Acordar a meio da noite como se o dedo grande do pé estivesse a arder – a imagem corresponde a um ataque de gota, a forma mais dolorosa de artrite, causada pela acumulação de ácido úrico. Mudanças no estilo de vida e medicamentos permitem controlar esta doença que é mais masculina do que feminina.
As articulações do dedo grande do pé são, normalmente, as primeiras vítimas da gota. Tudo por “culpa” do ácido úrico. Trata-se de um resíduo orgânico formado a partir da transformação das purinas, substâncias que existem no organismo humano mas também são fornecidas pela alimentação.
Quando tudo corre bem, o ácido úrico é dissolvido no sangue e lançado pelos rins para a urina, com a qual é eliminado. Mas, quando há uma produção excessiva ou quando os rins não conseguem eliminá-lo eficazmente, o ácido úrico acumula-se no sangue, podendo dar origem a pequenos mas afiados cristais que se depositam junto às articulações, causando a inflamação.
Dor intensa nas articulações, inflamação e vermelhidão são os sintomas da gota, que se manifesta por crises, anunciando-se de forma aguda, súbita e sem aviso, geralmente de noite. É o dedo grande do pé o primeiro a sofrer, apresentando-se tão quente, tão inchado e tão sensível que não suporta sequer o peso do lençol. É como se estivesse a arder.
Também os pés, os tornozelos e os joelhos, as mãos e os pulsos podem ser afectados. Esta é uma forma de artrite mais masculina do que feminina, embora a vulnerabilidade das mulheres aumente com a menopausa.
O género é, de facto, um factor de risco, a par da idade, com a doença a ser mais comum em adultos do que em crianças. Mas há outros, muitos deles associados ao estilo de vida: uma alimentação rica em purinas, o consumo de álcool e o excesso de peso também condicionam a probabilidade de desenvolver gota.
A genética é outro dos factores de risco, estimando-se que 20 por cento dos doentes tenham antecedentes familiares de gota. Algumas doenças e medicamentos entram igualmente nesta equação: assim acontece com a hipertensão (não controlada), com o colesterol elevado, a diabetes e a aterosclerose e com a toma de determinados diuréticos e de certas baixas doses de aspirina, bem como de medicamentos usados para prevenir a rejeição de órgãos após transplante.
O consumo de niacina, uma vitamina do complexo B, também propicia o desenvolvimento de gota.
Aliviar a dor e prevenir complicações
Sem tratamento, a dor típica da gota pode manter-se por mais de uma semana, permanecendo ainda algum desconforto, até que a articulação fica, aparentemente, normal. O alívio da dor é o objectivo imediato do tratamento, mas a prevenção de futuras crises e de complicações faz também parte da estratégia clínica.
É que, a prazo, a gota pode envolver cada vez mais articulações e causar-lhes danos severos. O próprio osso pode ser destruído. Além disso, as crises podem tornar-se recorrentes e, com o tempo, podem desenvolver-se nódulos subcutâneos formados por cristais de ácido úrico, sobretudo nos dedos dos pés e das mãos e nos cotovelos.
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Há ainda o risco de os cristais se concentrarem no sistema urinário, dando origem à chamada “pedra nos rins” (litíase renal). Reduzir o desconforto causado pelos sintomas da gota e prevenir complicações é, pois, o duplo objectivo do tratamento, que passa pela combinação de medicamentos e alterações no estilo de vida.
Do ponto de vista farmacológico são usados, em primeira linha, os anti-inflamatórios não esteróides ou os corticosteróides, destinados ao alívio dos sintomas de uma crise aguda. Reduzem a inflamação mas não têm efeito na quantidade de ácido úrico acumulado no organismo.
Essa é a função de outro tipo de medicamentos – os que têm acção preventiva e que tanto podem bloquear a produção de ácido úrico como acelerar a sua eliminação do organismo.
Mas, além de cumprir a terapêutica, os doentes têm um papel decisivo na prevenção das crises de gota. Nomeadamente, reduzindo a ingestão de alimentos contendo purinas, evitando as bebidas alcoólicas, ingerindo mais hidratos de carbono complexos e cortando no consumo de proteínas animais.
A ingestão de líquidos, sobretudo água, é fundamental, pois contribui para diluir o ácido úrico no sangue e na urina. Controlar o peso, mantendo-o nos níveis considerados saudáveis, é um dos factores mais importantes, o mesmo acontecendo com o controlo dos valores de pressão arterial, colesterol e glicemia.
A gota é a forma de artrite mais dolorosa. Mas trata-se e é possível reduzir o risco.
Uma questão de purinas
• Evite os alimentos ricos em purinas, de que são exemplo a carne vermelha, vísceras, sardinhas, anchovas, marisco, entre outros;
• Faça uma dieta baixa em calorias;
• Mantenha o seu peso dentro dos valores normais para evitar o excesso de peso;
• Evite bebidas alcoólicas;
• Beba água em abundância (dois litros por dia);
• Pratique exercício físico moderado (para não forçar as articulações);
• Evite medicamentos e outros produtos que possam favorecer a acumulação de ácido úrico;
• Controle o ácido úrico e também a pressão arterial, o colesterol, os triglicerídeos e o açúcar no sangue.
