O que é a doença venosa?
A Doença venosa consiste em uma anomalia do sistema venoso dos membros inferiores, de que resulta uma alteração do retorno do sangue venoso ao coração, o que desencadeia fenómenos de sofrimento das veias.
Esta situação origina o aparecimento de telangiectasias, «derrames» ,o aparecimento de varizes, e repercute-se na microcirculação capilar, responsável pelas formas mais avançadas da doença, de que são exemplo os eczemas venosos, várias alterações da pele, as flebites e, no seu estádio mais grave, a ulcera de perna .
Porque é que surge este problema ou, colocando a questão de outra forma, o que se pode fazer para evitar o seu aparecimento?
Na origem da Doença venosa há sempre um ou mais factores determinantes, que podem ser de origem genética ou secundários a um factor circunstancial. O factor genético é responsável pela doença venosa primária, de inicio insidioso e com evolução mais ou menos lenta. Os factores circunstanciais são vários, entre os quais se destacam, a trombose venosa profunda, os traumatismos, as terapêuticas hormonais femininas, a gravidez e um número considerável de factores causais como a obesidade, o ortostatismo prolongado, a tomada excessiva de calor, etc.
Assim, a Doença venosa deve ser tratada desde os primeiros estádios da sua evolução, e deve ser prevenida eliminando ou evitando, quando possível, os factores de risco.
Quais os sintomas ou sinais de alerta?
A sintomatologia da Doença venosa traduz-se por sensação de peso, dor, e frequente edema da perna e pé, geralmente de predomínio vespertino «ao fim do dia». Nos estádios iniciais da doença ou seja, nos períodos pré-varicosos, as veias dilatadas, as varizes, não são evidentes, mas à medida que a doença progride o seu aparecimento é notório.
A doença venosa pode ser agravada pelo calor? Porquê?
Obviamente que sim, sobretudo se o calor for intenso e tomado por longos períodos.
A circulação venosa é muito sensível à temperatura e o calor provoca uma vasodilatação das veias e capilares que origina uma maior acumulação de sangue estagnado, com o consequente agravamento da doença.
Quem sofre deste problema deve ter cuidados especiais na exposição solar. Que cuidados são esses?
Quem sofre de Doença venosa deve ter cuidados redobrados com a exposição aos raios solares.
È recomendável o uso de protectores solares de elevado índice de protecção; os banhos de sol devem ser tomados o mais perto possível da água; Nos primeiros dias de praia deve ter as pernas à sombra, expondo-se gradualmente ao sol . Os próprios que estejam já bronzeados devem ter o cuidado de, por cada 30 minutos de exposição solar fazer um banho de pelo menos 10 minutos.
O sol em doses moderadas, o ar marítimo e a areia converte-se numa das melhores terapias que a Natureza, tão generosamente, põe ao nosso alcance.
A água salgada, que contem cloreto de sódio, tem grande eficácia na redução dos edemas e a sua fresca temperatura é vasoconstritora sendo muito benéfica para quem sofre de varizes.
Quais as consequências de uma exposição solar que não tenha em conta os cuidados que acaba de referir?
A exposição prolongada e desregrada ao sol, sem a protecção adequada, tem como resultado imediato o eritema solar que consiste numa queimadura cutânea com vasodilatação intensa com descamação da pele.
Associado ao calor intenso, a vasodilatação dos capilares, mesmo nas pessoas que não sofram da doença, pode originar o aparecimento dos «derrames». Quem já sofre de Doença venosa nomeadamente de varizes, o seu agravamento é inevitável.
Quais os tratamentos disponíveis para a doença venosa?
Actualmente os tratamentos curativos são cada vez menos agressivos, os tratamentos paliativos mais eficazes, e os tratamentos preventivos mais frequentes. Isto deve se a um melhor conhecimento da doença bem como ao seu diagnóstico precoce feito através de métodos como o triplex-scan e o ecodoppler a cores.
Em qualquer estádio da doença, a terapêutica medicamentosa com flebotropos e a contenção elástica devem ser instauradas. Quanto aos flebotropos, devem seleccionar-se os que, para alem de outras acções terapêuticas, actuam sobre a microcirculação, eliminando assim a sintomatologia, e evitando as situações de dermatite, eczema venoso e a ulcera de perna.
Em relação à contenção elástica , esta deve ser prescrita caso a caso (meia ,meia até a raiz da coxa ou collant ) e com tensão suficiente para reduzir os efeitos da pressão venosa nos membros inferiores.
A escleroterapia «secagem» e o laser transcutâneo, estão indicados no tratamento das telangiectasias e varizes reticulares (varizes de pequeno calibre) .Quando a indicação é correcta e a execução efectuada com rigor, tem excelentes resultados, não só no que respeita aos sintomas mas também no que se refere à estética.
Nas varizes mais volumosas ou nas dependentes dos sistemas das safenas interna ou externa, a cirurgia é a única solução.
Nos estadios iniciais a cirurgia pode ser efectuada em regime ambulatório, sob anestesia local ou locoregional, por procedimento endovascular com laser através de fibra óptica ou por ressecção das varizes com mini incisões cutâneas. A preocupação dominante do cirurgião vascular nesta patologia é não só a cura da lesão mas tambem o resultado estético.
Nas situações mais avançadas e mais graves, a cirurgia é mais complicada, requerendo anestesia geral ou raquidiana, do que decorre a necessidade de internamento hospitalar, geralmente não por tempo superior a 24 horas.
Para além do diagnóstico precoce e dos tratamentos adequados, é de realçar a importância das medidas preventivas aplicadas a seu tempo . Com estes procedimentos evitar-se-á não só a progressão da doença para formas de maior gravidade mas tambem associarmos a estética ao bem estar.
Dr. E. Serra Brandão
Cirurgião vascular
Director do IRV – Instituto de Recuperação Vascular.
IRV – Instituto de Recuperação Vascular
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