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Fundação Bial reúne especialistas internacionais

A convite da Fundação Bial estas e muitas outras questões estiveram em debate no 7º Simpósio ‘Aquém e Além do Cérebro’, que decorreu entre 26 e 29 de Março, na Casa do Médico, no Porto, e que reuniu os mais conceituados investigadores mundiais das Neurociências e das Emoções.

A investigação na área das emoções tem assistido a uma verdadeira explosão, tornando-se uma das principais áreas de investigação em psicologia, filosofia e neurociência. Reconhecida como uma referência na investigação científica a nível internacional, a Fundação Bial convidou os maiores especialistas mundiais a apresentar os mais recentes avanços científicos e deu a conhecer os resultados finais dos projectos de investigação dos Bolseiros apoiados pela Fundação.

Com o objectivo de promover um debate amplo e transversal sobre a importância das Emoções no comportamento humano, este simpósio dividiu-se em três grandes sessões: ‘Neurobiologia das Emoções’, ‘Emoções e Fenómenos Paranormais’ e ‘Emoções e Comportamentos Sociais’.

Ressonância Magnética Funcional dá novas pistas
para o tratamento de doenças mentais

‘Neurobiologia das Emoções’ foi o tema da primeira sessão de trabalho do 7º Simpósio ‘Aquém e Além do Cérebro’. Tania Singer, Professora de Neuroeconomia e Neurociência Social da Universidade de Zurique, revelou os mecanismos do cérebro que estão na base da empatia. Segundo esta prestigiada investigadora, técnicas inovadoras de ressonância magnética permitem identificar as zonas do cérebro envolvidas no fenómeno da empatia o que possibilitará, a médio prazo, ajudar a desenvolver técnicas terapêuticas para o tratamento de doenças como o Autismo.

Ralph Adolphs foi outro dos oradores do dia. Segundo este prestigiado Professor de Psicologia e Neurociência da Universidade de Iowa (EUA), premiado com o NARSAD Investigator Award, foram realizados estudos em laboratório que concluíram que a amígdala é necessária para utilizar a informação que provém da observação da expressão do olhar e da região do olho. A lesão da amígdala leva ao não reconhecimento de expressões de medo e / ou felicidade. Ralph Adolphs verificou que os autistas olham com maior frequência para a região peribucal. As primeiras conclusões sugerem que a amígdala pode proporcionar uma rápida avaliação dos estímulos visuais, enviando informação para o córtex pré-frontal, que gera decisões baseadas naquela avaliação.

Ray Dolan, Professor de Neuropsiquiatria, no Instituto de Neurologia da University College London (UCL) e Director do Trust Centre for Neuroimaging, UCL (Inglaterra), investigador premiado com o Max Planck Research Award, discutiu na sua apresentação se é verdade que as emoções servem para corromper de forma irracional os processos decisórios, habitualmente racionais, e analisou situações onde as emoções influenciam a tomada de decisão humana. A partir de uma perspectiva neurobiológica, Ray Dolan reflectiu sobre o papel da amígdala na integração entre emoção e cognição.

“Mecanismos neurobiológicos do medo” foi o tema apresentado por Marta Moita, Investigadora Principal do Grupo de Neurobiologia do Comportamento no Instituto Gulbenkian de Ciência.

‘Emoções e Fenómenos Paranormais’ em discussão

‘Emoções e Fenómenos Paranormais’ foi o tema da segunda sessão de trabalho durante a qual se debateram as questões relacionadas com os fenómenos psi e as emoções. Discutiu-se, em primeiro lugar, as questões da retro-causalidade, fenómeno que tem sido observado em diversos paradigmas experimentais, mas cuja génese continua difícil de compreender. Significa que antes de haver consciência plena de um fenómeno mental já o corpo antevê a sua futura consciência. Foram apresentados alguns resultados experimentais e foi promovida ampla discussão.

Discutiu-se ainda o conceito da globalização do fenómeno da consciência e a sua possível relação com eventos de carácter emocional. Este é outro dos temas controversos que foi objecto de ampla discussão relacionada sobretudo com questões de metodologia.

No conjunto, esta sessão de trabalho permitiu trazer ao debate argumentos de carácter metodológico, quer estatístico quer de desenho experimental, que contribuiu para esclarecer os fenómenos raros designados por psi.