Estas são, afinal, mudanças de estilo de vida, sinónimo de mais saúde.
As articulações do dedo grande do pé são, normalmente, as primeiras vítimas da gota. Tudo por “culpa” do ácido úrico. Trata-se de um resíduo orgânico formado a partir da transformação das purinas, substâncias que existem no organismo humano mas também são fornecidas pela alimentação.
Quando tudo corre bem, o ácido úrico é dissolvido no sangue e lançado pelos rins para a urina, com a qual é eliminado. Mas, quando há uma produção excessiva ou quando os rins não conseguem eliminá-lo eficazmente, o ácido úrico acumula-se no sangue, podendo dar origem a pequenos mas afiados cristais que se depositam junto às articulações, causando a inflamação.
Dor intensa nas articulações, inflamação e vermelhidão são os sintomas da gota, que se manifesta por crises, anunciando-se de forma aguda, súbita e sem aviso, geralmente de noite. É o dedo grande do pé o primeiro a sofrer, apresentando-se tão quente, tão inchado e tão sensível que não suporta sequer o peso do lençol. É como se estivesse a arder.
Também os pés, os tornozelos e os joelhos, as mãos e os pulsos podem ser afectados. Esta é uma forma de artrite mais masculina do que feminina, embora a vulnerabilidade das mulheres aumente com a menopausa.
O género é, de facto, um factor de risco, a par da idade, com a doença a ser mais comum em adultos do que em crianças. Mas há outros, muitos deles associados ao estilo de vida: uma alimentação rica em purinas, o consumo de álcool e o excesso de peso também condicionam a probabilidade de desenvolver gota.
A genética é outro dos factores de risco, estimando-se que 20 por cento dos doentes tenham antecedentes familiares de gota. Algumas doenças e medicamentos entram igualmente nesta equação: assim acontece com a hipertensão (não controlada), com o colesterol elevado, a diabetes e a aterosclerose e com a toma de determinados diuréticos e de certas baixas doses de aspirina, bem como de medicamentos usados para prevenir a rejeição de órgãos após transplante.
O consumo de niacina, uma vitamina do complexo B, também propicia o desenvolvimento de gota.
Aliviar a dor e prevenir complicações
Sem tratamento, a dor típica da gota pode manter-se por mais de uma semana, permanecendo ainda algum desconforto, até que a articulação fica, aparentemente, normal. O alívio da dor é o objectivo imediato do tratamento, mas a prevenção de futuras crises e de complicações faz também parte da estratégia clínica.
É que, a prazo, a gota pode envolver cada vez mais articulações e causar-lhes danos severos. O próprio osso pode ser destruído. Além disso, as crises podem tornar-se recorrentes e, com o tempo, podem desenvolver-se nódulos subcutâneos formados por cristais de ácido úrico, sobretudo nos dedos dos pés e das mãos e nos cotovelos.
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Há ainda o risco de os cristais se concentrarem no sistema urinário, dando origem à chamada “pedra nos rins” (litíase renal). Reduzir o desconforto causado pelos sintomas da gota e prevenir complicações é, pois, o duplo objectivo do tratamento, que passa pela combinação de medicamentos e alterações no estilo de vida.
Do ponto de vista farmacológico são usados, em primeira linha, os anti-inflamatórios não esteróides ou os corticosteróides, destinados ao alívio dos sintomas de uma crise aguda. Reduzem a inflamação mas não têm efeito na quantidade de ácido úrico acumulado no organismo.
Essa é a função de outro tipo de medicamentos – os que têm acção preventiva e que tanto podem bloquear a produção de ácido úrico como acelerar a sua eliminação do organismo.
Mas, além de cumprir a terapêutica, os doentes têm um papel decisivo na prevenção das crises de gota. Nomeadamente, reduzindo a ingestão de alimentos contendo purinas, evitando as bebidas alcoólicas, ingerindo mais hidratos de carbono complexos e cortando no consumo de proteínas animais.
A ingestão de líquidos, sobretudo água, é fundamental, pois contribui para diluir o ácido úrico no sangue e na urina. Controlar o peso, mantendo-o nos níveis considerados saudáveis, é um dos factores mais importantes, o mesmo acontecendo com o controlo dos valores de pressão arterial, colesterol e glicemia.
A gota é a forma de artrite mais dolorosa. Mas trata-se e é possível reduzir o risco.
Uma questão de purinas
• Evite os alimentos ricos em purinas, de que são exemplo a carne vermelha, vísceras, sardinhas, anchovas, marisco, entre outros;
• Faça uma dieta baixa em calorias;
• Mantenha o seu peso dentro dos valores normais para evitar o excesso de peso;
• Evite bebidas alcoólicas;
• Beba água em abundância (dois litros por dia);
• Pratique exercício físico moderado (para não forçar as articulações);
• Evite medicamentos e outros produtos que possam favorecer a acumulação de ácido úrico;
• Controle o ácido úrico e também a pressão arterial, o colesterol, os triglicerídeos e o açúcar no sangue.
Estas são, afinal, mudanças de estilo de vida, sinónimo de mais saúde.