O envelhecimento não raras vezes acaba por dar as mãos à dependência. É, pois, fundamental um apoio personalizado e especial para que os idosos tenham uma melhor qualidade de vida. Também é fundamental aperfeiçoar o apoio domiciliário devido ao envelhecimento da população portuguesa.
Foi no sentido de perceber melhor os contornos desta nova realidade que a Equipa do Projecto do Apoio Domiciliário (EPAD) da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML) resolveu promover um estudo de mercado.
A pesquisa decorreu entre Fevereiro e Junho de 2004 e procurou conhecer melhor o fenómeno e a realidade nacional, em especial na cidade de Lisboa, bem como aferir necessidades, avaliar capacidades e detectar oportunidades.
Para que tal fosse possível, a equipa de trabalho conjugou o método qualitativo de entrevistas e opinião reflectida (amostra de 113 pessoas) e quantitativo, através da aplicação de um questionário (amostra de 623 pessoas), a recolha e tratamento de dados demográficos nacionais e de Lisboa e, por fim, a observação in loco da realidade em 17 locais de sete países para constituir um benchmarking internacional sobre esta realidade.
A realidade reflectida nestes estudos é um desafio, mas também um estímulo à actividade desenvolvida há mais de cinco séculos pela Misericórdia de Lisboa.
Foi dado especial relevo à capital do País, pois o distrito de Lisboa é o mais envelhecido. Por exemplo, em 2001, o índice de envelhecimento no País era 103, enquanto em Lisboa o mesmo índice era 203.
De acordo com dados estatísticos do INE, referentes ao ano de 2001, 23,6% da população residente em Lisboa tinha mais de 64 anos; entre 1991 e 2001, o número de idosos aumentou 7%; 25,3%
dos idosos viviam sós; 62% eram mulheres; 14% apresentavam uma deficiência e 7% estavam afectados pela demência.
Ora, com o envelhecimento podem chegar também o isolamento e a falta de autonomia e, consequentemente, a dependência e a necessidade de apoio na comunidade. É este apoio que a Santa Casa tem vindo a dar à população mais idosa, através do seu Serviço de Apoio Domiciliário.
Porém, as tendências demográficas indicam que a necessidade de apoio vai aumentar com utilizadores progressivamente mais velhos, mais exigentes (mais ricos e mais educados) e mais doentes. Além do mais, há uma tendência para cada vez mais idosos ficarem em casa e para surgirem demências mais cedo e mais severas.
O apoio domiciliário da Santa Casa quer, assim, ajustar-se à actualidade e preparar–se para o futuro. Para isso, foi essencial realizar a referida pesquisa.
Dos estudos qualitativos, quantitativos, demográficos e de benchmarking, concluiu-se, entre outras coisas, que o apoio no domicílio é a alternativa à institucionalização dos idosos, sendo a melhor e mais desejada resposta da comunidade à dependência e que a SCML, a partir da sua posição de liderança, tem todas as condições para oferecer à sociedade um conceito de apoio domiciliário de qualidade.
Deste modo, com o objectivo de prevenir a dependência, promover a autonomia e aumentar a qualidade de resposta ao envelhecimento populacional, a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa vai duplicar, até 2006, o investimento de 6 para 12 milhões de euros no desenvolvimento de um novo modelo de Serviço de Apoio Domiciliário.
Esta entidade vai, ainda, elevar de 15 para 30 milhões de euros o investimento no apoio aos idosos para criar uma grande Unidade de Cuidados Continuados no Hospital de Santana, para complementar o Modelo de Apoio Domiciliário com uma Unidade de Cuidados Paliativos, abrir duas Residências Assistidas e expandir a rede de apoio domiciliário até atingir os 4% de cobertura dos maiores de 65 anos. Note-se que, actualmente, o apoio domiciliário cobre 3% desta população.
Portugal e outros países da UE
A SCML analisou igualmente outros mercados, na Europa e no Mundo, chegando à conclusão de que as tendências demográficas são idênticas, mas com evidentes diferenças ao nível do apoio domiciliário.
Países como a Dinamarca, a Noruega e a Finlândia registam percentagens de cobertura de pessoas com mais de 65 anos que recebem apoio domiciliário na ordem dos 25%, 16% e 11%, respectivamente. Na vizinha Espanha, a cobertura de apoio domiciliário para maiores de 65 anos atinge os 8%.
Comparativamente, Portugal está bastante aquém em termos de resposta ao envelhecimento, uma vez que na capital do País apenas 3% da população recebe apoio domiciliário.
55% dos utentes do Serviço de Apoio Domiciliário vivem sozinhos
Fundado em 1967, o Serviço de Apoio Domiciliário de Acção Social da SCML presta apoio a 1500 pessoas, através de 392 colaboradores, sendo responsável por um terço do apoio domiciliário realizado em Lisboa.
Os colaboradores actuam nas mais diversas áreas, tais como cuidados pessoais (banho e higiene pessoal), serviço do lar (higiene e limpeza, tratamento de roupa, reparações), alimentação (confecção no lar, distribuição), cuidados de saúde (prevenção, cuidados médicos e de enfermagem; tratamento ambulatório, vigilância, toma de medicamentos assistida) e outros serviços (transporte, diligências externas).
Quanto aos utentes, 72% são mulheres, 96% idosos e 76% grandes idosos. O rendimento médio é inferior a 200 euros, 81% possui o Ensino Básico ou menos, 17% são analfabetos e 55% vivem sós.
