos distintos.
Um deles é o circuito normal das farmácias (onde poderá estar, eventualmente, esgotado). O outro circuito é uma “reserva estratégica” composta por três stocks distintos. Esse medicamento pode ser utilizado para fins terapêuticos e em situações mais raras, como profiláctico.
Trata-se de um medicamento de utilização dupla, quer no tratamento de certos doentes, quer para prevenção para proteger determinados contactos com doentes ou com aves infectadas. Temos três stocks distintos: um stock de um medicamento actualmente disponível há largas semanas (1 100 faixas de tratamento, numa apresentação em cápsulas de 75 mg). Este stock é reforçado em Janeiro com mais 10 000 faixas de tratamento.
Por outro lado, no 2º semestre de 2006, a casa produtora deste medicamento comprometeu-se a começar a entregar 2 500 000 faixas de tratamento, doses suficientes para tratar os doentes estimados em caso de pandemia.
Estes medicamentos vão ser distribuídos por iniciativa dos serviços que dependem do Ministério da Saúde, por indicação médica e gratuitos.
Matéria escrita com base nas informações facultadas pela Direcção Geral de Saúde, em 21 de Outubro de 2005
Jornal do Centro de Saúde
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