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Estudo revela que mais de metade dos doentes hospitalizados está em risco de tromboembolismo venoso

O estudo multinacional ENDORSE publicado no The Lancet, demonstra que existe uma elevada prevalência de doentes hospitalizados em risco de tromboembolismo venoso (TEV) em todo o mundo, incluindo Portugal. Na Europa, esta patologia é responsável por 543.454 mortes anuais, ou seja, mais do dobro do somatório das mortes causadas por sida, cancro da mama, cancro da próstata e acidentes rodoviários.

As conclusões do estudo revelam que 52% dos doentes hospitalizados pesquisados apresentaram risco de TEV, correspondendo a 64% dos doentes cirúrgicos e 42% dos doentes médicos. O ENDORSE evidencia também que a profilaxia recomendada só é prescrita a 50% dos doentes em risco, correspondendo a 59% dos doentes cirúrgicos e 40% dos doentes médicos.

Com mais de 60 mil doentes estudados em 32 países de seis continentes, o alcance do ENDORSE não tem precedentes. Com uma ampla variedade racial, social, económica e de ambiente de cuidados de saúde, este estudo dá uma imagem única global e local acerca da extensão da população de doentes hospitalizados em risco de TEV e de como estes doentes são geridos.

Fred Anderson, director do COR (Center for Outcomes Research) da Faculdade de Medicina da Universidade de Massachusetts, que conduziu o estudo, sublinhou: “O ENDORSE mostra que uma proporção substancial dos doentes hospitalizados corre o risco de TEV, em cada um dos 32 países participantes. Apesar destes dados objectivos que dão conta da importância do risco de TEV a uma escala global, o uso da profilaxia recomendada encontra-se abaixo do adequado.

Este problema é complexo e exige mais de uma solução, inclusivamente programas educativos a nível nacional e local, desenvolvimento de guidelines, incremento de investimentos em profilaxia e inclusão do TEV na agenda de saúde de todos os países”.

Ana França, coordenadora do ENDORSE em Portugal sublinha que “a lacuna existente entre o número de doentes hospitalizados em risco de TEV e os que fazem profilaxia é excessiva. Esta incapacidade de fazer prevenção adequada coloca os doentes em risco. O estudo ENDORSE veio comprovar a necessidade urgente de adoptar medidas preventivas de acordo com o perfil de cada doente, com vista a diminuir significativamente o número de embolias pulmonares e evitar o desperdício de recursos na administração de profilaxia a doentes que dela não necessitam”.

Acerca do Tromboembolismo Venoso (TEV)

O Tromboembolismo Venoso é um termo geral usado para descrever a formação de um coágulo sanguíneo (trombo) que bloqueia uma veia. Isto pode ocorrer em qualquer parte do sistema venoso, mas as manifestações mais comuns são a trombose venosa profunda (TVP), geralmente na perna, e a embolia pulmonar (EP). Trata-se de um problema major de saúde pública e de uma doença facilmente evitável entre doentes hospitalizados por doenças médicas ou cirúrgicas agudas.

Acerca do ENDORSE

Realizado pela Universidade de Massachusetts, com o apoio da sanofi-aventis, o ENDORSE (Epidemiologic International Day for the Evaluation of Patients at Risk of Venous Thrombosis in the Acute Hospital Care Setting) é o maior estudo internacional realizado em hospitais seleccionados aleatoriamente em todo o mundo para avaliar globalmente o risco de TEV e a prática da profilaxia a nível global. Os doentes foram recrutados em 358 hospitais aleatoriamente seleccionados em 32 países da Europa, América do Norte, América do Sul, Médio Oriente, Ásia, Austrália e Norte de África. Em Portugal, a investigação englobou nove hospitais e analisou 1787 doentes.

Os principais objectivos do ENDORSE foram a identificação de doentes em risco de TEV em hospitais representativos de todo o mundo e a determinação da proporção de doentes hospitalizados em risco, que recebem profilaxia eficaz contra o TEV usando a definição de doentes em risco e as recomendações de profilaxia fornecidas pelas guidelines de consensus baseadas em evidência do American College of Chest Physicians (ACCP).

O estudo incluiu duas categorias de doentes hospitalizados: doentes com idade não inferior a 40 anos em serviços médicos e doentes com idade não inferior a 18 anos em serviços cirúrgicos. Todos os serviços hospitalares com doentes médicos ou cirúrgicos agudos foram elegíveis para o registo.

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