No que respeita aos motivos que levam as pessoas a receber apoio domiciliário, surgem em primeiro lugar os problemas de saúde (37%), seguindo-se a dependência (36%). As doenças na base da necessidade de recorrer ao apoio domiciliário são a hipertensão (44%), a insuficiência cardíaca (22%) e antecedentes de AVC (16%).
A pesquisa decorreu entre Fevereiro e Junho de 2004 e procurou conhecer melhor o fenómeno e a realidade nacional, em especial na cidade de Lisboa, bem como aferir necessidades, avaliar capacidades e detectar oportunidades.
Para que tal fosse possível, a equipa de trabalho conjugou o método qualitativo de entrevistas e opinião reflectida (amostra de 113 pessoas) e quantitativo, através da aplicação de um questionário (amostra de 623 pessoas), a recolha e tratamento de dados demográficos nacionais e de Lisboa e, por fim, a observação in loco da realidade em 17 locais de sete países para constituir um benchmarking internacional sobre esta realidade.
A realidade reflectida nestes estudos é um desafio, mas também um estímulo à actividade desenvolvida há mais de cinco séculos pela Misericórdia de Lisboa.
Foi dado especial relevo à capital do País, pois o distrito de Lisboa é o mais envelhecido. Por exemplo, em 2001, o índice de envelhecimento no País era 103, enquanto em Lisboa o mesmo índice era 203.
De acordo com dados estatísticos do INE, referentes ao ano de 2001, 23,6% da população residente em Lisboa tinha mais de 64 anos; entre 1991 e 2001, o número de idosos aumentou 7%; 25,3%
dos idosos viviam sós; 62% eram mulheres; 14% apresentavam uma deficiência e 7% estavam afectados pela demência.
Ora, com o envelhecimento podem chegar também o isolamento e a falta de autonomia e, consequentemente, a dependência e a necessidade de apoio na comunidade. É este apoio que a Santa Casa tem vindo a dar à população mais idosa, através do seu Serviço de Apoio Domiciliário.
Porém, as tendências demográficas indicam que a necessidade de apoio vai aumentar com utilizadores progressivamente mais velhos, mais exigentes (mais ricos e mais educados) e mais doentes. Além do mais, há uma tendência para cada vez mais idosos ficarem em casa e para surgirem demências mais cedo e mais severas.
O apoio domiciliário da Santa Casa quer, assim, ajustar-se à actualidade e preparar–se para o futuro. Para isso, foi essencial realizar a referida pesquisa.
Dos estudos qualitativos, quantitativos, demográficos e de benchmarking, concluiu-se, entre outras coisas, que o apoio no domicílio é a alternativa à institucionalização dos idosos, sendo a melhor e mais desejada resposta da comunidade à dependência e que a SCML, a partir da sua posição de liderança, tem todas as condições para oferecer à sociedade um conceito de apoio domiciliário de qualidade.
Deste modo, com o objectivo de prevenir a dependência, promover a autonomia e aumentar a qualidade de resposta ao envelhecimento populacional, a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa vai duplicar, até 2006, o investimento de 6 para 12 milhões de euros no desenvolvimento de um novo modelo de Serviço de Apoio Domiciliário.
Esta entidade vai, ainda, elevar de 15 para 30 milhões de euros o investimento no apoio aos idosos para criar uma grande Unidade de Cuidados Continuados no Hospital de Santana, para complementar o Modelo de Apoio Domiciliário com uma Unidade de Cuidados Paliativos, abrir duas Residências Assistidas e expandir a rede de apoio domiciliário até atingir os 4% de cobertura dos maiores de 65 anos. Note-se que, actualmente, o apoio domiciliário cobre 3% desta população.
Portugal e outros países da UE
A SCML analisou igualmente outros mercados, na Europa e no Mundo, chegando à conclusão de que as tendências demográficas são idênticas, mas com evidentes diferenças ao nível do apoio domiciliário.
Países como a Dinamarca, a Noruega e a Finlândia registam percentagens de cobertura de pessoas com mais de 65 anos que recebem apoio domiciliário na ordem dos 25%, 16% e 11%, respectivamente. Na vizinha Espanha, a cobertura de apoio domiciliário para maiores de 65 anos atinge os 8%.
Comparativamente, Portugal está bastante aquém em termos de resposta ao envelhecimento, uma vez que na capital do País apenas 3% da população recebe apoio domiciliário.
55% dos utentes do Serviço de Apoio Domiciliário vivem sozinhos
Fundado em 1967, o Serviço de Apoio Domiciliário de Acção Social da SCML presta apoio a 1500 pessoas, através de 392 colaboradores, sendo responsável por um terço do apoio domiciliário realizado em Lisboa.
Os colaboradores actuam nas mais diversas áreas, tais como cuidados pessoais (banho e higiene pessoal), serviço do lar (higiene e limpeza, tratamento de roupa, reparações), alimentação (confecção no lar, distribuição), cuidados de saúde (prevenção, cuidados médicos e de enfermagem; tratamento ambulatório, vigilância, toma de medicamentos assistida) e outros serviços (transporte, diligências externas).
Quanto aos utentes, 72% são mulheres, 96% idosos e 76% grandes idosos. O rendimento médio é inferior a 200 euros, 81% possui o Ensino Básico ou menos, 17% são analfabetos e 55% vivem sós.
No que respeita aos motivos que levam as pessoas a receber apoio domiciliário, surgem em primeiro lugar os problemas de saúde (37%), seguindo-se a dependência (36%). As doenças na base da necessidade de recorrer ao apoio domiciliário são a hipertensão (44%), a insuficiência cardíaca (22%) e antecedentes de AVC (16%).