Merece destaque a intervenção de Dean Radin, Director do Institute of Noetic Sciences of Califórnia (EUA), que falou, entre outros temas, sobre experiências de telepatia e pressentimentos. As investigações na área da Parapsicologia tentam perceber se uma visão mais ampla da consciência nos pode levar mais longe, ao incluir ligações importantes com pessoas e eventos que acontecem longe do alcance dos nossos sentidos. Quando estas experiências acontecem de forma espontânea são frequentemente classificadas como “crises de telepatia” ou “sonhos pré cognitivos”. O desafio da Parapsicologia é tornar estas experiências espontâneas – muitas das quais envolvendo emoções muito fortes – em experiências controladas.

Dean Radin é autor do best-seller ‘The Conscious Universe’, recebeu o Book Award de The Scientific and Medical Network e um Best Book Award de The Anomalist. Em Portugal, lançou recentemente o livro ‘Mentes Entrelaçadas’, que tem como base provas científicas obtidas em milhares de testes laboratoriais controlados. Nesta obra, o autor mostra-nos que aquilo que conhecemos como fenómenos psíquicos, tal como a telepatia, a clarividência e a psicocinésia, é real e apresenta as origens destas pesquisas, abordando as premonições colectivas do 11 de Setembro.

A influência das emoções no comportamento social

Na terceira e última sessão do 7º Simpósio Aquém e Além do Cérebro, discutiram-se as relações entre as emoções e o comportamento social.

A conferência iniciou-se com a apresentação do trabalho de Christian Keysers, Director Científico e Professor de Neurobiologia do BCN Neuroimaging Centre, Universidade de Groningen, Holanda, relacionado com os neurónios-espelho, uma descoberta com poucos anos de vida, mas que tem permitido compreender muitos dos fenómenos cognitivos e a sua relação com a função cerebral. Os neurónios-espelho são células que entram em actividade quando existe interacção entre indivíduos, como se o cérebro estivesse preparado para imitar o que vê.

Discutiram-se, depois, modelos gerais de alterações de capacidade de descriminar emoções, em particular, na sua relação com o stress pós-traumático. Na continuação da discussão das situações patológicas, foi abordada a questão das psicoses (esquizofrenia e doença bi-polar) e a sua forma de controlo cognitivo e emocional.

A sessão terminou com a conferência de Paul Ekman, Professor Jubilado de Psicologia na Universidade da Califórnia, sobre as expressões faciais como comunicadoras do estado emocional, uma questão que tem estado no centro da investigação desde o início do século XIX e que ocupou a atenção de Darwin, ao fazer a ponte entre homens e animais.

Durante a sua apresentação, Paul Ekman demonstrou como funciona o METT – Micro Expression Training Tool, um programa de treino individual, que permite melhorar a capacidade para reconhecer expressões faciais associadas à emoção, através da visualização de exemplos da vida real.

Cerimónia de encerramento contou com a presença
do Ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, José Mariano Gago

Na cerimónia de encerramento a Comissão Organizadora do 7º Simpósio ‘Aquém e Além do Cérebro’ prestou homenagem ao Professor Nuno Grande, figura incontornável do ensino, da ciência e investigação portuguesa que, por força dos estatutos, deixará de ser administrador da Fundação Bial no final do actual mandato.

Professor Jubilado do Instituto de Ciências Biomédicas de Abel Salazar, da Universidade do Porto, e conselheiro da Associação Americana de Cardiologia, Nuno Grande é membro do Conselho de Administração da Fundação Bial enquanto representante do Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas.

Bolseiros da Fundação BIAL apresentaram conclusões dos projectos científicos

Tal como tem acontecido nas edições anteriores, o Simpósio “Aquém e Além do Cérebro” procurou abrir um espaço de discussão entre os Bolseiros da Fundação que apresentam os resultados finais das suas investigações.

As Bolsas de Investigação Científica constituem uma referência da Fundação Bial e têm como objectivo incentivar o estudo neurofisiológico e mental do Homem, despertando o interesse dos investigadores das áreas da Psicofisiologia e da Parapsicologia.

Nas sete edições já realizadas – as Bolsas surgiram em 1994 – foram apoiados 261 projectos, englobando 840 investigadores de 22 países.

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